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12 de dezembro de 2007
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Aviação
Mais barato que carro

Antes artesanais, aviões de dois lugares começam
a ser vendidos pelos grandes fabricantes


Cíntia Borsato

 

Fotos Divulgação


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Nesta reportagem
Quadro: Modelos de fabricantes brasileiras

Nunca tantos aviões particulares foram vendidos no planeta, um resultado da multiplicação do número de bilionários e milionários. Isso vale para jatos executivos e para aviões de pequeno porte. Mas o mercado de aeronaves pequeninas, classificadas como Light Sport Aircrafts (ou ultraleves, no Brasil), seguia ignorado. Só agora as fabricantes decidiram atendê-lo em larga escala. As americanas Cessna e Cirrus, cujos menores modelos eram para quatro ocupantes, vão fabricar aviões de dois lugares a preços inferiores aos de carros de luxo. Até 2010, a Cessna colocará nos ares o SkyCatcher. Será a menor aeronave da tradicional fabricante americana – e também a mais barata. O SkyCatcher será produzido na China e chegará ao mercado americano por 110 000 dólares, 70 000 dólares a menos do que custaria se fosse feito nos Estados Unidos. Já há 900 encomendas, trinta delas feitas por brasileiros. Incluindo impostos, ele deverá custar 250 000 reais aqui. A Cirrus lançará em 2008 o seu modelo SRS. O preço estimado é de 100 000 dólares, devendo chegar ao Brasil por 225 000 reais. Os modelos da Cirrus têm como diferencial um pára-quedas de segurança. Quando o motor falha, o dispositivo é acionado e amortece a queda do avião. Até hoje, das 3.500 aeronaves já vendidas com esse dispositivo no mundo, ele só foi usado em uma dúzia de situações. Em todos esses casos, os ocupantes sobreviveram – houve apenas uma morte, por infarto.

 

No Brasil, são exigidas, em média, quarenta horas de prática para pilotar esses aviões (contra 150 horas de um avião comercial). Diante dessa facilidade, do caos na aviação de carreira e da precariedade das estradas brasileiras, eles tornaram-se uma opção cara, mas funcional. Tudo isso impulsionou as vendas das três principais fabricantes brasileiras (veja quadro). A Paradise, cuja fábrica fica na Bahia, esgotou toda a sua produção deste ano em menos de seis meses. "Temos uma fila de espera que passa de um ano", afirma Bruno de Oliveira, sócio-diretor. A empresa vai ampliar sua capacidade de produção, que irá de 25 para sessenta aeronaves por ano. Além disso, vai abrir uma filial na Flórida para atender ao mercado americano. Enquanto houver céu de brigadeiro na economia mundial, não há motivo para turbulência nesse mercado.


 

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