Edição 1 644 -12/4/2000

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AFP
Milene, Ronaldo e Ronald: a cara
da mãe, o nariz do pai

Nasceu: com 52 centímetros e 2,9 quilos, Ronald, filho de Ronaldo e de Milene Domingues. Durante o parto normal, realizado no Hospital La Madonnina, o atacante da Internazionale ficou todo o tempo ao lado da mulher. Depois, ajudou a vestir o bebê. Segundo o jogador, o filho é muito parecido com a mãe, mas tem o nariz igual ao do papai. Dia 6, em Milão, Itália.

Indiciado: o cineasta João Moreira Salles, 37 anos, por favorecimento pessoal ao traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP. Os dois se conheceram em 1997 por ocasião das filmagens do documentário Notícias de uma Guerra Particular. Durante quatro meses, Salles pagou 1 200 reais ao traficante para que ele escrevesse sua biografia e deixasse o crime. Dia 7, no Rio de Janeiro.

Conquistou: o primeiro lugar em um concurso amador de karaokê o príncipe inglês William, 17 anos. Durante uma excursão promovida pela sua escola, o Eton College, os estudantes organizaram uma competição musical no hotel em que estavam hospedados. William foi ovacionado ao interpretar a canção YMCA, hit de 1978 do grupo gay Village People. Dia 1º, em Thornley, Inglaterra.

Internado: o premiê japonês Keizo Obuchi, 62 anos, vítima de derrame cerebral. Constatado que havia entrado em coma e estava em estado grave, foi substituído na chefia do governo.
Dia 2, em Tóquio.

Morreram: o ex-goleiro Moacir Barbosa. Ele havia sido internado no dia 5 na unidade de tratamento intensivo, por causa de um derrame cerebral. Um dia depois, entrou em coma. Barbosa foi o titular da seleção de 50, quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai, no Maracanã. Dia 7, em decorrência de parada cardiorrespiratória e insuficiência hepática, aos 79 anos, em Praia Grande, São Paulo.

o ex-presidente da Tunísia Habib Bourguiba, um dos estadistas mais influentes do norte da África. Ele assumiu o poder em 1957, um ano após a Tunísia se tornar independente da França, e foi deposto por um golpe palaciano em 1987. Bourguiba modernizou seu país, concedeu o direito de voto às mulheres e aboliu a poligamia. Dia 6, de causas não divulgadas, aos 96 anos, em Monastir, Tunísia.

o escultor Domenico Calabrone, precursor no país da arte fractal, movimento que pretendeu retratar o infinito com base em pequenos fragmentos da natureza. Nascido na Itália, Calabrone vivia no Brasil havia 54 anos. Dia 5, aos 72 anos, de infarto, em São Paulo.

Anunciada: a gravidez de Jessica Sklar, 28 anos, mulher do comediante americano Jerry Seinfeld, 45 anos. Eles estão casados desde dezembro do ano passado, e o bebê é esperado para outubro. O comediante foi autor, produtor e ator de um dos seriados mais populares da TV americana, o Seinfeld, exibido no Brasil pelo canal a cabo Sony. Dia 6, em Nova York.

Ana Carolina/Folha Imagem
José Rainha, do MST: absolvido

Absolvido: o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, José Rainha Júnior, 39 anos. Ele era acusado de co-autoria em dois homicídios ocorridos em 1989, durante a invasão de uma fazenda no Espírito Santo. O Ministério Público anunciou que recorrerá da decisão. Dia 5, em Vitória.

 
AP
Reuters
Diana Ross nos anos 60 (acima, à dir.) e hoje (no centro): Supremes

Divulgado: que a cantora Diana Ross, 56 anos, reativará o grupo Supremes, banda de grande sucesso nas décadas de 60 e 70. Diana participou da fundação do conjunto e abandonou o trio nos anos 70 para seguir carreira-solo. Durante a história do Supremes, oito cantoras fizeram parte da banda. Para estrelar a nova versão do grupo, além de Diana, foram convidadas Scherrie Payne e Lynda Laurence. Dia 4, em Nova York.

Concedida: à atriz Vera Fischer, 48 anos, permissão judicial para que seu filho Gabriel, 7 anos, durma em sua casa em dias de visita. O menino também poderá permanecer com ela em alguns fins de semana. A guarda de Gabriel continua com o pai, o ator Felipe Camargo. Vera estava proibida de ver o filho a sós desde outubro de 1998. Dia 4, no Rio de Janeiro.

Aposentou-se: o ex-presidente da Rússia Boris Ieltsin, 69 anos. Ieltsin, que renunciou em dezembro, receberá uma pensão mensal de 400 dólares e terá direito vitalício a guarda-costas, residência e carros fornecidos pelo Estado. O valor médio da aposentadoria no país é de 17 dólares. Dia 5, em Moscou.

 

A dama do crime

A carioca Djanir Ramos Suzano, a lendária Lili Carabina, transformou-se na estrela principal do noticiário do Rio de Janeiro durante os anos 70. Munida de perucas louras, vestidos de renda e lingeries sensuais, aterrorizou a cidade em assaltos cinematográficos e violentos. Ela era a chefe de uma quadrilha de assaltantes de bancos, supermercados e casas lotéricas. Bandida vaidosa, usava do charme para distrair a segurança e facilitar a ação dos comparsas. Sua vida foi contada no filme Lili Carabina, a Estrela do Crime, com Betty Faria no papel principal. No final dos anos 70, Lili foi condenada a 33 anos de prisão por assalto, tráfico de drogas, latrocínio e falsidade ideológica. Conseguiu fugir seis vezes. No ano passado, depois de ter cumprido mais de um terço da pena em regime fechado, foi beneficiada com o Indulto de Natal em virtude de seus problemas de saúde. Uma sombra da mulher bonita do passado, ela sofria de diabetes e tinha o lado esquerdo do corpo paralisado. Morreu de infarto na madrugada de quinta-feira passada, aos 56 anos.


O chefão dedo-duro

AP
Tommaso Buscetta: morte no anonimato
A história da Máfia italiana pode ser dividida em duas fases — antes e depois de Tommaso Buscetta. Primeiro chefe importante a quebrar a lei do silêncio da Cosa Nostra, a Máfia siciliana, ele ajudou a condenar mais de 400 mafiosos nos anos 80. Conhecido como don Masino, Buscetta entrou para a Máfia aos 16 anos e foi um dos pioneiros do narcotráfico na organização. Era capo do clã Porta Nuova, de Palermo, dizimado nos anos 70 e 80 numa guerra interna da Cosa Nostra. Para salvar a pele, Buscetta refugiou-se no Brasil em 1970. Dois anos depois, foi capturado e extraditado para a Itália, onde permaneceu preso até 1980. Nesse período, mais de vinte de seus parentes foram assassinados, e ele fugiu novamente para o Brasil. Em 1984 começou a colaborar primeiro com a Justiça italiana e, depois, com a americana. Além de expor o organograma do crime organizado, ele testemunhou contra o ex-primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti, mais tarde absolvido. Nunca aceitou ser chamado de "pentito" (arrependido), como os italianos tratam os desertores da Máfia. Dizia só ter virado a casaca depois de ver os chefões violar o código de honra e lealdade da organização, que ainda respeitava. Em agradecimento, os Estados Unidos concederam-lhe cidadania e o anonimato do programa de proteção a testemunhas. Buscetta morreu em casa no domingo 2, aos 71 anos, de câncer.