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Estilo Menos
é mais Há sessenta anos, um francês
inventou o biquíni. Alguém se lembra de como era a praia sem
ele? Fotos
divulgação
 |  | | Viva
a diferença: Jayne, de modelão de oncinha, e Brigitte, mais próxima da coisa verdadeira,
no fim dos anos 50 |
Quem vê uma
praia do Rio de Janeiro em domingo ensolarado custa a crer que o quadro à
sua frente, composto de um mar de curvas bronzeadas expostas em minúsculos
biquínis, começou a ser pintado há relativamente pouco tempo
não mais que dez presidentes da República atrás. Parte
integrante da alma, e do corpo, claro, do Brasil, o biquíni custou a emplacar
no país, muito embora não tenham faltado transgressoras quando a
indumentária foi torpedeada por dois bastiões da moral e dos bons
costumes: Jânio Quadros, que baixou uma lei proibindo seu uso em 1961, e
o Vaticano, que em 1964 tentou banir o biquíni nos países católicos.
Essas e outras histórias estão em The Bikini Book (O Livro
do Biquíni), lançado pela ex-modelo e jornalista americana Kelly
Killoren Bensimon para comemorar os sessenta anos da invenção da
primeira roupa feminina confeccionada com menos de 1 metro de tecido. Parte das
fotos e alguns modelos brasileiros estão expostos desde a semana passada
em São Paulo, no Istituto Europeo di Design. Belas mulheres, trajes sumários
e os suspiros saudosistas que acompanham praticamente tudo que tenha mais do que
cinco anos de vida como são fugazes os modismos do biquíni
formam um conjunto irresistível.
 | | Ursula
e seu biquíni branco: símbolo universal |
Estão
no livro os primeiríssimos biquínis de que se tem notícia,
mostrados num mosaico romano do século IV em que duas mulheres, saiote
e bustiê exíguos, praticam esportes. Kelly também relata a
conhecida disputa entre dois franceses pela invenção do sucessor
do duas-peças (diferença: o modelo transgressor descia barriga abaixo
até mostrar o ponto U, de umbigo), dias depois do teste americano com uma
bomba atômica no Atol de Bikini, no Pacífico primeiro, Jacques
Heim apresentou o "atome" como "o menor maiô do mundo"; em seguida, Louis
Réard mostrou o "bikini, menor que o menor maiô do mundo", e ficou
com a fama. Escandaloso para a época, o biquíni primeiro ganhou
fama no cinema, em deusas sensuais que as mulheres admiravam, mas não imitavam.
Jayne Mansfield, 104 de busto e o mesmo número de neurônios,
diziam os ressentidos , foi a precursora que avançou um pequeno centímetro
até mostrar o umbigo, proibido pelo código que regia o cinema americano,
em filmes e fotos sendo uma das mais famosas a de biquíni de oncinha,
no ombro do marido, Mickey Hargitay, no fim dos anos 50.
 | | (Des)vestindo
Fernanda: da praia para as revistas, como artigo de luxo |
Na
mesma época, o modelão de Jayne já parecia pré-histórico
se comparado ao sopro revolucionário promovido pelo diretor francês
Roger Vadim, que desvestiu sua então mulher Brigitte Bardot em biquínis
já mais parecidos com os de verdade (e sem eles também), disseminando
o uso dos dois pedacinhos de pano primeiro na Riviera Francesa e depois no resto
do universo conhecido. Em poucos anos, o desfile de biquínis em praias
e telas se tornaria absolutamente corriqueiro, embora até hoje ninguém
deixe de perder o fôlego diante da legendária imagem de Ursula Andress
emergindo das ondas em O Satânico Doutor No, de 1962, para se transformar
em símbolo mundial do poder do biquíni. Um poder entendido, trabalhado
e exercido em todos os seus minúsculos detalhes no Brasil (prova máxima:
a modelo Fernanda Tavares, gloriosa, em foto de moda tirada pelo badalado ex-marido
de Kelly, o francês Gilles Bensimon). Tanga, asa-delta e fio-dental são
algumas das contribuições nacionais exaltadas no livro. Como em
muitas das grandes invenções, o acaso teve seu papel. David Azulay,
53 anos, dono da primeira (1972) marca de biquínis do país, a Blueman,
não leu The Bikini Book, mas estava lá e lembra como as brasileiras
começaram a encolher o que já era mínimo. "Num verão,
apareceu o biquíni de crochê, que ficava todo torto quando molhava.
Para segurar no lugar, as mulheres enrolavam a lateral. Assim nasceu a tanga",
conta. O resto é história. |