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Edição 1977 . 11 de outubro de 2006

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Televisão
Esta é grande, mesmo

Eventos mostram que o futuro da
TV já chegou com projeções em
telas gigantescas e efeitos em 3D


Ethevaldo Siqueira, de Berlim


Fotos divulgação
Acima, imagem de homem sob tela criada pelo instituto Fraunhofer. Abaixo, versão exibida em Berlim, que compara o ângulo de visão do equipamento com uma TV normal e outra de alta definição (HDTV)

O futuro está chegando depressa para os televisores. Eventos reunindo produtos eletrônicos, realizados em setembro em Berlim e em Amsterdã, demonstraram que a tecnologia já transformou em realidade avanços que pareciam coisas de ficção. É o caso de gigantescos telões, com qualidade de imagem beirando a perfeição, desenvolvidos pelo instituto alemão Fraunhofer. A versão apresentada nas feiras européias tinha uma tela côncava, com quase 5 metros na diagonal, sobre a qual cinco projetores despejavam jatos de luz que formavam a imagem de alta resolução. A sensação visual do espectador era parecida com a de quem assiste, por exemplo, a um jogo de futebol no estádio. A entidade alemã já realizou exibições em áreas mais amplas, com até 15 metros, utilizando um maior número de projetores. Em menor escala, esse conceito de "tela de imersão" será aplicado futuramente ao home theater – ou a "cinemas digitais domésticos", na expressão mais apropriada de seus criadores. A aplicação desses recursos claramente vai ultrapassar o campo do entretenimento, alcançando também as escolas, os centros de treinamento, os shows de multimídia e a publicidade.


Dá para pegar: versão de tela de computador com imagem em 3D. A tecnologia está madura

É admirável o estágio de desenvolvimento das telas que produzem imagens em três dimensões, ou 3D. Na exposição de Berlim, a IFA 2006, o público parecia magnetizado diante das imagens que, em um pavilhão de quase 1.000 metros quadrados montado pela Philips, saltavam para fora de TVs como holografias de altíssima resolução. A nova tecnologia de 3D em televisão é mais impressionante do que a já utilizada nos cinemas. Mesmo em sua fase experimental, as imagens podem ser vistas em todas as suas dimensões sem o uso de óculos especiais. Como isso funciona? Os efeitos tridimensionais são produzidos numa placa de vidro instalada na frente do monitor de cristal líquido (LCD). Pequenas lentes convexas são colocadas a cada dois pixels – os pontos que formam a imagem na tela. Essas lentes desviam a informação luminosa que chega aos pixels, fazendo com que elas passem de um olho para outro do espectador, criando a sensação de três dimensões. Na televisão e no cinema, a idéia de movimento é assegurada pela retenção das imagens de cada quadro em nossa retina por um décimo de segundo. A ilusão visual de 3D exige a superposição de duas imagens, uma para cada olho. É um truque que a tecnologia usa para enganar o cérebro. Nada de assustador. A conversão de luz em impulsos eletroquímicos, que ocorre nos processos naturais da visão humana, não deixa de ser um truque.


Leite derramado: a Philips já produz TV que cria efeito tridimensional

No equipamento experimental da Philips, as três dimensões são criadas com a ajuda de um chip, o IC3D. Pensando nos mercados corporativo e publicitário, a empresa já havia lançado um aparelho desse tipo com 42 polegadas, mas que só pode ser comprado pelo canal de distribuição da Philips 3D Solutions. O preço é de 20.000 dólares – pouco mais de 40.000 reais. Viabilizar comercialmente a TV tridimensional vai exigir, é claro, que exista conteúdo produzido originalmente para a exibição em 3D. Isso demora. É um ciclo conhecido dos fabricantes de novos padrões. Primeiro vem a tecnologia e, depois, no prazo de três ou cinco anos, a demanda e o lançamento de novos conteúdos estimulam-se mutuamente até que surja um mercado estável para a novidade.

Mais do que entretenimento, a grande tendência da eletrônica de consumo atualmente é atender às demandas das pessoas por novas experiências visuais e sonoras. Essa é a visão dominante dos líderes setoriais, a começar de Rudy Provoost, presidente da área de eletrônica de consumo da Philips holandesa. Disse Provoost a VEJA: "Estamos ingressando numa etapa que pode ser definida como a era da nova convergência. O que conta agora são as experiências que se podem proporcionar ao usuário, seja pela TV, seja pelo home theater, por técnicas de iluminação, áudio, vídeo, jogos interativos ou serviços de informação". Essa nova convergência colocou a indústria eletrônica na corrida para obter o máximo de integração entre todos os tipos de conteúdos e equipamentos. Desse empenho estão nascendo as formas de lazer que em breve estarão tornando a vida das pessoas mais agradável.

 
 
 
 
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