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Ginástica Os
choquinhos da boa forma A eletroestimulação
chega às academias de ginástica para melhorar os resultados
da malhação  Anna
Paula Buchalla
Fabiano
Accorsi
 | | Daniela
Franco, durante seu treino diário, com o aparelho: no caso dela, a eletroestimulação
serve para evitar que seus músculos inflem demais |
Você
se esfalfa na esteira, sua a camiseta nos aparelhos e, apesar de todo o esforço,
apenas 70% dos músculos que interessam ao espelho são trabalhados
pela ginástica. Não adianta: o corpo tem seus limites e, sem aditivos,
não se vai além disso. Utilizar 100% das fibras musculares durante
o exercício físico, fora do âmbito das fraudes químicas,
é uma questão sobre a qual a ciência do esporte tem se debruçado
há pelo menos três décadas. Os melhores resultados foram obtidos
por intermédio da eletroestimulação. Criados nos anos 70,
os dispositivos que estimulam músculos foram projetados inicialmente para
atender portadores de atrofias causadas por deficiências motoras e vítimas
de paralisia. Numa etapa seguinte, eles passaram a ser usados por atletas de alta
performance como forma de otimizar o treinamento. E agora... Sim, seus problemas
acabaram: a eletroestimulação está no cardápio de
academias de ginástica, à disposição de quem busca
braços e pernas torneados e abdômen do tipo "tanquinho". A técnica
evoluiu tanto que, hoje, é possível acionar até 95% das fibras
musculares, de acordo com William Morales, especialista em fisiologia do exercício.
O princípio da eletroestimulação
é simples: eletrodos colocados sobre a musculatura a ser exercitada são
ligados por fios a um equipamento do tamanho de um palm na verdade, um
computador capaz de enviar estímulos elétricos diretamente aos músculos.
A quantidade de áreas trabalhadas depende da intensidade do impulso elétrico
quanto menor a freqüência, mais fortes são os estímulos
e maior será o número de fibras ativadas. Inclusive aquelas das
camadas mais profundas, que não respondem aos exercícios simples.
A eletroestimulação é contra-indicada para pacientes cardíacos
e portadores de marca-passo. Para quem não apresenta esses problemas, o
único inconveniente é sair da sessão de ginástica
com algumas marcas roxas espalhadas pelo corpo, provocadas pela pressão
dos eletrodos sobre a pele. É
bom deixar claro que a eletroestimulação de academia não
tem nada a ver com aquelas geringonças vendidas na televisão que
prometem um corpo sequinho e bombado sem a necessidade de atividade física.
Pensando bem, seus problemas não acabaram: inexistem milagres quanto à
forma física. Só sangue, suor e, talvez, algumas lágrimas.
Para não falar de choques. "A eletroestimulação é
um complemento aos exercícios. Serve para potencializá-los", diz
Filippo Dutto, importador do aparelho suíço Compex, uma das três
marcas já presentes no mercado brasileiro. Um mesmo aparelho é programável
para várias funções, dependendo das conveniências e
necessidades do usuário. Há regulagens diferentes para hipertrofia,
força ou resistência, entre outras possibilidades. O preço
encaixa-se no primeiro caso é hipertrofiado (a menos, claro, que
você seja uma Lucilia Diniz). Um dispositivo custa entre 1 000 e 5 000 reais.
Os fabricantes de alguns modelos vendem a idéia de que a eletroestimulação
também acelera a eliminação de ácido lático,
responsável pela sensação dolorosa do dia seguinte. Só
falta fazer laranjada... Ou melhor, laranjada, não, que engorda. Açaí
com guaraná. Os dispositivos
aumentam músculos, mas podem, ainda, evitar que eles inflem demais. Pois
é, talvez não seja o seu caso, leitor, mas há quem, por obra
da genética, tem propensão a ganhar massa muscular com mais facilidade.
"A eletroestimulação foi a maneira que encontrei para manter as
formas definidas sem virar um brutamontes", diz Daniela Franco, que se exercita
com o auxílio do equipamento. Vai um choquinho aí?  |  |
O EFEITO MASSARANDUBA
Por que será que, à visão de um sujeito marombado sendo arrastado
por seu pit bull, ao estilo Massaranduba, do programa Casseta & Planeta,
pensa-se logo num ser, digamos, de argumentos frágeis? Para além
do preconceito (coitadinhos dos fortões) e de alguma constatação
empírica, vá lá, a ciência parece ter uma resposta.
Testosterona em excesso pode matar neurônios, dizem pesquisadores da Universidade
Yale. O hormônio, lembre-se, é a base dos principais anabolizantes
utilizados para inflar músculos. A descoberta, publicada no Journal
of Biological Chemistry, uma revista científica americana, ajuda a
explicar o motivo que leva alguns espécimes masculinos a ter uma agressividade
proporcional ao tamanho de seus músculos. Com menos neurônios, eles
ficariam mais propensos a mudanças abruptas de humor. Nas doses certas,
produzidas pelo organismo, testosterona é essencial. Mas testes de laboratório
mostram que, em níveis acima dos desejáveis, o hormônio faz
com que os neurônios acabem se autodestruindo, num processo parecido com
o que acontece com as vítimas do Alzheimer. Morrem por apoptose, uma espécie
de suicídio celular. A testosterona é o bad boy da vez na área
hormonal. Numa revisão de uma centena de estudos, pesquisadores da Universidade
da Pensilvânia concluíram que níveis elevados desse hormônio
estão associados também a comportamentos de risco, como fumar, beber
e, a reforçar a pesquisa de Yale, envolver-se em brigas e acidentes. "Por
isso, da próxima vez que um bombadão o fechar no trânsito,
não se irrite. Respire fundo e pense que não é culpa dele",
escreveu a pesquisadora Barbara Ehrlich. A culpa é da falta de neurônios,
por causa do excesso de testosterona. Mas não diga isso ao moço,
que ele pode agir como o Massaranduba. | |
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