As garotas
de Harajuku É o verdadeiro paradoxo
japonês: da ultranormativa e homogênea sociedade japonesa surgiu Harajuku,
um bairro de Tóquio como nenhum outro no planeta. Por lá circulam
lolitas modernas, replicantes perversas, adolescentes de pelúcia e outros
seres que orbitam entre o mundo dos homens e o dos cartuns. As garotas de Harajuku
só existem nos fins de semana. Nos outros dias, elas são cabeleireiras,
vendedoras, estudantes e secretárias. Transformam-se aos domingos apenas
para desfilar pelas calçadas (flashes são bem-vindos) e reafirmar
sua unicidade no mundo. No universo de Harajuku, a moda é mais do que a
expressão da individualidade é sua exacerbação,
e fantasia.
Floresta de neons Luzes, telões, letreiros e gente,
gente, gente por todos os lados: na capital japonesa, a cidade mais populosa do
mundo, é impossível parar para amarrar os sapatos na rua sem ser
soterrado pela multidão. A Grande Tóquio abriga 33 milhões
de habitantes e sua população, ao contrário do que ocorre
no Japão como um todo, não pára de crescer.
Diversões eletrônicas Junte dois quarteirões em Tóquio e
será impossível não encontrar, no meio deles, ao menos uma
casa de pachinko, espécie de caça-níqueis eletrônico
que os japoneses adoram. Barulhentas e enfumaçadas por dentro, têm
fachada prateada e neons faiscantes por fora e estão sempre, sempre
lotadas. Ah, sim: o beisebol continua sendo oficialmente o esporte mais popular
do Japão.
O passado é aqui O templo Sensoji, o mais antigo de Tóquio,
fica no bairro mais tradicional da cidade, Asakusa. Seu interior abriga
uma minúscula estátua dourada de Kannon, a deusa budista da misericórdia.
A ela, os jovens pedem proteção e os velhos, uma boa morte.
Vida apertada O
Japão é um país de espaços mínimos e lotação
máxima. Mas escapar dos trens e ônibus sempre cheios (o metrô
da capital é recordista em número de passageiros, com 2,8 bilhões
de viagens por ano) não é simples. Quem quiser ter carro, ou moto
grande, precisa provar na prefeitura que possui garagem para guardá-lo.
De tão pequenos, alguns veículos parecem de brinquedo, como o modelo
experimental da Nissan, na foto. Por causa da capacidade de girar as quatro rodas
de uma vez, ele pode estacionar de lado.