
estaçãoveja
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
CINEMA
Universal Studios

Renée:
garçonete maluquinha |
A Enfermeira Betty (Nurse Betty, Estados Unidos, 2000.
A partir de sexta-feira no Rio) O diretor americano Neil LaBute
ficou célebre pela perversidade de seu filme de estréia,
Na Companhia de Homens. Aqui, ele muda radicalmente de tom. Renée
Zellweger é Betty, uma garçonete viciada numa telenovela
estrelada por um ator canastrão (Greg Kinnear). Ao presenciar o
assassinato de seu marido, Betty sofre um trauma. Passa a achar que a
novela é real e que ela própria faz parte da trama
como a enfermeira noiva do doutor charmoso que seu ídolo interpreta.
Enquanto cruza o país para encontrá-lo, é perseguida
pela dupla que matou seu marido. Mas, de tanto observar Betty, o mais
velho dos dois assassinos (numa atuação memorável
de Morgan Freeman), acaba se enamorando dela. Com um humor bem mais delicado
do que o seu habitual, LaBute mostra como, às vezes, uma distância
muito pequena separa o "acreditar" do "ser".
LIVROS
LIVROS
Ambrose
Bierce e a Dama de Espadas, de Oakley Hall (tradução
de Roberto Muggiati; Record; 318 páginas; 30 reais) O escritor
e jornalista americano Ambrose Bierce celebrizou-se por sua misantropia
expressa em aforismos cáusticos e hilariantes. Nesse romance
ele aparece no auge de seu brilho, investigando uma série de assassinatos
brutais com a ajuda de um jovem repórter, Tom Redmond. Tecido com
muita habilidade, esse misto de thriller e romance histórico ainda
apresenta um retrato da cidade de San Francisco no século XIX,
com seus donos de ferrovia, seus milionários da corrida do ouro,
suas prostitutas e imigrantes chineses. Diversão das boas
e inteligente.
Uma
Morte em Vermelho, de Walter Mosley (tradução de
Luiz Antonio Aguiar; Record; 287 páginas; 25 reais) Como
tantos detetives de ficção, Easy Rawlins é um sujeito
durão e sem ilusões. Além disso, ele é negro
o que lança um sal a mais em sua maneira de encarar o "sonho
americano". Nessa aventura, Rawlins se vê prensado entre dois agentes
federais: um oficial da Receita, que ameaça encarcerá-lo
por dever impostos, e um investigador do FBI, que promete mantê-lo
livre se ele colaborar numa ação de espionagem. Rawlins
topa a contragosto e se vê envolvido num banho de sangue.
Esse é o segundo romance protagonizado pelo personagem, que estreou
em O Diabo Vestia Azul e já foi vivido pelo ator Denzel
Washington no cinema.
DISCOS
Now,
Maxwell (Sony Music) O americano Maxwell, de 28 anos, debutou em
1996 com Maxwell's Urban Hang Suite, um trabalho classudo que lhe
rendeu comparações com Marvin Gaye, o rei do soul. Se eram
exagerados para um estreante, os elogios começam agora a se tornar
merecidos. Esse seu terceiro disco emplacou logo de cara no topo da parada
americana. Maxwell prova que é mesmo um intérprete elegante.
A nata da música negra marca presença no álbum
gente como o saxofonista Stuart Matthewman e o guitarrista Wah Wah Watson,
ex-Motown. Now tem faixas dançantes, como Get to Know
Ya e NoOne. Mas o supra-sumo são mesmo as baladas, perfeitas
para embalar namoros.
The
Look of Love, Diana Krall (Universal) A cantora e pianista
Diana Krall é uma espécie de João Gilberto de saias:
é tímida até a medula, avessa a entrevistas e costuma
"desconstruir" e remontar ao seu jeito tudo o que canta. The Look
of Love é a mais recente amostra do talento e da
voz deliciosa da canadense. Seja ao lado do seu trio ou rodeada
por convidados (como o violonista Dori Caymmi e a Orquestra Sinfônica
de Londres), Diana exibe um repertório eclético. Destacam-se
S'Wonderful, dos irmãos George & Ira Gershwin
que João Gilberto já gravou , e Cry Me a River,
eternizada por Julie London, outra musa da bossa nova. Atenção
ainda para a releitura jazzística da faixa-título, uma das
composições mais populares de Burt Bacharach.
TELEVISÃO
Discovery Channel

Dinossauros:
mais novidades |
No
Tempo dos Dinossauros (dia 16 de setembro, às 21h, no Discovery
Channel) O programa é uma continuação do especial
Caminhando com Dinossauros, exibido no ano passado pelo Discovery,
na TV paga, e pela Globo. Com os mesmos recursos de ponta da computação
gráfica, ele mostra novas descobertas dos paleontólogos.
As principais são o Nothronychus, um dinossauro herbívoro
e de pescoço longo, parente do Tiranossauro rex, e um réptil
carnívoro, de apenas 1 metro de altura e extremamente voraz, que
ainda não foi batizado. Ambos vagaram pela Terra 93 milhões
de anos atrás e o programa também procura mostrar
as características dos seus habitats.
|
LITERATURA
BRASILEIRA
 |
|
A
Múmia do Rosto Dourado do Rio de Janeiro
Fernando Monteiro;
Editora Globo;
248 páginas;
21 reais
|
O
russo Dmitri Vonizin ocupa uma nota de rodapé na história
da egiptologia. Sob o nome de Alberto Childe, ele foi, na primeira
metade do século XX, conservador-chefe do Museu Nacional
do Rio de Janeiro e realizou vários estudos sobre a interessante
coleção egípcia da instituição.
Em torno dele revolve o terceiro romance do escritor pernambucano
Fernando Monteiro. Seria errado dizer, no entanto, que se trata
de uma biografia romanceada de Childe personagem sobre o
qual pouco se sabe. O verdadeiro assunto do autor é a literatura.
Ou, para usar suas próprias palavras, "a artificialidade
da literatura".
Monteiro
é daqueles autores para quem o simples ato de narrar tornou-se
uma impossibilidade. Problemas teóricos ou filosóficos
em torno da "natureza da ficção" parecem atormentá-lo,
e ele se esforça ao máximo para pôr em evidência
os andaimes de sua obra. Faz isso saltando incessantemente de uma
técnica narrativa para outra e, no que diz respeito à
história, fugindo como o diabo de qualquer coisa que cheire
a completude e coerência. Ele constrói sua narrativa
como um mosaico em que faltam partes. Para usar uma metáfora
sugerida pelo próprio livro, age como um falsificador de
antiguidades: cria suas peças já com fissuras e desgastes.
Não
falta inteligência a Monteiro. Seu problema é dar preferência
à reflexão teórica sobre a ficção,
deixando a própria ficção em segundo plano.
Seu livro sonega ao leitor um prazer primordial: o de imergir numa
boa história. Todos os prazeres mais difíceis, por
assim dizer, decorrentes da interpretação, deveriam
vir depois desse. A Múmia do Rosto Dourado do Rio de
Janeiro só dá ao leitor a sensação
de ter perdido algo no meio do caminho. Perseverando, ele se dará
conta das intenções "metalingüísticas"
de Monteiro. Mas então estará aborrecido e já
será tarde demais.
Carlos
Graieb
|
|
|
 |
|
 |

|
 |