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Televisão
Quero ser grande
A Record investe em novos nomes
e numa nova programação em
busca de um público qualificado

Ricardo Valladares
Divulgação
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| Ana Hickmann: 1 000 reais para cada centímetro
de perna |
Desde sua aquisição pela Igreja Universal, em 1989,
a Rede Record vive em busca de uma identidade. Ela já foi
uma emissora evangélica, devotada a conquistar fiéis
para o culto do pastor Edir Macedo, e já foi uma emissora
popularesca, decidida a inchar sua audiência com o auxílio
das apelações do Cidade Alerta e da casca-grossa
de um Ratinho ou de um Gilberto Barros. Agora, numa nova guinada,
a Record decidiu mirar no "público qualificado". Quer fazer
uma televisão que seja aceita pelas classes A e B, que atraia
anunciantes e dinheiro para os cofres. A criação de
programas como o Domingo Espetacular, um show de variedades
"família" que estreou em abril, foi um primeiro passo nessa
direção. E há mais a caminho. No ar desde 1995,
o Cidade Alerta está com os dias contados. Na semana
passada, ele cedeu uma hora de seu tempo para o programa Tudo
a Ver, que tem o jornalista Paulo Henrique Amorim como âncora
e a supermodelo Ana Hickmann como grande enfeite. Em setembro, o
sangrento policial será extinto de vez, dando lugar à
novela A Escrava Isaura. Outras novidades anunciadas pela
Record são dois programas com o humorista Tom Cavalcante
e o reality show A Grande Chance, versão brasileira
de O Aprendiz, estrelado nos Estados Unidos pelo magnata
Donald Trump. Nos últimos meses, a emissora investiu 60 milhões
de reais para desenvolver projetos, comprar equipamentos, ampliar
instalações e contratar mais de 200 pessoas.
Divulgação
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| Cena da nova versão de A Escrava
Isaura: a Globo está de olho |
Em sua busca de identidade, a Record não se envergonha de
imitar. "Estamos copiando a Rede Globo em muita coisa", assume o
presidente da emissora, Dennis Munhoz. De câmeras a cenógrafos,
muitos profissionais dos bastidores vieram da rede carioca. O mesmo
vale para algumas personalidades que aparecem na tela. Celso Freitas,
por exemplo, comanda atualmente o Domingo Espetacular, mas
foi o locutor oficial do Fantástico por muitos anos.
Mais ousada foi a contratação do humorista Tom Cavalcante,
cujo acordo com a Globo ainda estava em vigência. Para arrancá-lo
da concorrente, a Record praticamente quadruplicou o salário
de 80.000 reais que ele recebia e ainda
lhe ofereceu a oportunidade de ampliar seus ganhos explorando o
merchandising em dois programas um talk-show diário
e um humorístico semanal. Tudo indica que a emissora ainda
terá de bancar uma multa pesada por rescisão de contrato,
uma vez que a Globo decidiu que não vai deixar por menos
a deserção do comediante. Para piorar, a novela A
Escrava Isaura pode ser pivô de outra batalha entre as
duas emissoras. Uma primeira versão dessa trama, baseada
num romance do autor Bernardo Guimarães, foi gravada em 1976
pela Globo e tornou-se uma das novelas brasileiras mais exportadas
mundo afora. A Globo já avisou que vai estudar medidas legais
se considerar que a nova produção da Record é
um remake de sua antiga novela. O diretor Herval Rossano, ao menos,
já é o mesmo nos dois casos.
Entre as novas contratações
da Record, a esfuziante modelo Ana Hickmann é vista como
uma grande aposta. Pródiga com suas estrelas, que estão
entre as mais bem pagas da televisão (veja
quadro), a Record ofereceu 120.000
reais por mês à estreante 1.000
reais para cada centímetro de suas pernas, que se alongam
por 1,20 metro e estão entre as mais celebradas da moda nacional.
Por enquanto, a tarefa de Ana é prestar consultoria de estilo
aos espectadores do Tudo a Ver, mas há quem acredite
que ela pode ocupar um espaço que já foi de Adriane
Galisteu. Adriane andou negociando sua transferência para
o SBT com Silvio Santos. Até quinta-feira passada ela ainda
não havia fechado contrato e, para todos os efeitos, ainda
fazia parte do elenco da Record. Se seus planos derem errado, é
certo que amargará um longo período na geladeira da
emissora. As gravações do É Show, que
ela comandava, serão interrompidas na semana que vem e depois
só reprises irão ao ar. Enquanto Adriane acerta sua
saída da Record, seu ex-marido, o publicitário Roberto
Justus, negocia sua participação no reality show A
Grande Chance. A intenção é que ele desempenhe
o papel que nos Estados Unidos coube ao empresário Donald
Trump: testar e demitir, até que sobre apenas um, jovens
executivos que se digladiam por um emprego. "Uma coisa é
certa: meu topete é bem melhor que o do Trump", diz Justus.
Ao renovar sua programação,
a Record espera emancipar-se de vez, do ponto de vista financeiro,
da Igreja Universal. Uma emancipação completa obviamente
não ocorrerá. Um conselho de bispos ainda se reúne
periodicamente para avaliar os rumos da emissora, e uma boa fatia
da programação continua destinada às atrações
evangélicas. Mas, assim como essa fatia se limita atualmente
à faixa da madrugada, entre 0h30 e 7h, os aportes de dinheiro
da Igreja, que já foram de 10 milhões de reais por
mês, são cada vez menos necessários para que
o canal feche as contas. O faturamento da Record está crescendo.
Neste ano, ele pode chegar aos 500 milhões de reais. "Com
a casa em ordem, vamos lutar pelo nosso objetivo maior, que é
tirar do SBT o segundo lugar entre os canais do país", diz
Dennis Munhoz.
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