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Edição 2012

13 de junho de 2007
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Carta ao leitor
Só a PF não resolve

Sergio Dutti/AE
Lula: a lei que vale para todos os brasileiros vale para o irmão do presidente


Há menos de dois anos, VEJA publicou uma reportagem contando que Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente da República, se oferecia no mercado como facilitador de negócios junto a órgãos do governo federal. Embora calçada em documentos obtidos ao cabo de rigorosa apuração jornalística, a reportagem foi rebatida não com argumentos, mas com as acusações de praxe de encarnar "o preconceito das elites" contra o governo petista. Pois, passados vinte meses da publicação da reportagem, a Polícia Federal vem de indiciar Vavá pelos mesmos motivos apontados por VEJA: "tráfico de influência junto ao Executivo pela venda de favores a empresários". Com a agravante de que aparentemente Vavá estendera os serviços ofertados para além das atividades empresariais legais, rumo ao submundo dos jogos de azar.

Não se trata aqui de louvar o jornalismo de VEJA, mas de anotar como o Brasil mudou para melhor nos últimos tempos. A começar pelas atitudes do próprio presidente da República. Lula soube da iminente ação policial contra o irmão e não se permitiu mover para atrapalhá-la. Mais tarde, consumada a sorte de Genival, o presidente reagiu com elegância em relação ao irmão, a quem concedeu o benefício da dúvida, e com a correção que o cargo exige ao evitar críticas aos policiais, lembrando que a lei no Brasil vale para todos.

O indiciamento de Vavá se deu no bojo da mais recente de uma série de operações um tanto cinematográficas da Polícia Federal. É cedo para fazer um julgamento definitivo da vertente policial do combate à corrupção. Mas já está claro o bastante que apenas da ação policial isolada não se podem esperar resultados duradouros do combate a esse mal endêmico da vida pública brasileira. A tarefa de quebrar a espinha dorsal da corrupção não pode ser deixada apenas a cargo da Polícia Federal, por mais dedicados e eficientes que sejam seus agentes. Para que as coisas realmente melhorem no Brasil, é preciso que às operações policiais se sigam ações judiciais e de promotoria feitas com igual ímpeto e obstinação de maneira que se possam prender menos suspeitos e condenar mais culpados.

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