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Um
recorde perverso
Este é um recorde que pesa sobre o Brasil. Na semana passada, o
Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) revelou
que em 2002 a carga tributária do país chegou a 36,4% do
produto interno bruto (PIB), superando a taxa da Suíça.
Nos anos 90, o Brasil quebrou recordes sucessivos nesse indicador, deixando
para trás nações com renda per capita muitas vezes
maior que a brasileira e forte tradição arrecadatória,
como os Estados Unidos, a Inglaterra e o Canadá. País pobre
cobrar imposto com a mesma gana das nações ricas não
é apenas uma distorção. É uma condenação
ao atraso. Segundo estudos do Banco Mundial, os únicos países
em desenvolvimento que conseguiram crescer a taxas significativas nos
últimos trinta anos foram aqueles cuja carga tributária
ficou abaixo de 27% do PIB.
É
errônea, portanto, a noção muito disseminada segundo
a qual os países enriquecem porque seus cidadãos pagam mais
impostos. A história econômica das nações bem-sucedidas
mostra justamente o contrário. Nos países desenvolvidos,
a carga tributária cresceu muito no século XX -- ela saiu
de 13% do PIB em média para mais de 40% na década passada.
Mas subiu sempre em níveis inferiores ao crescimento do PIB. No
Brasil, a carga vem crescendo em um ritmo sempre maior que o da geração
de riqueza.
O caso brasileiro apresenta uma agravante que torna o peso dos impostos
sobre os ombros da sociedade ainda mais inaceitável. É a
sonegação. Se todos os que devem ao Fisco pagassem seus
impostos, a carga tributária poderia ser distribuída de
maneira mais eqüitativa pela sociedade. Se conseguir inverter a lógica
perversa do atual sistema tributário, que cobra muito dos poucos
que pagam, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrará
para a história como o primeiro governante do Brasil a aumentar
a arrecadação cobrando menos imposto de cada um dos brasileiros
honestos.
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