A descoberta do
planeta Terra
National Geographic
exibe as imagens
mais impressionantes de seus 112 anos
de expedições e pesquisas
científicas
Bia Barbosa
Clique nas imagens para
ampliá-las
Chris Johns
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Gil M. Grosvenor
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| NATUREZA
E FÉ: na Flórida, jacarés
recém-nascidos
encontram abrigo junto
a sua mãe. Na foto à
direita, habitantes de Bali envolvidos
em um ritual religioso |
Lugares inacessíveis à
maioria das pessoas, histórias bem contadas e fotografias
de tirar o fôlego. Essa é a fórmula
que garante, há mais de um século, o sucesso
de uma das publicações mais famosas do mundo:
a National Geographic. É a revista mais respeitada
por sua qualidade nos Estados Unidos, segundo a Total Research,
conceituada empresa de análise de mercado. Os números
comprovam: a cada mês, são 10 milhões
de exemplares com impressão primorosa, em onze idiomas
e distribuídos em noventa países. Para manter
um público tão fiel, a National Geographic,
com sede em Washington, investe pesado na produção
de suas reportagens. Dependendo do assunto, repórter
e fotógrafo podem passar mais de um ano em campo.
A fotografia é o carro-chefe da revista. "Fazemos
de tudo para que nossos profissionais consigam a melhor
foto", diz o diretor de fotografia Kent Kobersteen. "Eles
são jornalistas que usam câmaras em vez de
papel e caneta." A quantidade de fotos feitas para concluir
cada edição impressiona. No ano passado, o
laboratório fotográfico da revista revelou
25.000 rolos de filmes. Em média são gastos
400 rolos por reportagem, ou 14.000 fotos. Em geral, na
primeira avaliação, são selecionadas
as oitenta melhores. E, no final, não serão
publicadas mais do que vinte.
W. E. Garrett
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| MISTÉRIOS
DO CAMBOJA: em 1968, W.E. Garrett registrou com precisão
o momento em que dois
monges budistas aparecem em uma janela do templo Angkor
Thom |
Uma seleção de imagens
célebres produzidas pela National Geographic
pode ser vista de perto na exposição Um
Olhar Sobre o Mundo, que abre nesta terça-feira,
11, no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. A
mostra reúne oitenta fotos –
das quais selecionamos e publicamos oito –
e marca o lançamento da versão em português
da revista. Produzida pela Editora Abril, que também
publica VEJA, ela chega às bancas em maio. "O descobrimento
do mundo encanta tanto os leitores quanto os próprios
fotógrafos da revista", diz Matthew Shirts, redator-chefe
da edição brasileira. "Alguns são verdadeiros
Indiana Jones." Diversas vezes, o departamento de Engenharia
Fotográfica da revista projetou e construiu câmaras
especiais, para atender às necessidades de uma reportagem.
Em 1913, os técnicos da National Geographic
equiparam uma câmara com tripé de 4 metros
para produzir uma fotografia em close de um inseto no alto
de uma árvore, sem assustá-lo.
Chris Johns
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| PICADA
DO MAL: o instante exato
em que o mosquito transmissor da malária ataca
um pássaro no Havaí foi captado pelas
lentes de Chris Johns, em 1995 |
Muitas fotos publicadas pela National Geographic
entraram para a história pelo pioneirismo. Em 1926,
o fotógrafo Charles Martin fez as primeiras imagens
subaquáticas coloridas, no litoral da Flórida.
Em 1979, o fotógrafo Bruce Dale e o redator Rick
Gore foram os primeiros jornalistas americanos a percorrer
o interior da China depois da tomada do poder pelos comunistas,
trinta anos antes. Há quinze anos, uma equipe integrou
a expedição que descobriu os restos do Titanic
no leito do Atlântico Norte, e fotografou sua proa
a 4.000 metros de profundidade. O fotógrafo Thomas
J. Abercrombie, que entrou na revista em 1956, tanto cobriu
o Oriente Médio que acabou se convertendo ao islamismo.
Só assim conseguiu tirar as primeiras fotos das peregrinações
a Meca, local proibido aos não-islâmicos, em
1965. Algumas fotos têm repercussão inesperada.
Em 1981, William Albert Allard registrou o choro de uma
criança peruana ao perder as seis ovelhas atropeladas
por um táxi, o que representou um golpe devastador
na economia de subsistência de sua família.
Comovidos com a matéria publicada na revista, os
leitores doaram 7.000 dólares ao menino.
W. E. Garrett
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| À
ESPERA DA BATALHA: W.E. Garrett flagrou duas irmãs
se abraçando no
Laos, momentos antes de sua
aldeia ser atacada durante a
guerra civil, em 1973 |
A revista sempre esteve intimamente
ligada ao avanço científico. Ela foi criada
em 1888 pela National Geographic Society, fundação
cujo objetivo era financiar e divulgar as pesquisas geográficas.
As primeiras edições, coordenadas pelo rico
advogado americano Gardiner Greene Hubbard, eram indigestas,
com uma capa sisuda e pesada linguagem científica.
Tinha poucos leitores e quase levou a sociedade à
falência. A maré virou em 1898, quando a direção
da revista passou às mãos do genro de Hubbard,
o pesquisador Alexander Graham Bell, aquele mesmo que inventou
o telefone. Hoje, a publicação gera uma receita
de 350 milhões de dólares por ano. O dinheiro,
junto com polpudas doações, ajuda a sustentar
a fundação, a maior instituição
científica e educacional sem fins lucrativos do mundo.
