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Edição 1 789 - 12 de fevereiro de 2003
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Ossos que entortam

A artrite reumatóide, uma doença
que deforma e causa dores terríveis,
continua a desafiar os médicos. Mas
há boas novidades nessa batalha

Paula Neiva

Não há doença reumática tão devastadora quanto a artrite reumatóide. Ela surge quando o sistema imunológico da pessoa passa a encarar as células das articulações como inimigas e deflagra um ataque contra elas. A investida desencadeia uma inflamação. Deixado a seu próprio curso, esse processo inflamatório destrói a cartilagem entre as articulações e danifica os ossos que estão próximos. O resultado são dores terríveis e deformações, principalmente nas mãos, punhos, joelhos, tornozelos e pés. Calcula-se que haja quase 2 milhões de doentes só no Brasil. A ciência ainda não conseguiu desvendar por completo os mecanismos da artrite reumatóide, mas tem obtido sucesso no desenvolvimento de drogas capazes de conter o seu avanço. A mais nova arma desse arsenal acaba de receber o aval do FDA, a agência americana de controle de remédios e alimentos, e deve chegar ao Brasil até o fim do ano. Trata-se do Humira, do laboratório Abbott.

O medicamento recém-aprovado pertence a uma classe de drogas lançada há menos de cinco anos. Além do Humira, fazem parte desse grupo o Enbrel, fabricado pelo Wyeth, e o Remicade, da Schering-Plough. Os três remédios inibem a ação da proteína TNF, responsável pela destruição das articulações. O Humira, contudo, tem duas diferenças em relação a esses antecessores. Em vez de ser composto de anticorpos de origem animal ou sintética, ele é feito de anticorpos idênticos aos humanos. Com isso, acreditam os especialistas, diminuem-se os riscos de rejeição e alergias. Além disso, o Humira é administrado pelo próprio paciente, sob a forma de injeções subcutâneas, duas vezes por mês. O Enbrel exige picadas a cada dois dias. Já o Remicade, o único disponível no Brasil, requer aplicação endovenosa, feita em hospital, de dois em dois meses. Como não há estudos comparativos entre os três medicamentos, é impossível relacionar a eficácia de um com a de outro. Pesquisas isoladas mostram que essa nova classe de medicamentos consegue evitar em até 80% dos casos os danos nas articulações. Um grande inconveniente é o preço do tratamento. Uma única aplicação de Remicade pode custar mais de 5.000 reais.

A artrite reumatóide ataca principalmente entre os 35 e os 55 anos. Para cada homem doente, há três mulheres na mesma situação. No início da doença, o paciente é acometido de fadiga, dores musculares, inchaço e rigidez leve em algumas articulações. "Como as queixas são vagas, o diagnóstico nessa fase é difícil. Por isso, muitas pessoas só descobrem que têm a doença quando ela está em estágios mais avançados", diz a reumatologista Evelin Goldenberg, professora da Universidade Federal de São Paulo. Se o diagnóstico for precoce, é razoável a chance de retardar a progressão dos danos nas articulações, por meio de remédios mais baratos do que os da classe do Humira.

 

Raio X da doença

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas sofrem de artrite reumatóide

A doença se manifesta, sobretudo, entre os 35 e os 55 anos

Para 1 homem doente, há 3 mulheres na mesma situação

A nova classe de drogas contra o mal evita em até 80% dos casos os danos nas articulações que caracterizam a doença



   
 
   
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