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Edição 2112

13 de maio de 2009
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A metáfora do mal

Angela Merkel visita antiga prisão política e atiça a mais
maldita herança do estado policial: ela foi ou não foi?


Vilma Gryzinski

Fabrizio Bensch/AP

Acertar o passo com a história não é fácil para uma alemã que viveu e prosperou sob o extinto regime comunista e se transformou numa líder política de direita, exposta aos ataques de praxe que esta posição enseja. Quer dizer, menos para Angela Merkel, a primeira-ministra ou, como dizem os alemães, chanceler. Merkel visitou na semana passada a maior prisão da polícia política comunista, a infame Stasi, hoje transformada em memorial. Na foto, ela entra na cela que os presos chamavam de "submarino", um corredor angustiante e metaforicamente reminiscente dos maus tempos. A visita despertou a dúvida eterna que acompanha dirigentes políticos da antiga esfera soviética: ela foi ou não colaboradora do regime comunista? A suspeita pode ser levantada por motivos sórdidos ou ter embasamento na realidade tortuosa das sociedades da delação criadas pelo estado policial. E nenhum estado foi mais policial do que o erigido pela Stasi, com sua germânica eficiência para intimidar e chantagear informantes. Nascida Angela Kasner, filha de um pastor luterano, ela seguiu uma carreira só possível com a anuência do regime: foi da juventude socialista, aprendeu russo e estudou física (especializou-se em química quântica; quem não lembra assim, de cabeça, o que é a equação de Schrödinger, melhor nem tentar entender). O fato de que uma mulher assim tenha emergido, na era pós-Muro, como líder do Partido Democrata Cristão (conservador, católico, masculino e, claro, baseado no que era a Alemanha Ocidental) poderia ser considerado um milagre. Mas vangloriar-se de prodígios não faz o gênero da austera Merkel. Melhor deixar o passo final para a história.



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