"Se Mônica conta
sua versão, o que ela
é? Chantagista. Se fica calada, o que é? A interesseira que vendeu o silêncio a
peso de ouro. Se exige que o senador
ajude no sustento da filha, o que é?
A biscateira que só pensa em dinheiro"
Mônica Veloso
é uma mulher fotogênica, mas é mais bonita
pessoalmente do que em fotografias. Às vezes, ela dá
uns ares com a atriz Tânia Kalil, talvez pelo formato
do rosto e pela expressão vagamente indefesa do olhar.
Outras vezes, ela se parece com a atriz Deborah Secco, pela
delicadeza do nariz e pela protuberância discretamente
provocadora dos lábios. Mônica Veloso é
uma mulher bonita e sensual. Tem 1,70 metro de altura, pesa
58 quilos. Para os antigos, é um pitéu. Para
os de meia-idade, é uma gata. Para os jovens, é
uma mina cabulosa. E não é que, com atributos
para encantar todas as idades, Mônica Veloso virou pistoleira,
chantagista, piranha? Virou a desonesta, a destruidora de
lares, a mulher que seduzia políticos e poderosos à
cata de um butim generoso, fisgando o senador José
Renan Vasconcelos Calheiros?
Pobre Mônica.
Como teve um romance com o senador, do qual nasceu uma menina,
Mônica tornou-se agora vítima do machismo que
sempre reserva à mulher o papel mais torpe da história.
Se Mônica conta sua versão publicamente, o que
ela é? Chantagista em busca de alguma vantagem. Se
fica calada, o que é? A interesseira que vendeu seu
silêncio a peso de ouro. Se exige que o senador ajude
no sustento da filha, o que é? A biscateira que só
pensa em dinheiro. Se não pede um tostão ao
pai de sua filha, o que é? Ora, a calculista esperando
a hora certa de dar o bote. Não tem saída. Mônica
Veloso pode fazer o que quiser, mas estará sempre do
lado errado. Porque do outro lado está o senador José
Renan Vasconcelos Calheiros, o homem que confessa seu pecado,
pede perdão à mulher e por pouco, muito pouco,
não vira o ingênuo senhor que se perdeu nas curvas
da sedutora maligna.
Mas, se o que interessa
no escândalo todo não é o romance do senador
com a jornalista, e sim a tenebrosa intimidade financeira
do senador com um lobista de empreiteira, qual é a
relevância de discutir os carimbos preconceituosos estampados
sobre a imagem de Mônica Veloso? A relevância
é a seguinte: isso explica por que o senador, desde
a primeira hora do escândalo, distorceu a questão
como se fosse um assunto privado. Trazendo a polêmica
para o terreno da vida pessoal, o senador talvez soubesse,
ou intuísse, que tinha uma vantagem já na largada:
era o homem, o respeitável pai de família, contra
a mulher, a jovem descasada. O senador foi tão covarde
que jogou sobre a mulher até o peso não apenas
de ser macho, mas também o de ser poderoso.
É injusto
até com a história do Brasil, onde imperadores
caíam deliciosamente nos braços de amantes inesquecíveis.
Uma delas, menos conhecida do que a marquesa de Santos de
dom Pedro I, era a condessa de Barral, bela baiana, filha
de família ilustre, mulher inteligente e refinada,
preceptora de princesas e paixão de dom Pedro II. Como
se antecipasse em um século e meio a patacoada do senador
em Brasília, a condessa de Barral escreveu: "São
desgraças do Brasil / Um patriotismo fofo / Leis em
parola, preguiça / Ferrugem, formiga e mofo".