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13 de maio de 2009
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Medicina
O coração devassado

Graças aos novos tomógrafos que estão chegando
ao Brasil, capazes de registrar até 1 500 imagens por
segundo, não existem mais artérias invisíveis


Adriana Dias Lopes

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Surgidos em meados dos anos 70, os exames de tomografia revolucionaram a cardiologia. Eles permitiram que se flagrasse o coração, órgão com os movimentos mais intensos e velozes do organismo, em plena atividade. Nas últimas três décadas, tais máquinas evoluíram tanto que os primeiros tomógrafos pouco têm a ver com os atuais. As imagens produzidas no passado possibilitavam principalmente a análise de vasos com mais de 2 centímetros de diâmetro. Por meio delas, os médicos identificavam obstruções na aorta e na artéria pulmonar, os grandes canais de irrigação do coração, quando já não havia muito que fazer. Com os equipamentos desenvolvidos no início dos anos 2000, começou-se a descobrir a existência de distúrbios cardíacos antes mesmo do aparecimento de seus primeiros sintomas. "Esse progresso fez crer que a tecnologia dos tomógrafos havia atingido o limite", diz o cardiologista Carlos Rochitte, do Instituto do Coração, em São Paulo. Pois uma nova geração de tomógrafos, que começa a chegar aos principais centros de saúde do Brasil a partir do próximo mês, mostra que ainda se está muito longe desse limite. As máquinas de última geração analisam em detalhes a estrutura de 90% do coração, contra 75% dos aparelhos antecessores.

Tal diferença na varredura do coração pode parecer pouca coisa. Mas o rastreamento detalhado do músculo cardíaco traz resultados significativos para a prevenção e o tratamento de uma das doenças que mais matam no mundo – o infarto. As imagens produzidas nos exames de tomografia são formadas por raios X que cruzam o corpo do paciente, captando o interior das artérias. Os registros obtidos são decodificados por computadores e transformados em desenhos coloridos tridimensionais. Quanto mais velozes são os feixes de raio X, mais definida é a imagem. Os tomógrafos em uso atualmente captam 192 quadros por segundo. Com eles, é possível visualizar vasos com calibre de 1,5 milímetro. As novas máquinas são cinco vezes mais velozes e captam de 1 000 a 1 500 imagens por segundo. Essa velocidade permite ao cardiologista observar a estrutura de vasos ainda mais finos. Um avanço notável, visto que o entupimento das pequenas artérias responde por cerca de 20% dos infartos.

A precisão dos tomógrafos mais modernos permite ainda a detecção de placas de gordura e de cálcio, as principais causas de obstrução arterial, em estágios precoces – quando elas exibem somente 0,5 milímetro cúbico de volume. Os aparelhos atuais só conseguem captar depósitos com o dobro desse volume. "A visualização de obstruções minúsculas é decisiva para a reversão completa da doença", diz o cardiologista Ibraim Masciarelli, do Hospital do Coração, em São Paulo. Nesses casos, o tratamento é feito com estatinas, antiplaquetários e anti-hipertensivos. Os novos aparelhos possibilitam também a análise do fluxo sanguíneo do coração em tempo real – o que os tomógrafos mais antigos não conseguem fazer. "Essa é uma informação valiosa para definir a escolha do tratamento", diz o cardiologista Roberto Kalil, diretor do centro de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O comprometimento de uma artéria coronária não está associado apenas ao tamanho do bloqueio. Influenciam nesse processo a arquitetura da placa e a ocorrência de fatores externos, como a formação de úlceras que podem atrapalhar a irrigação sanguínea do coração.

Ultravelozes, os to-mógrafos de última geração reduzem o tempo de exposição do paciente à radiação. Atualmente, por questão de segurança, a tomografia coronária como exame de check-up é indicada apenas para pacientes com dois ou mais fatores de risco para doenças cardíacas. Para os homens e mulheres com mais de 40 anos que não apresentam histórico de doenças cardíacas, o exame só é recomendado de cinco em cinco anos. Em breve, com a chegada dos novos aparelhos, a tomografia, segundo os especialistas, deve se tornar mais frequente também para eles.



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