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Moda
Nem sexy nem patricinha
Ao misturar grifes de luxo com
peças de brechó, a personagem
Duda moderniza o figurino global

Roberta Salomone
Fotos Oscar Cabral
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| Nas combinações, o segredo: bata sobre camiseta,
casaco esporte e pregas, saia bordada, calça de grife com bolsa
de brechó e barra de tule |
Entre a gravação de uma cena
e outra de Senhora do Destino, Débora Falabella lê
um livro, fala ao telefone e conversa com os colegas de elenco
tudo equilibrada sobre escarpins e sandálias bem altos, aos
quais teve de se acostumar para incorporar a personagem Maria Eduarda,
a Duda. Saltos do ofício: Débora tem 1,60 metro; sua
mãe na novela, Ângela Vieira, tem 1,70 metro; seu par
romântico, Marcello Antony, 1,87 metro. "Não estava
acostumada. Tem dia em que os pés doem muito", conta Débora,
na única queixa sobre o figurino que, no ar há pouco
mais de um mês, já entrou para a categoria das coisas
que todas as mulheres querem usar. Até aí, normal:
praticamente cada novela da Globo inventa uma moda nova. A diferença
é que, em Dancin'Days, o grande sucesso eram as meias
de lurex de Júlia; em O Clone, as jóias de
Jade; em Celebridade, a microssaia de Darlene. Já
em Senhora do Destino, o que faz sucesso são a flor
no cabelo, a saia rodada, o casaco branco de pompons, a blusinha
verde-limão, os tais escarpins, enfim, tudo o que Duda usa.
É a primeira vez que o guarda-roupa
inteiro de uma personagem provoca congestionamento nos telefones
e e-mails da central de atendimento da TV Globo mérito
da figurinista Beth Filipeck, que vestiu a designer Duda com peças
que fogem à mesmice do padrão global para personagens
jovens e chiques. Seu segredo é uma criativa mistura de peças
antigas, garimpadas em brechós, e outras novíssimas,
de grifes famosas ou nem tanto. "Todas as combinações
revelam um ar doce e romântico que é característico
da Duda", explica Beth, que diz ter buscado inspiração
em Sininho, a fada amiga de Peter Pan. O resultado não é
sexy nem roqueiro, muito menos patricinha. É simplesmente
moderno, com o tipo de mistura que poucas mulheres fazem e, quando
fazem, poucas vezes acertam.
Divulgação/TV Globo
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| Duda com Raul Cortez e Glória Menezes, seus
avós na novela: a blusa transparente sobre regata verde-limão
virou marca |
Na arara em que ficam as roupas de Duda, no
Projac, imperam as saias, sempre na altura do joelho ou abaixo.
Algumas pregueadas, totalmente clássicas, são usadas
com casaquinho de inspiração esportiva. Outras, exclusivérrimas,
são bordadas a mão ou ganham barra de tule. Trench
coats, os casacos tipo capa de chuva, aparecem sobre vestido de
festa. A elegante calça de risca de giz é combinada
com uma despretensiosa bolsa de crochê bege e camisetinhas
sobrepostas, quase tudo de brechó. De sensual, a batinha
cor-de-rosa vira fashion sobre uma regata azul-clarinho básica.
A roupa que Débora usa na abertura da novela é a marca
registrada: à calça comprida preta com camiseta verde-limão
que muitas usariam foi acrescentada uma blusinha transparente com
desenhos pintados de flores, descoberta em um dos garimpos de Beth.
Nos acessórios, destacam-se os relógios antigos usados
com pulseira de lenço ou fita de cetim e os prendedores de
cabelo em forma de borboletas, flores, folhas e pássaros.
Com 27 anos de carreira e cerca de trinta novelas e minisséries
no currículo, a carioca Beth Filipeck, 51, comemora o sucesso
de Duda e trata de administrar o assédio das grifes, que
querem porque querem vestir Débora da cabeça aos pés.
Beth até aceita algumas, mas prefere continuar enfurnada
em brechós ou mandar fazer na costureira. "Cada peça
tem uma história. Quem assiste à novela pode até
tentar copiá-la, mas nunca vai conseguir ficar igual", desafia.
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