BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2112

13 de maio de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Claudio de Moura Castro
Millôr
Leitor
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
Datas
SobeDesce
Conversa
Números
Radar
Veja Essa
 


NONSENSE
(NÃO SEM SENTIDO — SEM DIREÇÃO)

LEVANTO-ME às três horas da manhã, arranco, o carro enguiça, tiro o revólver da cintura e, sem comer nem dormir, chego lá onde ninguém jamais poderia pensar que eu chegasse só com duas pernas. Sou uma centopeia, peia, amar rara e se meu nono não deixar de ser sovina também me atiro aí no rio, de Janeiro, aliás, onde morrerei de inanição. Mas venha de lá um abraço e passe-me a carteira. Rara é a honra sem um sanduíche comido e um padre ouvido. Raro é o momento raro. Prefiro sempre ver as coisas com meus próprios olhos!

Não, Pablo, amigo, I don’t drinque. Se atirando do alto da torre Eiffel o pobre coração inglês hecho en pedazos, e, como sempre, a noite dividida em duas metades pra quem parte e reparte e retém a maior parte. Falar em Juscelino, ontem vi um avião caindo do fundo do mar e pensei na mãe do pobre militar que não tinha nem um trem de verdade com que brincar no quarto. O boi, sim, esse não faz boicote. Mate-o e você verá dentro dele a constelação de aquário, o lago das efemérides inconstantes no centro mais impossível de obter licença, numa festa cheia de licenciosidades. Arre! Arree! À meia rota, a meia rota, o pé diminuto e caindo, para sempre, a cotação da balsa. Eu disse balsa, amiga, e você me joga a bolsa, como se eu fosse um outro, dois outros, três outros, manada de outros sem razão nem cheiro. Cáspite, disse o demiurgo perpetrando o décimo milagre. Cuspiu na santa e amanheceu remoto. Tornou a cuspir e anoiteceu mais perto. Que faço então? Ali, ali, um choro ensandecido diante da primeira luz que o acendedor de lampiões acende antigamente. Olha a laranja- seleta, ooolha a boa tangerina! Oh, pardo de Deus, céu sem nuvens, fumaça de navio sem navio, com trem-bala. Pois, estando sobre o monte das oliveiras, quem me surge senão o Aloísio de Oliveira? Rastro, a faca de gume santo, o tipo à toa descarado sem-vergonha e, no mesmo instante, o relógio de cuco que cuca. Imito a minha avó que é uma perfeição mas ninguém reconhece pela idade. Tiro o quê, do maço de cigarros? Apenas um charuto, morou? Não?, então me dá um beijo aqui no alto de minha prima-irmã. Diante do Juiz, ele pediu marmelada com queijo? Beijo! Então manteiga pra você cotidianamente. A dona chegou pé ante pé, mão ante mão, e revelou-se a macaca de outrora. O pai, morto, levantou pela última vez e pediu um copo d’água. Trouxeram o guaraná mas mesmo assim ele tornou a morrer – em paz. Paz, que paismaceira! O que eu digo não se escreve. Se se escrevesse eu mesmo escrevia e não ia doer mais do que em mim. Meu filho, corre senão você vira galinha-d’angola. O pior de tudo são as manchas na consciência de todos. Dá-me a faca e toma o lenço. Dá-me o lenço e toma o berimbau. Dá-me o berimbau e toma o Cadilaque. Truco! O resto é silêncio, é barulho, bebop e é cemitério sepulcral. Disse ele que um dia desses larga tudo e cai na farra, no que eu não acreditei – devia ser uma alucinação precoce como a calvície dos recém-nascidos. Nada quem? Quem nada? Diga à sua mãe que pode vir – a reunião será exatamente à hora em que ela não chegar. Depois será servido um padre-nosso avec pommes de terre. Então, eivados de preconceitos como padres carmelitas, iriam caminhando muitos dias ou quilômetros até esbarrarem nas piores condi-ções de nossa economia. Os pobres não entendem nada da riqueza.

Não quero choro nem vê-la.

 



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |