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Edição 1 789 - 12 de fevereiro de 2003
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Tevê por escrito

Em certos programas, meia
dúzia de palavras
vale mais
do que qualquer imagem

Ricardo Valladares

 
Márcia Goldschmidt, na
Bandeirantes, Gugu, no SBT,
e Luciana Gimenez, na Rede TV!:
o gerador de caracteres só não
reina na Globo

Nem sempre uma imagem vale por 1.000 palavras. Às vezes não vale sequer meia dúzia delas – sobretudo quando se trata de capturar o telespectador desatento. Prova disso é o uso cada vez mais freqüente, em programas jornalísticos ou de auditório, de frases chamativas na parte inferior da tela. São cerca de vinte as atrações, em várias emissoras, que hoje lançam mão desse recurso para tentar incrementar seu ibope. "A chamada revela o tema que está sendo abordado. Isso pode segurar a atenção do espectador, ainda que a imagem na TV não seja espetacular ou que os personagens não sejam conhecidos", diz o diretor de programação da Bandeirantes, Rogério Gallo.

As frases que aparecem na televisão saem de um aparelho chamado gerador de caracteres, ou GC. Por muitos anos a maior utilidade da engenhoca foi criar legendas com o nome de um entrevistado. No começo dos anos 90, o canal americano de notícias CNN começou a utilizá-lo para fazer manchetes que apareciam numa faixa sobreposta à imagem. O truque se disseminou. O pioneiro no Brasil foi o policial Aqui Agora, do SBT. "A gente se inspirava nas manchetes do jornal Notícias Populares, que eram bem escandalosas", diz um editor do extinto programa. Na mesma emissora, Gugu Liberato passou a empregar o GC em seu Domingo Legal. Numa fase em que esse programa batia continuamente o Domingão do Faustão, seu principal concorrente, a Globo rendeu-se ao recurso. Mas logo o abandonou, por achar que as frases sujavam a imagem. A emissora é, hoje, a única que nunca usa o GC.

 
Frase no programa Repórter Cidadão saiu com erro de concordância duas vezes: surras no português não são incomuns

A maior usuária do gerador de caracteres é a Rede TV!. Ele está em toda parte, dos programas de fofocas, como o TV Fama, aos programas de auditório, como o Superpop. Já é possível perceber palavras recorrentes em certas atrações. No péssimo Canal Aberto, de João Kleber, "traição" não sai da tela. "Queremos transformar o GC numa marca registrada nossa", diz Marcelo de Carvalho, um dos donos da emissora. Vai ser preciso providenciar cursinho de português para os operadores do aparelho. Alguns cometem erros grosseiros. Na quarta-feira passada, foram necessárias três tentativas para que uma frase sobre um casal que tentou matar os filhos saísse com a concordância certa no programa Repórter Cidadão. "A culpa é do apresentador Marcelo Rezende, que grita com todo mundo no estúdio", diz um funcionário estressado, tentando justificar a mancada.

   
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