Edição 1 644 -12/4/2000

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Pesquisa revela quanto ganham as garotas de programa
Encontrado elo entre peixes e animais terrestres
As botas voltam com força
Aminoácido pode ser o responsável pelo infarto
Tecnologia viaja pelo interior do corpo humano
Criança se alimenta melhor ao lado dos pais
As imagens fantásticas da revista National Geographic
Mulher cria site para falar mal do ex-marido
Legião estrangeira tem alistamento pela rede mundial
Pais tentam em vão controlar os filhos pelo celular
Empresas aéreas registram prejuízo histórico
A cauda gigantesca do cometa
Laboratório decifra código genético humano
A boa imagem dos indígenas brasileiros
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Colunas
Stephen Kanitz
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote 
Veja essa
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Cotações
Para usar
Veja recomenda
Lista de mais vendidos

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


 

Um novo vilão

Médicos suspeitam que não é o colesterol, mas
um aminoácido, o responsável pelo infarto

Cristina Poles

Claudio Rossi
Atendimento de emergência: metade dos infartados tem taxa normal de colesterol

Quem se preocupa com o colesterol e segue uma dieta à base de carnes magras, leite desnatado, queijo branco e baniu manteiga e ovos do dia-a-dia para evitar um infarto vai surpreender-se com uma teoria que ganha adeptos entre médicos e pesquisadores. Eles acreditam que mais importante que restringir a quantidade de comidas gordurosas é ter uma alimentação rica em vitaminas B6 e B12 e ácido fólico, encontrado em verduras, frutas e carnes (veja quadro abaixo). Isso porque suspeitam que o colesterol não seja o maior culpado pela formação das placas de gordura que entopem as artérias e causam o infarto. O novo vilão é uma substância chamada homocisteína. Aminoácido produzido pelo organismo, em altas concentrações pode causar lesões nas paredes das artérias, nas quais o colesterol vai depositar-se. "Por várias décadas se acreditou que o colesterol era o grande responsável pela formação das placas, quando, na verdade, seu acúmulo nas artérias é conseqüência da ação da homocisteína", disse a VEJA o patologista americano Kilmer McCully. Ele estuda a substância há 32 anos e acaba de publicar no Brasil um livro sobre o assunto, O Fator Homocisteína.

McCully garante que de nada adianta ter um nível normal de colesterol se a homocisteína estiver alta. "Sua presença faz com que, mesmo quando as partículas de LDL (o chamado colesterol ruim) circulam em pequena quantidade no sangue, elas se depositem na parede das artérias", diz. Só se saberá com certeza se isso é verdade dentro de dois ou três anos, quando estiverem concluídos os estudos de grande porte. Até lá, muitos médicos acham precipitado medir a taxa da substância no sangue para avaliar o risco de infarto. "Por enquanto, só se sabe que a homocisteína é mais um fator de risco, como hipertensão, tabagismo, sedentarismo e diabetes", afirma o cardiologista José Antonio Ramires, diretor do Instituto do Coração, em São Paulo.



Das 400.000 pessoas que sofrem ataque cardíaco por ano no Brasil, metade delas apresenta colesterol normal. "Talvez a homocisteína seja a explicação para esses casos", diz o cardiologista José Ernesto dos Santos, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Em um estudo realizado nessa universidade comparando indivíduos saudáveis com pacientes infartados, verificou-se que nesses últimos a taxa de homocisteína no sangue era de 30% a 40% mais elevada. É difícil controlar o nível de colesterol no sangue, pois cerca de 70% dele é produzido pelo organismo, sem interferência da dieta. O da homocisteína, ao contrário, é apenas uma questão de escolher bem os alimentos. Entre os dois, a homocisteína talvez seja o vilão mais amigável.

 
Saiba mais
Dos arquivos de VEJA
  O coração bate mais forte