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Bush
diz que o jogo acabou
Convenceram-se? Não? O presidente
dos EUA dá ultimato a Saddam e deixa
tudo pronto para a guerra, com ou
sem a aprovação da ONU
José
Eduardo Barella
Reuters
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DIPLOMACIA,
ADEUS
Bush: opção pela guerra após reação
morna às provas apresentadas na ONU
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Veja também |
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O
ataque americano ao Iraque é questão de semanas talvez
bem poucas. A quem quiser arriscar um palpite mais preciso, sugere-se
acompanhar um único movimento de tropas: o da 101ª Divisão
Aerotransportada. Não existe campanha militar da história
recente dos Estados Unidos em que essa legendária divisão,
a única de assalto aéreo do Exército americano, não
tenha estado na linha de frente. Em junho de 1944, 14.000 soldados da
101ª saltaram de pára-quedas na França ocupada pela
Alemanha nazista, um dia antes do histórico desembarque na Normandia.
Daí saíram os personagens da série Band of Brothers,
todos tirados de fatos reais. Na primeira guerra americana contra Saddam
Hussein, em 1991, a 101ª desfechou os ataques aéreos mais
avançados em território inimigo já registrados pelos
manuais bélicos. Detalhe: não sofreu uma única baixa.
Esse currículo é relembrado aqui por que na quinta-feira
passada, em meio ao fragor das discussões sobre a justeza ou a
oportunidade da guerra contra Saddam, o presidente George W. Bush assinou
discretamente a ordem de envio dessa divisão para o teatro de operações
no Golfo Pérsico. São 20.000 homens e 270 helicópteros,
que viajarão por mar e ar. Entre chegarem, montarem e testarem
os equipamentos, tudo desembocará na concretização
do aviso feito por Bush no mesmo dia em que despachou a divisão
aerotransportada: "O jogo acabou". A partir daí, é possível
que em poucos dias soldados da 101ª estejam em Bagdá, com
Saddam Hussein morto ou desaparecido, seu regime desmanchado e multidões
de iraquianos saudando os libertadores.
Ou então o mundo estará vivendo uma bagunça considerável.
A rapidez e a "limpeza", obviamente relativa, da guerra serão cruciais
para superar o estranhamento, ou mais até, a animosidade que a
decisão do governo Bush de esmagar Saddam está criando entre
os Estados Unidos e os países contrários à solução
militar. O curso de ação do governo americano tem sido transparente:
preparar tudo para a guerra e deixar a diplomacia tentar convencer os
relutantes. Se conseguir, melhor. Se não, haverá guerra
da mesma maneira. A última tentativa de convencer pela diplomacia
foi a exposição de uma hora e meia do secretário
de Estado, Colin Powell, na sede da ONU. Powell mostrou "provas irrefutáveis"
das principais acusações contra o Iraque de Saddam. O país
ainda tem armas químicas e biológicas e as esconde dos inspetores
da ONU. Também mantém um programa nuclear clandestino e
já possui dois dos três componentes necessários para
produzir a bomba atômica. Ninguém duvida que Saddam tenha
ou tente ter isso tudo. Do ponto de vista dos governos que relutam em
apoiar a solução bélica, a questão é
se essas transgressões representam uma ameaça tão
grave para a segurança internacional a ponto de justificar o recurso
extremo da guerra.
AP
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SEM
SAÍDA
Milícia
iraquiana treina
em Bagdá: país
prepara-se para a guerra iminente
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Para
os não-convertidos, as evidências foram fracas, quando não
risíveis, como o tubinho de vidro vazio que o secretário
de Estado empunhou para exemplificar como os estoques iraquianos de anthrax,
elemento mais comum dos arsenais de guerra biológica, dariam para
preencher milhares de frascos semelhantes. Ao revelar que o Iraque dispõe
de laboratórios móveis de armas biológicas montados
em carrocerias de caminhões, por exemplo, Powell mostrou apenas
ilustrações feitas em computador. Os argumentos sobre ligações
entre Saddam e os fanáticos terroristas da Al Qaeda também
se ressentem da falta de solidez.
Os Estados Unidos, porém, têm outros poderes de convencimento.
Os países da região onde existem bases americanas estão
sendo conquistados com a sempre prodigiosa ajuda americana. Tradução:
dinheiro mesmo. Todo mundo que pode está dando uma mordidinha.
A Turquia já mudou de opinião sobre o uso das bases militares
em seu território. A Rússia é contra a guerra, mas
emite sinais que vão ficando mais ambíguos à medida
que se acena com a hipótese de importantes contratos de exploração
de petróleo no Iraque pós-Saddam. Em países mais
responsáveis, o medo é de que, se o Conselho de Segurança
não autorizar o uso da força contra o Iraque e os americanos
forem à guerra mesmo assim, a ONU estará desmoralizada,
e a hiperpotência americana se sentirá com mais liberdade
de ação do que nunca para passar por cima de inimigos
e amigos também. Donald Rumsfeld, o abrasivo secretário
de Defesa, deu uma amostra dessa mão pesada ao humilhar a Alemanha,
um dos pilares do mundo ocidental, comparando-a, pela oposição
à guerra, a dois dos maiores inimigos dos EUA, Cuba e Líbia.
Quem quer mais disso?
Reuters
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ESFORÇO
INÚTIL
Powell
mostra as provas contra Saddam na ONU: fotos de satélite,
gravações e desenhos não convencem todo mundo
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