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12 de dezembro de 2007
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Cinema
Uma herdeira para a dinastia

Com Encantada, a Disney encontra a chave para
que seu império de fantasia continue a prosperar:
uma princesa moderna, capaz de seduzir as meninas
de hoje com algumas idéias novas – e outras nem tanto


Isabela Boscov

Fotos divulgação
A doce Giselle no seu mundo de fantasia (no detalhe) e como Amy Adams, fazendo a corte com Dempsey: para toda menina, um príncipe

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Trailer do filme

Em que pese o sucesso das inúmeras criações que lançou no decorrer de seus mais de oitenta anos, a Disney sabe que todo o seu imenso império está assentado sobre os ombros de um punhado de princesas – Branca de Neve, Cinderela, a Ariel de A Pequena Sereia, a Bela de A Bela e a Fera, a Aurora de A Bela Adormecida. Os bonecos do astronauta Buzz Lightyear ou as versões de pelúcia de Simba, de O Rei Leão, eventualmente perdem o posto de carros-chefes de vendas; já as princesas mantêm quase intacto seu apelo junto às meninas, geração após geração, em filmes, desenhos para a TV e o DVD, atrações de parques temáticos e nas centenas de produtos com sua imagem. Desde a Jasmine de Aladdin, porém, o estúdio não produzia uma nova herdeira para essa linhagem – um problema capaz de afetar vários anos fiscais em seqüência. Eis então por que a excelente bilheteria de Encantada (Enchanted, Estados Unidos, 2007), que estréia nesta sexta-feira no país, vem sendo comemorada com foguetório no estúdio: ela indica que sua protagonista, Giselle, foi aceita pelo público como mais uma das cabeças coroadas da Disney.

Da mesma maneira que as novas princesas européias, contudo, as princesas de ficção também já não são as mesmas. Ou não deveriam ser. Nos primeiros onze minutos de Encantada, enquanto Giselle ainda é um desenho animado, ela canta canções melosas, chama os animais da floresta com trinados, sonha com um príncipe encantado e, sem saber, caminha sob o olhar maligno da Rainha Narissa, que não quer perder o trono para uma qualquer. Narissa (Susan Sarandon) é quem precipita Giselle no mundo real – o qual ela adentra por meio de um bueiro de Times Square, e no qual vai viver experiências não muito dissimilares daquelas do repórter cazaque Borat. Paramentada com seu vestido de noiva, rodopiando em vez de andar e com seu linguajar antiquado, Giselle (Amy Adams, cuja meiguice espontânea ancora o filme) é naturalmente tida como louca. Resgatada do alto de um luminoso (ela acha que é a porta de seu castelo) por um advogado e sua filha pequena, ela vira a vida dos dois de ponta-cabeça: corta as cortinas para fazer vestidos, cria apertos com a noiva de seu salvador, irrita todo mundo com a insistência em que seu príncipe (James Marsden) virá salvá-la e, numa seqüência feita para ser antológica, arruma o apartamento com a ajuda dos pequenos animais da selva nova-iorquina – ratos, pombos e baratas, os únicos que respondem aos seus gorjeios em Manhattan.

Encantada é um filme integralmente calculado (mas poucas coisas não o são, nesse universo). Oferece figurinos que agradam desde as sonhadoras até as pequenas fashionistas (Giselle, é claro, vai descobrir que melhor que ter uma varinha de condão é sair por aí com um cartão de crédito). Contempla as mães que acompanham as filhas ao cinema com a presença de Patrick Dempsey, o doutor "McDreamy" de Grey’s Anatomy, no papel do protetor de Giselle. Acima de tudo, parodia os desenhos clássicos da própria Disney para assegurar às garotas céticas de hoje que não irá desrespeitar sua inteligência com idéias ultrapassadas. E, no momento em que elas estão com a guarda baixa, trata de seduzi-las justamente com o mais duradouro dos romantismos: a idéia de que para toda menina existe um príncipe encantado. Nem que ele seja um pai solteiro desiludido, que vive de arranjar divórcios para casais que descobriram que não existe um felizes-para-sempre.




 

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