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Trânsito Para reduzirem
engarrafamentos e a poluição, cidades
Estratégias para aliviar o congestionamento de trânsito nas cidades esbarram no mesmo problema: por mais eficiente que seja o transporte público, muita gente simplesmente não está disposta a abandonar o conforto de seu carro. Por essa razão, mesmo cidades com vasta malha de metrô, como Nova York, convivem com engarrafamentos eternos. Uma solução contra o excesso de veículos e a poluição baseia-se no conceito, nem sempre bem recebido, de que é preciso cobrar pelo uso do espaço público no caso, as ruas e avenidas. Por essa lógica, em vez de incentivar o cidadão a ir de ônibus ou de metrô para o trabalho, deve-se agarrar tão fundo em seu bolso que ele se sentirá desestimulado de usar o carro. Essa estratégia, obviamente, só funciona se houver um transporte público de qualidade ao qual seja possível recorrer. "O espaço nas vias públicas é um bem valioso, e as pessoas que querem usá-lo têm de pagar por isso", disse a VEJA Brian Taylor, professor de planejamento urbano da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Para Taylor, esse é o preço que se paga para ter as vantagens de morar nas cidades, onde há maior concentração de opções de lazer, serviços e empregos. Londres está entre as metrópoles mais dispostas a radicalizar com o princípio de que é preciso pagar caro para usar um automóvel. Isso foi reafirmado na semana passada, quando entrou em vigor uma lei cujo objetivo é diminuir em 16% a poluição na cidade. Pela nova regra, veículos poluidores acima de 12 toneladas terão de pagar 200 libras diárias o equivalente a 690 reais pelo direito de circular na região metropolitana de Londres. A lei da zona de baixa emissão, como a nova medida é chamada, é um filhote da política de restrição à circulação de automóveis adotada pelo prefeito Ken Li-ving-stone. Desde 2003, a capital inglesa cobra pedágio dos carros que circulam na região central. Antes da cobrança, a situação era desesperadora. Motoristas que se aventuravam no centro da cidade perdiam metade do seu tempo nos engarrafamentos. O pedágio o equivalente a 28 reais por dia reduziu em 21% o fluxo de automóveis e aumentou em 43% o número de bicicletas. Os ônibus passaram a andar mais rápido. Livingstone foi reeleito no ano seguinte e, em fevereiro de 2007, praticamente dobrou o tamanho da área pedagiada. Estocolmo, a capital da Suécia, adotou o pedágio urbano em caráter de teste em 2006 e, em agosto do ano passado, os moradores aprovaram a solução em um referendo. "A população não se importa de pagar uma contribuição extra se os benefícios forem reais. Mas medidas como essas ainda têm um alto custo político para ser implementadas onde as vantagens são pouco conhecidas", disse a VEJA o urbanista brasileiro Jonas Rabinovitch, conselheiro de governança do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, em Nova York. A previsão de pedágio urbano consta do Plano Diretor de São Paulo, mas a prefeitura acha difícil colocá-lo em prática devido às deficiências do transporte público. Nem todo mundo se beneficia com as restrições radicais ao fluxo de automóveis. Em Londres, o pedágio afugentou os clientes das lojas do centro. Um em cada três comerciantes cogita mudar de endereço, segundo uma pesquisa. As cidades de Pasadena e Red-wood, na Califórnia, Estados Unidos, eliminaram esse tipo de problema com um sistema integrado de parquímetros que estabelece um preço flutuante pelo uso da via pública. O custo para estacionar é proporcional à demanda por vagas. Funciona assim: quando o número de parquímetros em uso aumenta, o preço cobrado para estacionar também sobe. A meta do sistema é manter sempre 15% das vagas livres. Os comerciantes de Pasadena e Redwood não têm do que reclamar. Mais desafiadora é a pressão da prefeitura da Cidade do México para que os taxistas troquem de carro. Metade da frota de táxis da capital mexicana é composta de Fuscas. Para convencer os taxistas a aderir, o governo paga, desde o início do ano, pouco mais de 1 300 dólares para que cubram parte do custo para trocar seus carros com mais de dez anos de uso. A medida pode pesar no orçamento dos taxistas mexicanos, mas as vantagens da renovação são indiscutíveis. Veículos velhos atrapalham o trânsito, causam mais acidentes e sujam o ar. Um carro de 1990 emite quarenta vezes mais poluentes que um similar de 2005.
Fotos Daniel Berehulak/Getty
Images, Luck Mac Gregor/Reuters, Scott Babour/Getty Images,
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