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Internacional
Todos lamentam o muro
A barreira que Sharon está construindo
para proteger o país do terror é inútil
para conter outro medo: uma maioria
árabe em Israel. Por isso ele quer atrair
imigrantes judeus de todo o mundo

Antonio Ribeiro, de Paris
A França e Israel se consideram países
amigos, mas vivem às turras. A ocupação colonial
e militar israelense nos territórios palestinos não
desperta simpatia alguma do governo francês, cuja posição
minimiza as circunstâncias atenuantes evocadas por Israel
e provoca suspeita manifesta de ser pró-árabe. A recrudescência
das agressões anti-semitas na França preocupa Israel.
Só no primeiro semestre deste ano, o Ministério do
Interior francês registrou 510 casos, contra 593 ocorridos
durante todo o ano passado. Os esforços do governo francês
para conter a onda de violência contra membros da comunidade
judaica recebem das autoridades israelenses adjetivos que variam
de "apáticos" a "insuficientes". Os franceses reprovam os
israelenses pelo uso indiscriminado do termo "anti-semita", aplicado
segundo o governo para desacreditar a diplomacia francesa.
AFP
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| Judeus franceses são saudados em Israel: esperança
na imigração |
O embaixador de Israel na ONU, Dan Gillerman,
acusou recentemente a França de ser o pivô da resolução
da Assembléia-Geral que condenou o muro erguido por Israel
para separar o país da Cisjordânia. Salvo os Estados
Unidos, aliados incondicionais de Israel, o voto foi unânime.
Em visita à clausura imposta pelos israelenses ao presidente
da Autoridade Nacional Palestina, Yasser Arafat, em Ramallah, o
ministro francês das Relações Exteriores, Michel
Barnier, manifestou de lá solidariedade aos palestinos e
exortou Israel a romper o confinamento "indigno". Só conseguiu
enfurecer os israelenses. O comando corrupto e nepotista do septuagenário
líder palestino é contestado nas ruas até por
militantes armados do seu partido. A França ainda considera
Arafat um interlocutor válido.
O líder israelense Ariel Sharon piorou
ainda mais as coisas quando exortou os judeus franceses a se mudar
para Israel. Para o senador Robert Badinter, filho de judeus deportados,
Sharon feriu os judeus franceses, ligados por uma "extraordinária
aliança" com a república, que, por sua vez, fora "ultrajada".
O ex-ministro da Justiça do governo Mitterrand, célebre
por ter abolido a pena de morte no país da guilhotina e figura
de reserva moral da nação nas erupções
das polêmicas, também tomou as dores dos "5 milhões
de muçulmanos franceses, estigmatizados como anti-semitas".
No entanto, os 600.000 judeus franceses
permanecem preocupados. Se antigamente eles eram vítimas
dos skinheads simpatizantes da extrema direita xenófoba e
racista, agora os autores das agressões são jovens
de origem magrebina mal integrados à sociedade francesa que
buscam no conflito israelo-palestino o carburante para mover seus
atos violentos. As estatísticas mostram uma correlação
entre o início da segunda intifada nos territórios
palestinos com a retomada, na França, das injúrias,
agressões físicas, explosões de bombas em sinagogas
e escolas judaicas e da profanação de túmulos
nos cemitérios judeus.
AFP
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| Ataque contra cemitérios judeus na França:
cresce o anti-semitismo |
A despeito do formidável poderio militar
israelense, os judeus serão sempre minoritários no
Oriente Médio. Às margens do Mar Mediterrâneo,
cercado por vizinhos árabes, Israel assiste a sua população
muçulmana crescer duas vezes mais rápido que os cidadãos
de confissão judaica. A taxa de natalidade de 3,4% entre
os árabes-israelenses em 2003 foi uma das maiores do mundo.
Caso a tendência não se reverta, as projeções
demográficas apontam para um Estado judaico de Israel habitado
por uma maioria muçulmana. O governo israelense vê
a perspectiva como uma bomba de efeito retardado a ser desativada.
A doutora Milica Bookman demonstra em The Demographic Struggle
for Power que o crescimento populacional de um grupo nas sociedades
multiculturais aumenta seu poder político e legitima suas
reivindicações. As grandes ondas migratórias
dos judeus da ex-União Soviética e de países
do Leste Europeu para Israel, que amorteciam o efeito, não
existem mais. A Agência Judaica contabiliza um número
decrescente de judeus imigrando e, embora seja um assunto tabu em
Israel, muitos estão tomando o caminho de volta. Hoje, quando
um vôo de imigrantes aterrissa em Tel-Aviv, o aeroporto se
transforma em salão de festas e, no espaço de minutos,
os recém-chegados em israelenses. Ariel Sharon, que muitas
vezes vai pessoalmente recepcioná-los, quer levar para Israel
1 milhão de membros da diáspora judaica nos próximos
dez anos. O segundo maior contingente de judeus do planeta fora
de Israel vive num país amigo, a França.
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