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Guia Compra,
mamãe Quando ceder aos pedidos das crianças
Mais de 800 brinquedos foram lançados
para o Dia das Crianças. Mas o que elas querem mesmo é
ganhar celular, computador, TV e videogame 
Camila Antunes
Rubberball  |
De acordo com o instituto de pesquisas Data
Popular, os eletrônicos encabeçam a lista de desejos de meninos e
meninas a partir de 10 anos. Alguns pais, no entanto, relutam em dar tais presentes.
Uma das razões é o temor de que as crianças se excedam no
uso de recursos tecnológicos e assim "emburreçam" ou se viciem nas
telas. Mas a ciência já isentou os eletrônicos dessa culpa.
Estudos concluíram que o uso adequado da tecnologia ajuda a afiar a inteligência
dos pequenos. Outra razão para resistir à inserção
da tecnologia na vida dos filhos é o preço. Os pais sabem que o
investimento em um eletrônico caro não compensa por muito tempo.
A criança vai querer o que há de mais moderno e, se for sempre atendida,
pode crescer sem dar valor ao dinheiro.
Hora
de presentear VEJA perguntou a especialistas
em comportamento infantil em quais situações os pais devem dar aquilo
que os filhos pedem DINHEIRO
Ceder ou não? Ceder
Deve-se dar dinheiro na forma de mesada ou
semanada a crianças com mais de 5 anos. Trata-se de um bom instrumento
para ensinar noções de economia e administração. Especialistas
advertem, contudo, que não é bom aumentar a mesada quando o filho
tira notas altas ou diminuí-la quando ele decepciona. "A mesada não
é uma premiação, mas um instrumento de aprendizado financeiro
para a vida adulta", diz o psicólogo paulistano Marco Antonio De Tommaso.
Marcelo Kura  |
CELULAR
Ceder ou não? Depende
A maioria dos psicólogos e
educadores diz que os pais não devem dar um celular antes da adolescência.
O principal argumento é que uma criança deve estar sempre acompanhada
de um adulto e, portanto, não precisa de um telefone cuja principal função
é localizar uma pessoa em qualquer lugar. Alguns psicólogos ponderam
que o celular aproxima pais e filhos com rotinas agitadas. "Um pai que não
pode almoçar com o filho, e quer saber como ele foi na prova, pode ligar
ou mandar um torpedo. O filho, por sua vez, não precisa passar pela telefonista
da empresa para falar com o pai", diz a psicóloga Vera Zimmermann.
Marcelo Kura  |
COMPUTADOR
Ceder ou não? Ceder
Há programas desenvolvidos para crianças
a partir de 3 anos. Além de ajudar em trabalhos escolares, o PC também
serve para a comunicação com os pais que ficam on-line. Mas os especialistas
dizem que é importante monitorar as páginas visitadas pelos filhos
e aconselham o uso de softwares que impedem a visualização de conteúdo
pornográfico. "Não é uma invasão de privacidade. Assim
os pais apenas cumprem o seu papel", diz a psicóloga Lurdes Brunini. Recomenda-se
limitar o uso do computador a uma hora por dia, sem contar o tempo de estudo.
Fabio Mangabeira  |
ROUPAS
E ACESSÓRIOS DE MARCA
Ceder ou não? Depende
Um dos argumentos que convencem os pais é "todo mundo tem, menos eu". Mas,
diz a psicanalista Vera Iaconelli, dar tudo o que a criança pede só
porque ela leva em conta os gostos dos amigos pode fazê-la perder o senso
de individualidade. É preciso ensinar a seu filho que ele não precisa
ser igual aos outros. Se os pais não têm condições
financeiras de dar um tênis caro, o melhor é que sejam francos e
neguem. Se a família é rica e a criança já
tem uma respeitável coleção no armário , uma
saída é comprar a peça que o filho quer e descontar o valor
da mesada. Eles têm
tudo, mas seguem regras
Fabiano Accorsi  |
No quarto dos irmãos Fernandes
(Mariana, 9 anos, André, 8 anos, e Júlia, 6 anos) tem TV,
videogame e computador com internet sem fio. Cada uma das crianças tem
o seu iPod e seu celular. A mais velha possui um palmtop. Os pais, Ana Maria e
Euclydes, são favoráveis à tecnologia desde que os filhos
obedeçam a algumas regras. Eles têm uma boa fórmula para conciliar
a educação tradicional ao estilo de vida moderno: A
mesada é depositada no banco Todos os meses a mãe entrega
o dinheiro em espécie e leva os filhos até um caixa eletrônico.
Eles depositam a mesada e conferem os extratos das contas individuais. Fazem compras
com o cartão de débito. O
tempo de internet é limitado a uma hora Esse período é
estendido quando as crianças precisam usar a rede para trabalho escolar
e diminui nas semanas de prova. A
conta do celular é pós-paga O pai confere a conta na presença
das crianças. Elas sabem que não podem ultrapassar os 900 minutos
de conversa permitidos pelo plano familiar de cinco aparelhos. Usam o celular
para recados. Luta
contra o consumismo
Divulgação  |
Segundo a psicóloga americana
Susan Linn, professora da universidade de medicina de Harvard, os pais estão
perdendo autoridade sobre os filhos por causa das campanhas de marketing, que
incutem valores materialistas nas crianças. Linn concedeu a seguinte entrevista
a VEJA.
As crianças não
são espertas o bastante para definir seus gostos e vontades? Não.
Independentemente do empenho dos pais em tentar impor limites, a publicidade é
mais forte. Há gente especializada em explorar as fraquezas infantis e
campanhas muito agressivas na TV. As
crianças adoram jogos eletrônicos. Elas teriam interesse em brinquedos
artesanais? Tenho certeza de que sim. O que faz a diferença é
o estímulo. Outro dia dei uma boneca de pano a uma garota de 3 anos. Ela
ficou procurando botões e me perguntou se a boneca não falava. Eu
fiz o som de choro e disse que vinha da boneca. Na hora a menina entendeu que
a boneca podia falar o que ela imaginasse. Como
os pais podem ensinar o valor do dinheiro para as crianças? Um
bom começo é mostrar o valor das coisas que não podem ser
compradas: plantar uma árvore, contar uma história e inventar a
própria brincadeira. Qual
seu conselho para os pais na hora de comprar um brinquedo? Evitem brinquedos
que fazem tudo sozinhos. |