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Espaço
Rumo ao inferno
A sonda Messenger, da Nasa,
parte em
direção a Mercúrio, o planeta mais próximo
do Sol e o menos estudado do sistema solar

Thereza Venturoli
Mercúrio, o planeta
mais próximo do Sol, é um corpo pequeno, cinzento,
com a superfície marcada por crateras, quente demais de dia
e gélido à noite um verdadeiro inferno no céu.
A única "visita" a Mercúrio ocorreu há trinta
anos, quando a sonda americana Mariner 10 mapeou menos da metade
de sua superfície. Os dados colhidos na época, porém,
foram suficientes para acirrar a curiosidade sobre o ambiente mercuriano.
Agora, com a sonda Messenger, lançada pela agência
espacial americana Nasa em 3 de agosto, os astrônomos querem
entender os mistérios de Mercúrio (veja
quadro).
A Messenger levará
sete anos para percorrer quase 8 bilhões de quilômetros
até chegar a seu destino. Mercúrio não está
tão longe assim, claro. Mas as sondas espaciais não
seguem linhas retas, como as rotas de avião. Elas viajam
em ziguezague, circundando os planetas várias vezes
uma forma de acelerar, frear e manobrar no espaço. A Messenger
vai passar pela Terra de novo em 2005, depois por Vênus e,
só então, rumar para Mercúrio.
Conhecer melhor Mercúrio
pode ajudar a decifrar detalhes da formação dos planetas
mais próximos de uma estrela, como Vênus, Marte e a
própria Terra. No caso de corpos mais afastados, como Júpiter
e Saturno, gases e grãos de poeira se juntaram e solidificaram
ajudados pelo gelo que reveste cada partícula. "Mas, perto
demais do Sol, a temperatura altíssima deve ter derretido
o gelo. Como, então, os grãos de rocha e de metal
se juntaram?", exemplifica o astrônomo Augusto Damineli, do
Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas
da Universidade de São Paulo. Se tudo correr bem, a Messenger
(palavra que significa mensageiro, em inglês referência
ao deus grego Hermes, o Mercúrio dos romanos) deve trazer
informações que nos façam compreender um pouco
mais da história do sistema solar.
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