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Tevê
por escrito
Em certos programas, meia
dúzia de palavras
vale mais
do que qualquer imagem
Ricardo
Valladares
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Márcia
Goldschmidt, na
Bandeirantes, Gugu, no SBT,
e Luciana Gimenez, na Rede TV!:
o
gerador de caracteres só não
reina na Globo |
Nem
sempre uma imagem vale por 1.000 palavras. Às vezes não
vale sequer meia dúzia delas sobretudo quando se trata de
capturar o telespectador desatento. Prova disso é o uso cada vez
mais freqüente, em programas jornalísticos ou de auditório,
de frases chamativas na parte inferior da tela. São cerca de vinte
as atrações, em várias emissoras, que hoje lançam
mão desse recurso para tentar incrementar seu ibope. "A chamada
revela o tema que está sendo abordado. Isso pode segurar a atenção
do espectador, ainda que a imagem na TV não seja espetacular ou
que os personagens não sejam conhecidos", diz o diretor de programação
da Bandeirantes, Rogério Gallo.
As frases que aparecem na televisão saem de um aparelho chamado
gerador de caracteres, ou GC. Por muitos anos a maior utilidade da engenhoca
foi criar legendas com o nome de um entrevistado. No começo dos
anos 90, o canal americano de notícias CNN começou a utilizá-lo
para fazer manchetes que apareciam numa faixa sobreposta à imagem.
O truque se disseminou. O pioneiro no Brasil foi o policial Aqui Agora,
do SBT. "A gente se inspirava nas manchetes do jornal Notícias
Populares, que eram bem escandalosas", diz um editor do extinto programa.
Na mesma emissora, Gugu Liberato passou a empregar o GC em seu Domingo
Legal. Numa fase em que esse programa batia continuamente o Domingão
do Faustão, seu principal concorrente, a Globo rendeu-se ao
recurso. Mas logo o abandonou, por achar que as frases sujavam a imagem.
A emissora é, hoje, a única que nunca usa o GC.
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| Frase
no programa Repórter Cidadão saiu com erro de
concordância duas vezes: surras no português não
são incomuns |
A
maior usuária do gerador de caracteres é a Rede TV!. Ele
está em toda parte, dos programas de fofocas, como o TV Fama,
aos programas de auditório, como o Superpop. Já
é possível perceber palavras recorrentes em certas atrações.
No péssimo Canal Aberto, de João Kleber, "traição"
não sai da tela. "Queremos transformar o GC numa marca registrada
nossa", diz Marcelo de Carvalho, um dos donos da emissora. Vai ser preciso
providenciar cursinho de português para os operadores do aparelho.
Alguns cometem erros grosseiros. Na quarta-feira passada, foram necessárias
três tentativas para que uma frase sobre um casal que tentou matar
os filhos saísse com a concordância certa no programa Repórter
Cidadão. "A culpa é do apresentador Marcelo Rezende,
que grita com todo mundo no estúdio", diz um funcionário
estressado, tentando justificar a mancada.
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