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12 de dezembro de 2007
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Cinema falado

Em Conduta de Risco, um diretor recupera uma arte
quase esquecida e faz do diálogo uma forma de ação


Isabela Boscov

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Trailer do filme

Antes que a ação se tornasse a grande mina de ouro de Hollywood, o mecanismo que fazia um filme envolver a platéia ficava não na placa gráfica de um computador, mas no teclado de uma máquina de escrever. Sem diálogos cronometrados para seus fins específicos, com algum brilho e capazes de prender também os atores em sua rede, não havia filme que pudesse funcionar – norma seguida inclusive por diretores eminentemente visuais, como Alfred Hitchcock. É essa arte quase esquecida, e por isso mesmo ainda mais fascinante hoje, que o diretor estreante Tony Gilroy recupera no excelente Conduta de Risco (Michael Clayton, Estados Unidos, 2007), desde sexta-feira em cartaz. Roteirista da série Bourne (em que, até pela escassez de falas, cada uma delas conta), Gilroy dá a George Clooney, Tom Wil-kinson, Tilda Swinton e alguns outros ótimos atores muito que falar – e falar na hora certa, com as palavras mais incisivas e no ritmo mais apurado.

Clooney, que desde Syriana descobriu a vocação para encarnar homens vitimados pelo cansaço moral, é Michael Clayton – pai divorciado, que deve dinheiro a sujeitos de paciência curta e trabalha como "faxineiro" de uma firma de advocacia: paga e cobra quantias tecnicamente inexistentes, faz sumir escândalos, aciona contatos. No primeiro dos quatro dias em que transcorre o enredo, Michael é incumbido de trazer à razão o mais brilhante advogado de litígio da companhia (Wilkinson), que parou de tomar sua medicação, surtou e passou a trabalhar em favor dos reclamantes em uma causa de 3 bilhões de dólares – uma ação coletiva contra um fabricante de pesticidas e fertilizantes cujos produtos envenenaram centenas de fazendeiros. A loucura do advogado, claro, advém de um acesso de lucidez. E o brilho do roteiro de Gilroy vem do fato de que o próprio Michael Clayton já ponderou sobre a imoralidade do que faz muito antes de receber essa missão; ele apenas não se pode dar ao luxo de agir em resposta a ela. Durante os três dias seguintes, entretanto, ele vai reconsiderar suas alternativas. Pela sua própria natureza, as conversas em que Michael vai mapeando o território não podem ser claras. É preciso, porém, que elas esclareçam. Gilroy domina também o vocabulário visual, mas essa é a linguagem em que ele se excede – a das pessoas tateando em busca de alguma visão, indício de perigo ou meio-termo. Esses diálogos estalam de tão tensos, e também de tão novos que parecem, sem aqueles vincos das coisas já muito usadas em outros filmes. Juntos, ator e diretor conseguem aqui algo que não se vê há tempos: fazer do funcionamento da engrenagem psicológica dos personagens uma forma de ação, tão cheia de impulso quanto a outra.




 

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