
estasemana
colunas
seções
arquivoVEJA
 |
 |
| (conteúdo
exclusivo para assinantes VEJA ou UOL) |
 |
Crie
seu grupo

|
|
Dá
para acreditar?
Novo programa de musculação
promete corpo sarado com meia
hora de exercício por semana
Bel
Moherdaui

Veja também |
|
|
|
A
grande sensação entre as centenas de programas de exercício
disponíveis em livro, vídeo e academias nos Estados Unidos
é o sonho dourado de quem reclama da falta de tempo para entrar
em forma basicamente todo mundo. Trata-se de uma sessão
de musculação de alta intensidade, que promove a perda de
gordura e o ganho de músculos, como os exercícios convencionais,
mas dura no máximo trinta minutos por semana; nos outros seis dias,
descanso. Nada de esteira, bicicleta nem aeróbica. O equipamento
imprescindível dos malhadores em câmera lenta é o
peso: quanto mais, melhor. Os propagadores da nova técnica, que
ficou conhecida como SuperSlow (superlento), prometem resultados visíveis
em seis semanas. No Brasil, por enquanto, a novidade só é
oferecida em poucas academias, em versões menos rigorosas que a
original.
O SuperSlow já foi chamado até de revolução
das academias, mas seu princípio é básico: uma aula
de musculação com muito peso e poucas repetições.
Cada exercício, feito com a carga máxima suportável,
é repetido de cinco a seis vezes. Cada repetição
(flexão e extensão) deve durar cerca de vinte segundos.
O esforço exigido é muito maior que na musculação
convencional, em que cada movimento dura por volta de quatro segundos
(menos, se o professor não estiver olhando) e é executado
em séries de oito a doze repetições. O propósito
de tanta lentidão é elevar a resistência do músculo
a níveis cada vez maiores. A título de comparação,
experimente levantar e abaixar os braços com uma garrafa de 2 litros
de refrigerante cheia em cada mão. Fácil? Agora tente fazer
a mesma coisa lentamente, contando até 20. Isso é SuperSlow
(com um pesinho de nada, diga-se). A idéia é mesmo tornar
o exercício bem difícil. "Usando uma carga alta em movimentos
lentos, você não pode contar com os impulsos que ajudam a
erguer o peso e facilitam o trabalho dos músculos", diz o americano
Fredrick Hahn, autor do livro The Slow Burn Fitness Revolution
(A Revolução da Boa Forma pela Malhação Lenta).
Como toda novidade, o SuperSlow tem de ser encarado com cuidado. "Não
acredito que funcione. Meia hora de exercício por semana é
muito pouco para chegar ao resultado prometido", diz o professor de musculação
Carlos Eduardo Ferreira, da Companhia Athletica. "Faz sentido dizer que,
quanto mais tempo o músculo ficar sob tensão, mais trabalho
mecânico fará e mais resultados se alcançarão.
Mas ainda não existe nenhuma evidência científica
de que essa técnica seja realmente benéfica para o corpo",
adverte o professor Valmor Tricoli, da Escola de Educação
Física e Esporte da Universidade de São Paulo, que está
estudando o SuperSlow. Outra crítica que pode ser feita ao programa
é sua apregoada capacidade emagrecedora. Uma pesquisa recente coordenada
pelo fisiologista paulista Turibio Leite de Barros comprovou que só
exercício físico emagrece muito pouco. Analisando 110 pessoas
que seguiram as orientações de seu livro O Programa das
10 Semanas, Barros constatou que, entre os que se submeteram só
ao programa de exercícios, as mulheres perderam em média
1,7 quilo e os homens, 1,9 quilo. Já quem fez apenas dieta perdeu
muito mais: as mulheres, 3,8 quilos; os homens, 6 quilos. Melhor mesmo,
claro, é fazer os dois. E sofrer um bocado com aqueles movimentos
muuuito lentos.
|
O
BÊ-Á-BÁ DO SUPERSLOW
Peso: o máximo que conseguir
Duração: vinte segundos cada movimento
Repetições: cinco a seis
Carga horária: trinta minutos por semana
|
|
|
 |
|
 |

|
 |