Recursos como esses já financiaram mais de 6.500
bolsas de estudo, projetos que vão de pesquisas submarinas
a escaladas inéditas e exploração de
cavernas subterrâneas. Graças ao patrocínio
da National Geographic, Robert E. Peary foi um dos
primeiros exploradores do Pólo Norte, em 1909, depois
de perder oito dedos dos pés congelados. De 1912
a 1915, a sociedade financiou as expedições
do historiador Hiram Bingham que revelaram Machu Picchu,
a fabulosa cidade do império inca que escapou incólume
à conquista espanhola do Peru. Com o apoio da fundação,
o oceanógrafo Jacques Cousteau foi pioneiro na exploração
dos oceanos. Em 1963, a sociedade bancou a primeira equipe
de americanos a alcançar o cume da montanha mais
alta do mundo.
O. Louis Mazzatenta
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| RETRATO
DA TRAGÉDIA: essa mulher foi fotografada em 1983
na mesma posição em que morreu quando,
no ano de 79, o vulcão Vesúvio soterrou
a cidade de Herculano, na Itália |
Quando a National Geographic Society
foi fundada, há mais de um século, boa parte
do planeta nunca havia sido pisada pelo homem ou simplesmente
estava fora dos mapas. Hoje, há poucos lugares intocados
e, a rigor, nada resta para ser mapeado. "Mas existem novas
fronteiras para explorar", diz o americano Bernard Ohanian,
diretor da entidade. "Não conhecemos nada do nosso
sistema solar e dos vastos oceanos que cobrem o planeta."
Há também pesquisas científicas que
precisam de financiamento para que possam revelar novos
aspectos do mundo que já conhecemos. O trabalho de
Dian Fossey, que conduziu pesquisas com gorilas em Ruanda,
na África, foi essencial para ajudar a preservar
a espécie, ameaçada de extinção.
O filme Na Montanha dos Gorilas, estrelado por Sigourney
Weaver, conta essa história. Na semana passada, arqueólogos
financiados pela National Geographic descobriram
nos Estados Unidos indícios de que seres humanos
já habitavam a região 17.000 anos atrás.
É uma descoberta importante, pois indica que os primeiros
humanos atravessaram o Estreito de Bering pelo menos 2.000
anos antes do que se pensava. A National Geographic
está financiando atualmente sete projetos brasileiros.
A equipe do Instituto de Pesquisas Ecológicas que
está salvando da extinção os micos-leões-pretos,
no Pontal do Paranapanema, em São Paulo, recebe 15.000
dólares por ano. Os micos-leões-pretos brasileiros
já apareceram em um documentário da National
Geographic, o que ajudou a atrair mais doações
internacionais. "Ter o nome ligado à National
Geographic abre portas em todo o mundo", afirma o biólogo
Cláudio Valladares Pádua, coordenador do projeto.
Robert W. Madden
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| NA HORA E
NO LUGAR CERTO: Robert W. Madden registrou o inusitado
choque de um avião, desviado
da rota por uma corrente de ar, com um caminhão
no solo. O fotógrafo cobria a
devastação causada por um terremoto na
Guatemala em 1976 |
A participação da National
Geographic Society não se restringe à pesquisa.
A constatação do baixo grau de conhecimento
em geografia por parte dos alunos nos Estados Unidos levou
a fundação a investir 110 milhões de
dólares nos últimos onze anos em um programa
nacional de educação. Grupos de professores
e geógrafos reúnem-se em várias partes
do país para desenvolver e trocar métodos
educacionais. A fundação promove até
concursos entre estudantes, com 50.000 dólares em
prêmios. "Estamos investindo no futuro", diz Dale
Petroskey, vice-presidente sênior para programas de
missões na National Geographic Society. À
disposição desses professores, estão
os mapas da sociedade, quase tão conhecidos quanto
a revista. O setor de cartografia da publicação
nasceu na I Guerra, quando o editor da revista constatou
que não havia mapas confiáveis da Europa e
contratou cartógrafos para a tarefa.
Joseph F. Rock
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| Numa
terra distante: os três presos, acusados de assassinato,
foram retirados do calabouço, onde estavam havia
meses, só para ser
fotografados por Joseph F. Rock na China, em 1928
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Os mapas deram origem a uma série
de produtos, hoje agregados à revista. São
livros, CD-ROM, as revistas Traveler, World
(infantil), Adventure e uma série de documentários
em vídeo. O National Geographic Channel, especializado
em programas educativos, tem 51 milhões de assinantes
em sessenta países, com transmissão em nove
línguas. A última novidade é a aposta
no turismo. Os fãs da National podem visitar
lugares inusitados, ciceroneados por cientistas da sociedade.
Não são passeios convencionais. Um grupo pode
se aventurar numa caminhada pelo Himalaia, no Nepal, ou
descer o Rio Yangtzé, na China. No dia 19 de dezembro,
parte uma expedição rumo à Antártica.
Passar o Natal e a virada do ano ao lado de pingüins
e focas custa 7.000 dólares por pessoa. Um privilégio
só para os poucos que podem dar-se ao luxo de fazer
parte de uma equipe da National Geographic.
Saiba
mais |
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