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Brasil
Comunistas profissionais
A conta das indenizações para anistiados
políticos já passa dos R$ 3 bilhões
Celso Junior/AE
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| O procurador Lucas Furtado: "O Orçamento não
agüenta" |
Comprovar ter sido vítima
de algum tipo de perseguição política é
um bom caminho para enriquecer rapidamente no Brasil. A Comissão
de Anistia, vinculada ao Ministério da Justiça e criada
para analisar pedidos de indenizações de ex-perseguidos
políticos, aprovou na semana passada mais um lote de requerimentos.
O total de indenizações a anistiados já passa
de 3 bilhões de reais, devidos a mais de 14.000 requerentes
dinheiro suficiente para concluir a ferrovia SantosCuiabá,
um dos projetos mais urgentes do país.
Desse total, a União tem
pago as compensações estabelecidas em uma única
parcela quando o anistiado não comprova vínculo
empregatício na época em que teria sido prejudicado.
Também vêm sendo pagas as parcelas das aposentadorias
estabelecidas para os que tinham carteira de trabalho assinada.
Só não vem acontecendo em volume significativo o pagamento
das indenizações de caráter retroativo, verdadeiras
boladas calculadas com base na soma de todos os salários
que o beneficiado teria recebido ao longo dos anos se tivesse permanecido
no emprego até hoje incluindo, em vários casos,
até as promoções a que teoricamente teria direito
(veja o quadro).
Só essa parte representa uma soma superior a 2 bilhões
de reais, que vai sendo jogada, de exercício em exercício,
sem que se estabeleça previsão para o pagamento no
Orçamento da União.
"Não há Orçamento
que agüente essas indenizações", diz o procurador
da República Lucas Furtado, que no ano passado apresentou
uma representação contra esses benefícios.
A Comissão de Anistia ainda tem 27.000 pedidos para avaliar.
Em tese, é aceitável indenizar quem sofreu restrições
de trabalho em razão de perseguição política
desde que o benefício se referisse apenas ao período
em que essa violência ocorreu. No Chile e na Argentina também
há leis a respeito, mas com pagamentos bem menores que no
Brasil.
"Fiquei muito surpresa com o
valor", diz a jornalista Iza Barreto de Salles, agraciada no lote
mais recente de indenizações com 1,8 milhão
de reais a título retroativo mais uma pensão mensal
de 9.000 reais. "Acho o pagamento retroativo dispensável
porque faz a gente ser comparada aos mensaleiros." Militante da
VPR na década de 1970, Iza ficou presa por seis meses e perdeu
o emprego de chefe de pesquisas. Um tempo depois, voltou a trabalhar.
Somente há três anos, ao ser demitida, decidiu esforçar-se
pela reparação, motivada pelos outros casos de pessoas
que tiraram a sorte grande na Comissão de Anistia.
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OS DEZ MAIS
Os beneficiados
com as maiores indenizações aprovadas
pela Comissão de Anistia
SERGIO DA SILVA
DEL NERO
R$ 3 427 296,93
DENIS TOLEDO MARTINS
R$ 3 132 458,16
JOSÉ CARLOS
DA SILVA AROUCA
R$ 2 978 185,15
ANTONIETA VIEIRA
DOS SANTOS
R$ 2 958 589,08
ROMEU RODRIGUES
DA VEIGA FILHO
R$ 2 918 424,39
DITMAR FRIEDRICH
MULLER
R$ 2 895 948,11
CARLOS ALBERTO
RAMOS JULIO
R$ 2 793 339,66
PAULO CANNABRAVA
FILHO
R$ 2 770 219,00
LUIZ ANDRÉ
BECKMANN ANET
R$ 2 739 609,09
RENATO LEONE MOHOR
R$ 2 713 540,08
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