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Internacional
Sem moral no Congresso
Republicanos tentam explicar por que esconderam o assédio sexual feito
por um de seus deputados  Denise
Dweck
Rick
Mckay/NYT
 | | O
deputado Foley: mensagens obscenas a jovens |
Os
republicanos têm dois argumentos para convencer o eleitor americano a manter
a maioria que o partido desfruta no Congresso. O primeiro, naturalmente, é
o de que só a direita pode garantir a segurança dos Estados Unidos.
Como se sabe, essa afirmação perdeu substância depois do fiasco
da guerra no Iraque. O segundo argumento é o de que o partido representa
um bastião em defesa dos valores morais e familiares dos americanos. Pois
essa certeza também acaba de ser pulverizada por um choque de realidade
mais precisamente um escândalo sexual protagonizado por um importante
parlamentar republicano chamado Mark Foley. Deputado pela Flórida por seis
mandatos, Foley renunciou a sua cadeira depois que se tornou público que
enviava e-mails indecentes para adolescentes que trabalham como estafetas no Congresso.
A um mês das eleições parlamentares, o partido precisa explicar
por que escondeu e protegeu o comportamento indevido do deputado.
Algumas das mensagens eletrônicas enviadas por Foley foram divulgadas pelo
site do canal ABC há duas semanas. Em uma delas, o deputado perguntava
se o contínuo ficava excitado com a troca de mensagens safadas pela internet.
Em outra, convidava um rapaz para beber em sua casa. "Estou com saudade", escreveu.
Não se sabe se Foley, de 52 anos, chegou a fazer sexo com os garotos. Na
semana passada, o político fez três revelações por
meio de um advogado: é alcoólatra, foi abusado sexualmente por um
padre na adolescência e é gay. Dito isso, internou-se numa clínica
de reabilitação de alcoólatras.
Jim
Young/Reuters
 | | Bush:
maioria no Congresso ameaçada por fiasco no Iraque e pelo caso Foley |
A
hipocrisia de Foley está menos em ter escondido sua preferência sexual
dos eleitores e mais por se apresentar na vida pública como um defensor
dos direitos das crianças: ele era o presidente da Comissão para
Crianças Desaparecidas e Exploradas da Câmara dos Deputados. Em julho,
apresentou um projeto de lei para proteger menores de abusos sexuais pela internet.
Na semana passada, o foco do escândalo desviou-se da conduta de Foley para
a tentativa de seus colegas de partido de acobertar o caso. A pressão maior
caiu sobre o presidente da Câmara, Dennis Hastert, que, segundo depoimento
de assessores e outros deputados, foi informado do comportamento de Foley há
pelo menos um ano e nada fez para investigá-lo. "Isso causa perplexidade
porque foram os republicanos que transformaram os aspectos da vida privada, da
família e do comportamento dos homens públicos em fatores fundamentais
na política americana", disse a VEJA o cientista político Paul Apostolidis,
do Whitman College, em Washington.
A história mostra que os eleitores americanos são mais tolerantes
em relação a deslizes pessoais do que à mentira e à
hipocrisia. Em 1998, o presidente Bill Clinton precisou expiar seus pecados em
público não por ter cometido adultério dentro da Casa Branca,
mas por ter mentido sobre o affair com uma estagiária. Não é
a primeira vez que deputados se envolvem sexualmente com os jovens estafetas do
Congresso. Em 1983, tornou-se público que dois deles haviam tido relações
com estagiários, um deles um rapaz. Depois de comprovado que o sexo ocorreu
com o consentimento dos jovens, nada impediu que um dos políticos fosse
reeleito várias vezes. A diferença entre aquele episódio
e o da semana passada é que o escândalo de 1983 foi investigado pelos
parlamentares tão logo veio à tona.
A reação dos republicanos ao caso Foley foi de, primeiro, minimizar
o problema e, em seguida, tentar convencer a opinião pública de
que não sabiam de nada exatamente o mesmo tipo de comportamento
que roubou votos do presidente Lula nas eleições presidenciais.
Bush tem motivos para temer o mesmo nos Estados Unidos. O Partido Democrata precisa
tomar apenas quinze cadeiras dos republicanos, nas eleições de 7
de novembro, para ganhar maioria na Câmara dos Deputados. |