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As
novas e belas
faces do jazz
Visual caprichado e música com
apelo
pop são as armas dessas cantoras
para conquistar legiões de fãs
Sérgio Martins

Veja também |
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O
jazz, assim como a ópera, sempre teve suas divas. Foi ao microfone
que as mulheres deram sua principal contribuição a esse
gênero musical. O exército das grandes cantoras supera em
muito o dos cantores que se destacaram. Para cada Frank há uma
Billie, uma Bessie, uma Ella e uma Sarah. Presença constante no
jazz, a diva foi mudando de perfil ao longo do tempo (veja
quadro).
A sua mais nova encarnação surgiu no finzinho da década
passada. Seus principais atributos: a sensualidade (devidamente ressaltada
pelas gravadoras, que sabem que homens de meia-idade compõem uma
fatia respeitável do público interessado nesse tipo de música)
e o fato de emprestarem um tratamento pop ao jazz em vez de dar
um tratamento jazzístico ao popular. É essa receita que
tem garantido o sucesso de intérpretes como Diana Krall, Norah
Jones e Jane Monheit.
AP
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| A
loiríssima Diana
Krall (foto)
e Norah Jones:
elas
cantam, encantam
e influenciam
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O caso da americana Norah Jones, de 23 anos, é emblemático.
Ela é filha do citarista indiano Ravi Shankar e de uma enfermeira
americana. Só ficou sabendo que tinha pai famoso na adolescência.
Recusa-se a falar sobre ele e diz que seu interesse por música
jamais esteve relacionado à profissão paterna. Seus estudos
de piano e saxofone deram-se por indicação de um psicólogo:
ela era uma criança hiperativa e a música fazia parte de
uma terapia. Foi tiete do roqueiro Bon Jovi antes de se interessar por
Louis Armstrong ou Miles Davis. Mas foi um selo de jazz que resolveu lançá-la:
o Blue Note, que gravou vários grandes nomes do gênero e
resolveu dar tratamento de grande estrela à novata. Compensou.
Gravado em 2002, seu primeiro CD, Come Away with Me, já
vendeu 3 milhões de cópias nos Estados Unidos. No Brasil,
foram cerca de 30.000 unidades, valor significativo para um artista internacional.
A crítica também gostou. Norah é uma das principais
figuras do próximo Grammy, o Oscar da indústria fonográfica,
que terá sua entrega de estatuetas realizada no fim deste mês.
Ela concorre nas principais categorias, como disco e gravação
do ano e seu principal adversário é o rapper Eminem.
Curiosamente, ela não consta da premiação de jazz.
E não parece nem um pouco incomodada com isso. "O jazz é
essencial no meu trabalho, mas tenho muitas outras influências,
como o country", explica ela.
A pioneira nessa seara foi a canadense Diana Krall, de 38 anos. No início
da carreira, ela preferia tocar piano a cantar. No fim dos anos 90, resolveu
fazer algumas experiências para ver se ampliava seu público.
Aprendeu alguns standards da bossa nova, uma ou outra balada célebre
e deu-se um banho de loja. A loiríssima Diana sempre foi uma mulher
bonita, mas quem a viu tocar antes da metamorfose diz que seu visual era
mais relaxado. Atualmente, ela não sobe ao palco sem estar impecavelmente
produzida. Seus três últimos discos venderam juntos mais
de 3 milhões de cópias. When I Look in Your Eyes,
que ela lançou em 1999, tornou-se o primeiro álbum de jazz
a concorrer ao Grammy na categoria principal em 25 anos. Seu álbum
seguinte, The Look of Love (2001), entrou na nona colocação
da parada americana. Até veteranas do jazz mudaram seu comportamento
por causa do fenômeno Diana Krall. Por exemplo, a pianista brasileira
Eliane Elias. Ela se notabilizou pela destreza ao instrumento. Vez ou
outra adicionava vocais a seus álbuns. No entanto, seu novo CD,
Kissed by Nature, que chega nesta semana ao Brasil, traz canto
em nove das treze faixas. "Fiz um disco para o fã de jazz que anseia
por ouvir canções suaves após um dia de trabalho",
afirma Eliane.
O ecletismo e o flerte com gêneros mais populares não são
uma novidade no jazz. Nos anos 50 e 60, Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald
já subiam ao palco para cantar um sucesso dos Beatles ou uma versão
da bossa-nova Águas de Março. Ao fazerem isso, freqüentemente
reinventavam a música, seja pelo virtuosismo técnico, que
as levava a quebrar um fraseado, seja pela pura força de sua interpretação.
Diana Krall e companhia não vão tão longe. Elas dão
um verniz refinado ao pop ao mesmo tempo que revisitam clássicos
da tradição do jazz. Talvez lhes falte algo da profundidade
emocional de suas antecessoras. Mas ninguém vai negar que é
gostoso ouvi-las. Graças a elas, o jazz está saindo do nicho
em que se encontrava, para tornar-se novamente um gênero grande
e rentável. Entre os fãs das novas divas, há tanto
senhores de meia-idade que conhecem as interpretações de
Bessie Smith de trás para a frente quanto uma garotada que até
pouco tempo atrás estava feliz com Alanis Morissette.
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As
divas de ontem e de hoje
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A
ÉPOCA DE OURO
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| ANOS
30 E 40 |
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Tudo
me dói
ESTILO:
a especialidade aqui não era o virtuosismo
vocal, e sim a emoção, proporcionada
por fartas doses de aflições românticas,
familiares e com drogas
ÍCONES: Billie Holiday
(foto), Bessie Smith, Anita O'Day
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| ANOS
50 E 60 |
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Eu
posso tudo
ESTILO:
intérpretes irretocáveis, as divas dessa época
mostravam sua diversidade no repertório. Iam de standards
da canção americana a bossa nova e canções
dos Beatles
ÍCONES:
Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Lena Horne
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A
ÉPOCA DO OURO
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| ANOS
70 E 80 |
Divulgação
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Eu faço de tudo
ESTILO:
as cantoras passaram a ser também
instrumentistas. Umas recuperavam as raízes blues do
gênero e outras incorporavam ritmos africanos
ÍCONES:
Eliane Elias (foto), Diane Schuur, Nina Simone
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| ANOS
90 E 2000 |
Abril Music
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Eu sou tudo
ESTILO:
beldades que cantam, tocam, saem muito bem nas fotos e vendem
milhões de discos dão as cartas na indústria
do jazz hoje
ÍCONES:
Jane Monheit (foto), Norah Jones e Diana Krall
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