A voz do povo
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Maurilo Clareto/AE

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Passeata em
São Paulo: revolta
contra a corrupção |
A reportagem que VEJA publica nesta
semana sobre corrupção nasceu na internet.
Na edição passada, a revista divulgou um ensaio
do jornalista Roberto Pompeu de Toledo sobre o tema. Alarmado
pela sucessão de denúncias, como as que envolvem
os vereadores e o prefeito de São Paulo, Pompeu de
Toledo fez a seguinte constatação: "É
tal a quantidade de escândalos que o Brasil não
é mais um país onde a corrupção
floresce, mas um país, em si, corrupto". No sábado,
dia em que a revista chegou às bancas, o site de
VEJA na internet iniciou um debate entre os leitores sobre
o assunto, com as seguintes perguntas: o Brasil é
um país corrupto por natureza? Esse problema tem
solução? O que você faria para resolvê-lo?
A repercussão foi enorme.
Até a sexta-feira, 700 leitores haviam participado
do fórum de debates de VEJA on-line quase
o triplo da média em outras semanas. Em tom indignado,
as mensagens mostravam quanto o Brasil está cansado
de ouvir notícias sobre corrupção sem
que os responsáveis sejam punidos. "O povo não
tem mais para onde correr", escreveu Lea Tiemi Ussami, de
Brasília. Muitos leitores foram além e confessaram
que eles próprios já tinham sido alvo de achaque
ou foram obrigados a pagar propina para conseguir algum
serviço na administração pública.
"Certa vez, um guarda rodoviário
me parou e avisou que poderia vistoriar meu carro até
encontrar uma razão para lavrar uma multa", escreveu
Nair Mendes, de Guarulhos. "Estava sozinha e, com medo,
achei melhor dar-lhe 20 reais e seguir viagem." A reportagem
de VEJA desta semana reproduz o sentimento que os brasileiros
desenvolveram a respeito da corrupção. Algumas
opiniões foram colhidas em nosso fórum de
debates na internet. Nossos repórteres também
ouviram depoimentos em shoppings, pontos de ônibus
e outros locais. Conclusão: o brasileiro está
farto da corrupção que parece brotar de todos
os lados. A matéria mostra que o número de
casos de corrupção no Brasil não chega
a ser muito maior ou muito menor do que em outros países.
A punição aos culpados, no entanto, é
rara. E isso faz toda a diferença.