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13 de junho de 2007
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Negócios
Sem alça
Nem mala

Cansado de carregar peso? Empresas
arrumam, despacham e entregam a sua

bagagem em qualquer destino


Julia Duailibi

 

Erik S. Lesser/The New York Times

Guarda-roupa da CarryOn: a bagagem é feita pela internet e enviada ao hotel de destino


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Quadro: Outros serviços

Arrumar as malas, arrastá-las pelo aeroporto, despachá-las e, se não tiverem sido extraviadas, tirá-las da esteira rolante e levá-las até o táxi. Cansativo para os viajantes esporádicos, esse rito é um eterno tormento para executivos que, numa economia cada vez mais globalizada, passam mais tempo em aviões do que com os filhos. Executivos americanos, por exemplo, gastam até noventa minutos com o transporte e o check-in de bagagens em cada viagem que fazem. Não é pouca coisa: quem toma um avião semanalmente chega a gastar treze dias de trabalho por ano com suas malas. Nos Estados Unidos, algumas empresas descobriram uma forma de ganhar dinheiro aliviando essa tortura. Elas se especializaram em despachar malas e garantir que elas cheguem ao seu destino com segurança. Em alguns casos, até arrumam a bagagem dos passageiros mais endinheirados. Trata-se da quintessência do conforto da aviação comercial de passageiros.

O preço do serviço varia conforme o peso da bagagem e a distância da viagem. Em um único trecho, pode passar dos 1.000 dólares. Para quem pode, vale a pena. A BaggageDirect, da Califórnia, apanha as malas no escritório ou na casa do cliente e lhe entrega o cartão de embarque. No destino, uma equipe recolhe as malas no aeroporto e as coloca no quarto do hotel. Para executar o serviço, a BaggageDirect fez parceria com companhias aéreas e com a Transportation Security Administration, agência responsável pela segurança dos aeroportos americanos. Brasileiros podem explorar o serviço apenas em viagens pelos Estados Unidos: buscar a mala e levá-la ao aeroporto pode sair por cerca de 30 dólares. A Luggage Forward, de Boston, oferece um serviço ainda mais exclusivo que não se limita ao território americano. A empresa recolhe as malas na casa do cliente dias antes da viagem e as entrega com antecedência no destino. Nesse caso, as malas viajam antes do passageiro, por meio do correio aéreo comum. No trecho Nova York–Boston, quase uma ponte aérea, o serviço custa 120 dólares. Entre São Paulo e Nova York, fica em 764 dólares, ida e volta. A Luggage Forward exige uma comunicação no mínimo dois dias antes da viagem para executar o serviço.

Algumas empresas, como a CarryOn e a Flylite, chegam a montar um segundo guarda-roupa de seus clientes com ternos, camisas, sapatos e objetos pessoais. Esse guarda-roupa é guardado em depósitos. Na hora de viajar, o cliente acessa um serviço de internet (o iCloset) que mostra as imagens de suas roupas em tempo real e lhe permite escolher o que colocar na mala. Todo o processo é feito pelo computador. As empresas enviam a mala ao hotel de destino nos Estados Unidos. Ao término da viagem, buscam a bagagem, além de lavar e passar as roupas. Aberta em 2006, a Flylite já tem depósitos em quatro estados americanos e estará presente em outros doze até o fim do ano. Abrir um iCloset custa 500 dólares por ano, além de pelo menos 100 dólares pagos a cada viagem curta realizada. O mercado de transporte de malas começou a ser explorado nos anos 90, mas só ganhou fôlego depois dos ataques terroristas de 11 de setembro. Para melhorar a segurança nos vôos, as autoridades americanas passaram a impor restrições que aumentaram o desconforto dos viajantes, principalmente daqueles com bagagem. Além de aliviar o peso das malas, essas empresas oferecem uma garantia extra contra o extravio de bagagens. Como algumas delas têm depósitos próprios nos aeroportos e acompanham os pertences de seus clientes até o avião, há menos registros de perdas. E, quando isso acontece, elas se comprometem a alugar equipamentos e acessórios similares àqueles que não chegaram a tempo.

A idéia parece boa, mas ainda há quem duvide da viabilidade comercial dessas empresas. "Os serviços são muito caros e as multinacionais já gastam muito com as viagens dos seus executivos. Elas querem diminuir esses custos, não aumentá-los", diz Leonel Rossi Júnior, diretor de assuntos internacionais da Associação Brasileira de Agências de Viagens. Caleb Tiller, diretor da National Business Travel Association, dos Estados Unidos, concorda: "Os custos são muito altos. Quem usa esses serviços paga do próprio bolso". Na prática, nada impede que o passageiro despache suas próprias malas pelo correio, aliviando o peso da bagagem sem que seja preciso contratar uma empresa. "Você pode fazer isso", rebate a Luggage Express, da Flórida, em sua propaganda na internet. "Mas será o mesmo que trocar o óleo do próprio carro."

 
Fabiana Bertone

 

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