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O sub do sub do sub
Ícone
da esquerda, o subcomandante
Marcos está
em baixa até com os
indígenas mexicanos
AP
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| Elogios
ao ETA e briga com o juiz Garzón: até Saramago critica o candidato
a Che |
Esqueceram de avisar aos fãs que o citavam a qualquer pretexto
no Fórum Social de Porto Alegre que a estrela do subcomandante
Marcos brilha cada vez menos. Líder do Exército Zapatista
de Libertação Nacional (EZLN), um movimento de índios
mexicanos surgido em 1994, Marcos andou sumido por quase um ano. Há
dois meses, reapareceu para se oferecer como mediador no conflito basco
na Espanha. Logo exibiu sua simpatia pelos companheiros terroristas do
ETA, o grupo separatista basco. Para completar, chamou de "palhaço"
o juiz espanhol Baltasar Garzón, ícone da esquerda devido
a sua tentativa de julgar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, e que
agora lidera uma cruzada contra o terrorismo basco. Garzón comparou
Marcos a um barco à deriva, atrás de promoção,
e o desafiou a debater a moralidade da luta armada. O próprio ETA,
em um comunicado, rejeitou a oferta, dizendo que "Marcos quer montar uma
opereta para voltar a sair na primeira página dos jornais". Até
o português José Saramago, Nobel de Literatura e veterano
comunista, puxou a orelha do subcomandante.
Para quem
costumava atrair celebridades como a ex-primeira-dama francesa Danielle
Mitterrand e o cineasta americano Oliver Stone a seu esconderijo nas selvas
de Chiapas, no sul do México, ser tratado dessa forma é
uma tremenda desmoralização. À frente de uma causa
justa chamar a atenção para a miséria dos
índios mexicanos , Marcos se transformou em um ícone
romântico internacional. Mas ainda está distante de realizar
o sonho de se tornar o Che Guevara do século XXI. Rafael Sebastián
Guillén (este é o nome verdadeiro dele) usa boina desde
os 16 anos, fuma cachimbo e até inventou que era médico,
como o verdadeiro Che, para receitar remédios aos indígenas.
Na vida real, Marcos estudou em colégio jesuíta, fez treinamento
militar em Cuba e foi professor universitário de artes gráficas
na Cidade do México até se embrenhar na selva mexicana e
vestir a máscara que passou a ser sua marca registrada.
AFP
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| Índios
em Chiapas: cansados da luta antiglobalização |
O subcomandante
também está fora de moda no México. Em vez de continuar
empenhados na luta contra a globalização, como quer Marcos,
muitos caciques indígenas passaram a negociar com o governo mexicano
melhorias concretas para a população, como escolas e subsídios
agrícolas. Cuauhtémoc Cárdenas, o eterno candidato
da esquerda à Presidência do México, igualmente rompeu
com Marcos, argumentando que prefere a "via democrática à
guerrilha". O ocaso do mascarado cumpre a previsão do mexicano
Octavio Paz, o prêmio Nobel de Literatura que morreu em 1998. "Os
zapatistas de Chiapas representam uma volta ao passado, com teorias que
foram enterradas sob os escombros do Muro de Berlim", escreveu Paz. "Marcos
adotou várias regras do show business moderno, mas todo show tem
hora para acabar." Cada vez há menos audiência para o show
de Marcos.
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