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Edição 1 789 - 12 de fevereiro de 2003
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DVDs

Divulgação
Pantaleão: baseado no livro de Vargas Llosa


Pantaleão e as Visitadoras
(Pantaleón y las Visitadoras, Peru/Espanha, 1999. Europa) – Pantaleão Pantoja é um militar tão certinho que é o único no Exército peruano capaz de ombrear uma missão embaraçosa: organizar um bordel itinerante para os soldados dos postos mais remotos. Ele cumpre suas ordens com tal zelo que logo estará levando trabalho para casa. Ou melhor, para um hotelzinho, onde testa os serviços de sua funcionária mais atraente, a Colombiana (Angie Cepeda). Essa segunda adaptação (a primeira foi dirigida pelo próprio autor) do romance de 1973 do peruano Mario Vargas Llosa é uma produção modesta, mas que não perde de vista o trunfo do livro: o contraste entre o tom jocoso de Vargas e sua crítica severa a – entre outras coisas – uma certa América Latina que adora ser tutelada.



Stokowski: registros raros

Classic Archive, Leopold Stokowski (EMI) – Certa feita, para definir a paixão de um maestro pela profissão, o alemão Kurt Masur disse: "Maestros não se aposentam. Morrem no posto". O inglês Leopold Stokowski (1882-1977) certamente pertencia a essa categoria. Nos anos 70, assinou um contrato com sua gravadora, a EMI, garantindo que regeria até os 100 anos de idade. Quase chegou lá: morreu aos 95. Esse DVD traz dois registros raros. O primeiro é de 1969, quando Stokowski comandou a Filarmônica de Londres em brilhantes versões da Quinta Sinfonia, de Beethoven, e da Oitava Sinfonia, de Schubert. Três anos mais tarde, o maestro inglês conduziu a Sinfônica de Londres numa de suas especialidades – Prélude à L'Après-Midi d'un Faune, de Debussy – e na abertura de Os Mestres Cantores de Nuremberg, de Wagner.

 

LIVROS

Uma Estranha Família, de Ray Bradbury (tradução de Adriana Lisboa; Ediouro; 202 páginas; 23,90 reais) – O americano Ray Bradbury é um prolífico autor de histórias de fantasia, celebrizado por obras como As Crônicas Marcianas e Fahrenheit 451. Em seus mais de trinta livros, o escritor, de 82 anos, foi do horror à ficção científica. Lançado em 2001, Uma Estranha Família é uma fábula protagonizada por bruxas, mortos-vivos e outras criaturas sórdidas. Feita na medida para o público infanto-juvenil, a história tem mais de engraçada que de assustadora. É uma espécie de versão em livro do seriado Família Addams. A narrativa gira em torno de um clã cujos tipos incluem uma múmia egípcia e um sujeito com asas de morcego. Reunidos numa mansão, eles lavam a roupa suja da família. Leia trechos do livro.

 
Jeff Geissler/AP
Handler: nada de final feliz

O Elevador Ersatz, de Lemony Snicket (tradução de Ricardo Gouveia; Cia. das Letras; 232 páginas; 25 reais) – Lemony Snicket é o pseudônimo do americano Daniel Handler, criador de um trio de personagens que vêm fazendo sucesso na literatura infantil, os órfãos Baudelaire. Eles têm uma singularidade: em suas aventuras carregadas de ironia e nonsense não há espaço para final feliz. Depois de perder seus pais num incêndio, os Baudelaire enfrentam toda sorte de provação, perseguidos por um certo conde Olaf, que está interessado na herança de que as crianças só poderão usufruir quando Violet, a mais velha, chegar à maioridade. No sexto livro da coleção Desventuras em Série, os órfãos vão morar numa cobertura acessível apenas por uma escada interminável – e dotada de uma estranha passagem secreta. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

Transformer, Lou Reed (BMG Brasil) – Um dos muitos pontos altos da carreira do cantor americano, Transformer, álbum de 1972, está sendo relançado totalmente remasterizado e com duas faixas bônus: as versões acústicas de Perfect Day e Hangin' Round. O disco marcou o início da relação especial entre Reed e David Bowie. O cantor inglês era um astro consagrado quando decidiu bancar, produzir e cuidar da carreira de Reed. Deu certo. Bowie trouxe um toque de classe aos arranjos de Walk on the Wild Side, Perfect Day e Goodnight Ladies – e ainda os excelentes solos de guitarra de Mick Ronson. Lou Reed entrou com as letras antológicas, repletas de histórias sobre personagens da vida noturna da Nova York dos anos 70, como travestis e prostitutas.

 
Pessoa: mistura na medida certa

Batidas Urbanas: Projeto Micróbio do Frevo, Silvério Pessoa (Independente) – Há dezenas de artistas que misturam ritmos nordestinos com ritmos modernos, mas Silvério Pessoa, que despontou nos anos 90 à frente do grupo Cascabulho, faz isso na medida exata. Batidas Urbanas é uma homenagem a Jackson do Pandeiro (1919-1982). Todas as músicas foram compostas ou interpretadas pelo artista paraibano, mas recebem aqui arranjos especiais. Tô com a Macaca se transmuta em rocks, enquanto Balanço do Frevo ganha batidas eletrônicas. Há participações especiais, como a do percussionista Naná Vasconcelos em Me Dá um Cheirinho. Um momento marcante é o dueto entre Pessoa e Almira Castilho (viúva de Jackson) em Papel Crepom. Encomendas pelo (081) 9967-7815 ou pelo e-mail bateomanca@uol.com.br.

 
"3D", do Massive Attack: surpresas

100th Window, Massive Attack (EMI) – Cada disco desse grupo inglês costuma ter um gostinho de surpresa. Do dançante álbum de estréia Blue Lines, de 1991, até 100th Window, eles flertaram com o reggae, o rap, o trip hop e o dub, entre outros gêneros. O novo trabalho acrescenta ao cardápio sonoridades asiáticas. Elas marcam presença nas faixas Future Proof, em que se pode ouvir o som de uma tabla, e Special Cases, que evoca uma atmosfera zen. O Massive Attack – que já foi um trio e hoje é uma dupla formada pelos DJs Robert "3D" Del Naja e Daddy G – sempre conta com uma convidada especial nos vocais. 100th Window tem participação da irlandesa Sinéad O'Connor, que brilha em What Your Soul Sings e A Prayer for England.

   
 

 

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