BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
ACESSO LIVRE
Conheça as seções e áreas de VEJA.com
com acesso liberado
REVISTAS
VEJA
Edição 2012

13 de junho de 2007
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
COLUNAS
Millôr
Stephen Kanitz
André Petry
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
SEÇÕES
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA.com
Holofote
Contexto
Radar
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
Publicidade
 

Televisão
Realidade por
todos os lados

Quinze anos depois do surgimento, os reality shows
são um item essencial da TV. Até Spielberg aderiu a eles


Marcelo Marthe

Divulgação/Record
Justus, em O Aprendiz: o programa é tão realista que não faltou nem "caixinha" para fiscal

No início da década, quando o Big Brother se converteu num fenômeno mundial, seu criador prognosticou: "Tanto quanto as novelas ou os programas de auditório, os reality shows são um formato que veio para ficar". Embora muita gente não levasse a sério as palavras do holandês John de Mol, elas se revelaram proféticas. Em vez de modismo, os reality shows se tornaram um item indispensável no cardápio da TV. Inclusive no Brasil – e não se está falando apenas de um sucesso como o Big Brother, que em sua edição mais recente obteve o feito inédito de desbancar por dois meses a novela das 8 do topo do ranking das atrações mais vistas da Globo (e do país, por extensão). É na TV paga que seu poder de fogo se evidencia de forma mais inequívoca. Toda semana, os canais por assinatura transmitem mais de 200 horas de reality shows. Só no People & Arts, eles respondem por 60% da programação. Até um peso-pesado do show biz como Steven Spielberg se rendeu a eles. Em exibição há duas semanas nos Estados Unidos (e, por aqui, no mesmo People & Arts), On the Lot é uma gincana em que aspirantes a diretor disputam a chance de gravar um filme no estúdio do cineasta.

Uma das razões da onipresença dos reality shows é sua versatilidade. Dos concursos musicais na linha do American Idol (que no Brasil virou o Ídolos, do SBT) a programas de decoração como Extreme Makeover – Reconstrução Total, eles se desdobram em subtipos para todos os gostos (veja quadro). Assim que se inventa uma variação, logo surgem cópias em série. E, ainda que a maioria esteja fadada a uma vida curta, vários exibem uma resistência férrea. Recentemente, o americano Donald Trump anunciou o fim de sua gincana empresarial, O Aprendiz – mas note-se que, até chegar à exaustão, ela teve seis edições. Hoje na quarta encarnação, a versão brasileira continua a ser um bom negócio para a Rede Record. Há dez dias, quando o apresentador Roberto Justus demitiu dois participantes de uma vez, o programa ficou por doze minutos em primeiro lugar no ibope. Pudera. O clima modorrento daquelas reuniões de conselho foi quebrado por uma saia-justa: um dos pupilos de Justus reservou 100 reais para dar de "caixinha" a fiscais da prefeitura paulistana, caso encrencassem com uma tarefa de seu grupo na rua. Realismo é isso aí (mas o rapaz foi demitido por encorajar a corrupção). Justus não é o único em sua família, aliás, a abraçar os reality shows. No mês que vem, deverá estrear também na Record a versão nacional de Simple Life, em que a patricinha Paris Hilton e sua amiga Nicole Richie são colocadas para fazer as tarefas mais abiloladas, como ordenhar vacas e trabalhar numa funerária. Ticiane Pinheiro, mulher de Justus, será uma das protagonistas, ao lado da atriz Karina Bacchi.

Outro motivo da proliferação dos reality shows é de ordem econômica. Manter o Big Brother no ar custa por mês cerca de quinze vezes menos do que sustentar uma novela das 8 pelo mesmo período. Para os canais por assinatura, a conta é ainda mais vantajosa: além de pagarem apenas pelos direitos das atrações importadas, eles abusam das reprises. Muitos dos reality shows que se vêem neles são puro lixo. Mas também há experiências inteligentes, como o Ramsay's Kitchen Nightmares, transmitido pelo GNT. O programa em que o chef escocês Gordon Ramsay intervém para salvar restaurantes falidos mostra o que o formato pode oferecer nas mãos de um produtor inspirado. Embora o tema seja a gastronomia, ele funciona como uma aula sobre a natureza humana e a gestão de negócios. Em breve, deverá inspirar um quadro no Caldeirão do Huck, da Globo.

Boas intenções não bastam para fazer um reality show. As fórmulas mais consagradas podem desandar em razão de um elenco mal escalado. "A escolha dos participantes é tudo", diz o experiente Boninho, diretor do Big Brother. A gincana que leva a grife de Spielberg – e de Mark Burnett, o maior produtor de reality shows do planeta – exemplifica ainda outros erros. On the Lot tem mais tutano que a média dessas atrações, mas é uma chatice. Sobra papo sério sobre cinema e faltam os ingredientes fundamentais: as intrigas e os "barracos". Spielberg, quem diria, pode ser o túmulo de um reality show.

 






Fotos Everett Collection/Grupo Keystone/Rede Globo/divulgação/Lailson Santos/TV Record/Tammie Arroyo/AP
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |