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Edição 1 789 - 12 de fevereiro de 2003
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O sub do sub do sub

Ícone da esquerda, o subcomandante
Marcos
está em baixa até com os
indígenas mexicanos



AP
Elogios ao ETA e briga com o juiz Garzón: até Saramago critica o candidato a Che


Esqueceram de avisar aos fãs que o citavam a qualquer pretexto no Fórum Social de Porto Alegre que a estrela do subcomandante Marcos brilha cada vez menos. Líder do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), um movimento de índios mexicanos surgido em 1994, Marcos andou sumido por quase um ano. Há dois meses, reapareceu para se oferecer como mediador no conflito basco na Espanha. Logo exibiu sua simpatia pelos companheiros terroristas do ETA, o grupo separatista basco. Para completar, chamou de "palhaço" o juiz espanhol Baltasar Garzón, ícone da esquerda devido a sua tentativa de julgar o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, e que agora lidera uma cruzada contra o terrorismo basco. Garzón comparou Marcos a um barco à deriva, atrás de promoção, e o desafiou a debater a moralidade da luta armada. O próprio ETA, em um comunicado, rejeitou a oferta, dizendo que "Marcos quer montar uma opereta para voltar a sair na primeira página dos jornais". Até o português José Saramago, Nobel de Literatura e veterano comunista, puxou a orelha do subcomandante.

Para quem costumava atrair celebridades como a ex-primeira-dama francesa Danielle Mitterrand e o cineasta americano Oliver Stone a seu esconderijo nas selvas de Chiapas, no sul do México, ser tratado dessa forma é uma tremenda desmoralização. À frente de uma causa justa – chamar a atenção para a miséria dos índios mexicanos –, Marcos se transformou em um ícone romântico internacional. Mas ainda está distante de realizar o sonho de se tornar o Che Guevara do século XXI. Rafael Sebastián Guillén (este é o nome verdadeiro dele) usa boina desde os 16 anos, fuma cachimbo e até inventou que era médico, como o verdadeiro Che, para receitar remédios aos indígenas. Na vida real, Marcos estudou em colégio jesuíta, fez treinamento militar em Cuba e foi professor universitário de artes gráficas na Cidade do México até se embrenhar na selva mexicana e vestir a máscara que passou a ser sua marca registrada.

 
AFP
Índios em Chiapas: cansados da luta antiglobalização

O subcomandante também está fora de moda no México. Em vez de continuar empenhados na luta contra a globalização, como quer Marcos, muitos caciques indígenas passaram a negociar com o governo mexicano melhorias concretas para a população, como escolas e subsídios agrícolas. Cuauhtémoc Cárdenas, o eterno candidato da esquerda à Presidência do México, igualmente rompeu com Marcos, argumentando que prefere a "via democrática à guerrilha". O ocaso do mascarado cumpre a previsão do mexicano Octavio Paz, o prêmio Nobel de Literatura que morreu em 1998. "Os zapatistas de Chiapas representam uma volta ao passado, com teorias que foram enterradas sob os escombros do Muro de Berlim", escreveu Paz. "Marcos adotou várias regras do show business moderno, mas todo show tem hora para acabar." Cada vez há menos audiência para o show de Marcos.

 
 
   
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