Um novo vilão
Médicos suspeitam que não
é o colesterol, mas
um aminoácido, o responsável pelo infarto
Cristina Poles
Claudio Rossi
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| Atendimento de emergência:
metade dos infartados tem taxa normal de colesterol
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Quem se preocupa com o colesterol e segue uma dieta à
base de carnes magras, leite desnatado, queijo branco e
baniu manteiga e ovos do dia-a-dia para evitar um infarto
vai surpreender-se com uma teoria que ganha adeptos entre
médicos e pesquisadores. Eles acreditam que mais
importante que restringir a quantidade de comidas gordurosas
é ter uma alimentação rica em vitaminas
B6 e B12 e ácido fólico, encontrado em verduras,
frutas e carnes
(veja quadro abaixo). Isso porque
suspeitam que o colesterol não seja o maior culpado
pela formação das placas de gordura que entopem
as artérias e causam o infarto. O novo vilão
é uma substância chamada homocisteína.
Aminoácido produzido pelo organismo, em altas concentrações
pode causar lesões nas paredes das artérias,
nas quais o colesterol vai depositar-se. "Por várias
décadas se acreditou que o colesterol era o grande
responsável pela formação das placas,
quando, na verdade, seu acúmulo nas artérias
é conseqüência da ação da
homocisteína", disse a VEJA o patologista americano
Kilmer McCully. Ele estuda a substância há
32 anos e acaba de publicar no Brasil um livro sobre o assunto,
O Fator Homocisteína.
McCully garante que de nada adianta ter um nível
normal de colesterol se a homocisteína estiver alta.
"Sua presença faz com que, mesmo quando as partículas
de LDL (o chamado colesterol ruim) circulam em pequena quantidade
no sangue, elas se depositem na parede das artérias",
diz. Só se saberá com certeza se isso é
verdade dentro de dois ou três anos, quando estiverem
concluídos os estudos de grande porte. Até
lá, muitos médicos acham precipitado medir
a taxa da substância no sangue para avaliar o risco
de infarto. "Por enquanto, só se sabe que a homocisteína
é mais um fator de risco, como hipertensão,
tabagismo, sedentarismo e diabetes", afirma o cardiologista
José Antonio Ramires, diretor do Instituto do Coração,
em São Paulo.
Das 400.000 pessoas que sofrem
ataque cardíaco por ano no Brasil, metade delas apresenta
colesterol normal. "Talvez a homocisteína seja a
explicação para esses casos", diz o cardiologista
José Ernesto dos Santos, da Universidade de São
Paulo, em Ribeirão Preto. Em um estudo realizado
nessa universidade comparando indivíduos saudáveis
com pacientes infartados, verificou-se que nesses últimos
a taxa de homocisteína no sangue era de 30% a 40%
mais elevada. É difícil controlar o nível
de colesterol no sangue, pois cerca de 70% dele é
produzido pelo organismo, sem interferência da dieta.
O da homocisteína, ao contrário, é
apenas uma questão de escolher bem os alimentos.
Entre os dois, a homocisteína talvez seja o vilão
mais amigável.
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