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Carta
ao leitor
Herança
bendita
Joedson Alves/AE
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| Lula:
é cedo para falar em legado, mas ele pode ser muito positivo
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Com
mais da metade do mandato presidencial a ser cumprido, é
um exercício à primeira vista muito pouco objetivo
especular sobre o legado do governo de Luiz Inácio Lula da
Silva. Mas ele pode vir a ser um marco na história brasileira.
A maneira inequívoca como o presidente se apresenta à
nação como o fiador da política econômica
de austeridade fiscal não pode de modo algum ser menosprezada
nem colocada no mesmo prato da balança onde pesam os óbvios
malogros administrativos do governo. Lula definiu com clareza seus
objetivos como presidente e, com igual precisão, os caminhos
para chegar até eles. Os objetivos são os da prosperidade
e da paz social. O caminho, vem insistindo Lula, é o único
capaz de levar até os alvos desejados sem que se deixe para
as gerações futuras uma conta amarga na forma de inflação
e dívidas impagáveis. O populista que, com razão,
tantos temeram durante a campanha tornou-se, no que respeita às
finanças públicas, um presidente responsável
e maduro, certo de que não existem mágicas capazes
de fazer a economia crescer.
A
obstinação de Lula em seguir pelo caminho mais difícil
e angustiante, mas o único seguro, pode resultar em taxas
de crescimento abaixo das esperadas por todos e muito aquém
das prometidas por ele. Mas certamente evitará crises desastrosas
e a regressão ao estágio de insanidade das moratórias,
dos planos mirabolantes e dos confiscos do passado recente. Em um
momento em que só se enxergam os defeitos de Lula, é
bom ter em mente esse repto pessoal do presidente. Revendo convicções
introjetadas no decorrer de sua carreira política, Lula tornou-se
um opositor do aventureirismo econômico. Na campanha de 2002,
quando a eleição de Lula começou a ser uma
certeza, a cúpula petista incluiu em suas análises
a questão de como o PT sobreviveria à experiência
de ser governo em nível federal. Agora, os luminares do partido
teorizam sobre como o PT se sairá quando voltar a ser oposição.
A conclusão deles é a de que o PT incendiário
e, acrescente-se, irresponsável do "Fora FHC"
e "Fora FMI" é coisa do passado. Esse é um fator de
estabilidade institucional com o qual os brasileiros não
puderam contar nas últimas duas décadas e uma
herança bendita que Lula terá deixado ao país.
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