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Brasil
| Eleições 2006 Nova geografia
Números sugerem que o PT fez sucesso nas urnas, mas o partido está
no rumo do grotão  Alexandre
Oltramari
Rejane
Carneiro/Ag. A Tarde
 | | Militantes
festejam vitória de Wagner, na Bahia: o partido virou refém do Nordeste |
Examinando-se os números brutos, ficou a impressão de que o PT,
mesmo depois de um escândalo atrás do outro, surpreendeu nas urnas.
Embora as projeções dos analistas variassem, ninguém acreditava
que o partido seria capaz de eleger mais do que 75 deputados. Pois o PT extrapolou
essa marca, elegendo 83 deputados federais, e ainda cravou um recorde: obteve
13,9 milhões de votos para a Câmara dos Deputados, a maior votação
de um partido nestas eleições. Outro dado que lustrou o desempenho
do PT nas urnas foi a eleição para governador. Antes, o partido
tinha apenas três governos estaduais. Agora, conseguiu quatro. Conquistou,
já em primeiro turno, o governo da Bahia, o quarto maior eleitorado do
país, onde o senador Antonio Carlos Magalhães reinava há
dezesseis anos ininterruptos. Ainda está na disputa em dois estados, o
Rio Grande do Sul e o Pará.
Analisado sob esse ângulo, o desempenho eleitoral do PT soa luminoso e faz
parecer que o eleitorado não deu a mínima para o mensalão,
os dólares na cueca, a Land Rover, a mala de dinheiro sujo... Mas é
um engano. Debulhando-se os números, descobre-se que, em comparação
com a eleição realizada em 2002, o PT perdeu 2,1 milhões
de votos, numa proporção parecida com as perdas do PFL (veja
o gráfico). O dado mais significativo do desempenho eleitoral do PT,
no entanto, talvez esteja na distribuição do seu novo eleitorado:
sua popularidade despencou nos estados do Sul e Sudeste e disparou no Norte e
Nordeste, acompanhando a divisão geográfica da votação
do presidente Lula. Ou seja: o partido que nasceu urbano, fruto da confluência
do movimento sindical e da intelectualidade acadêmica, está caminhando
no rumo dos grotões. Na eleição
passada, o deputado petista mais votado em São Paulo foi José Dirceu,
hoje cassado. Obteve 557.000 votos. Agora, o petista mais bem votado em São
Paulo, o mensaleiro João Paulo Cunha, conseguiu menos de um terço
da votação de Dirceu 177 000 votos. A nova rota do PT em
direção aos grotões é resultado dos sucessivos escândalos
que causaram a perda do voto de classe média, mas há outro fator
relevante o impacto eleitoral do Bolsa Família. No Nordeste está
metade dos recursos do programa, algo como 6 bilhões de reais. O cientista
político Fernando Abrucio, da Fundação Getulio Vargas, explica:
"Já se sabia que o Bolsa Família iria trazer muitos votos para o
presidente Lula. A novidade é que os candidatos a deputado do PT também
souberam tirar benefícios eleitorais do programa". |