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Edição 2112

13 de maio de 2009
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AGORA ELE QUER IR AO ESPAÇO

Aos 60 anos, o tricampeão de F1 Niki Lauda vem ao Brasil comprar jatos da Embraer enquanto se prepara para pilotar o ônibus espacial


Ronaldo França

Jamie Beeden/Corbis Outline/Latinstock
NADA DE APOSENTADORIA
Duas vezes por semana, Lauda assume o comando de um
dos aviões de sua empresa.
"É marketing"


As marcas no rosto de Niki Lauda dão-lhe uma aparência única. São as cicatrizes do terrível acidente que sofreu em 1976, durante o Grande Prêmio da Alemanha, no circuito de Nurburgring. Uma experiência trágica que poderia tê-lo afastado para sempre das pistas. Não foi o que aconteceu. Após se recuperar dos ferimentos da batida, naquele mesmo ano, voltou às pistas e acrescentou à sua biografia o terceiro título mundial de F1, em 1984. Ao se aposentar, em 1985, foi cuidar de sua companhia de aviação, a Lauda Air. Não deu certo. A empresa acabou vendida à principal concorrente, a Austrian Airlines. O contrato de venda incluía uma cláusula que o proibia de usar o nome Lauda novamente. Acostumado às ultrapassagens, deixou para trás as imposições batizando a nova empresa, uma companhia de baixo custo, de FlyNiki. Agora, dedica-se a pô-la de pé. No ano passado, cinco anos depois da fundação, lucrou pela primeira vez. Foram 7,1 milhões de euros. Nesta semana, ele chega ao Brasil para concretizar uma aposta alta. Com o mundo ainda sob efeito da crise financeira internacional, Lauda vem buscar um dos cinco aviões que está comprando da Embraer para aumentar em 50% sua frota atual de dez modelos da Airbus. Aos 60 anos, multimilionário e tendo alcançado a glória, poderia estar descansando em qualquer parte do mundo. Mas seus planos são outros.

Lauda não vai apenas voltar a competir no mercado de aviação na Europa. Quer mais. Pretende pilotar o ônibus espacial SpaceShipTwo, que fará passeios suborbitais a partir do próximo ano. A nave é um empreendimento turístico do inglês Richard Branson, dono da marca Virgin, que já tem uma gravadora e uma empresa de aviação. Lauda e Branson são amigos. O piloto brasileiro Rubens Barrichello também voará no SpaceShipTwo, mas como passageiro. "Eu vou pilotar. O Rubens provavelmente vai voar comigo", disse Lauda a VEJA, da sede de sua empresa, em Viena, na Áustria. Pretende estudar para cumprir a tarefa, assim como fez depois de se aposentar, em 1985, quando se tornou piloto de jatos Airbus e Boeing. Pelo menos duas vezes por semana ele assume o comando do avião durante um voo regular. Nada a ver com busca de emoção ou com a preocupação em manter-se na ativa. "É marketing. Os passageiros gostam de me ver a bordo e eu vejo de perto o serviço que estamos prestando."

Embora louco por riscos, Lauda sempre foi um calculista. Mesmo a 300 quilômetros por hora. Nos anos 1980, seu apelido era "O Computador". Mas os 173 grandes prêmios que disputou – dos quais ganhou 25 – são parte de um tempo romântico. Sem regras nem dispositivos de segurança tão eficientes quanto os de hoje, aventurar-se no cockpit de um Fórmula 1 era um ato heróico. "Ayrton Senna foi o último piloto dessa linhagem", afirma. Em seu país, a Áustria, é considerado um herói. Para os fãs do automobilismo, é uma lenda. Figura na lista dos melhores pilotos de todos os tempos, assim como o argentino Juan Manuel Fangio, os ingleses Graham Hill e Jackie Stewart e os brasileiros Ayrton Senna e Nelson Piquet. Mas nenhum deles tem uma trajetória tão espetacular de superação. Nas pistas e na vida, ninguém se parece com Lauda.



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