Edição 1866 . 11 de agosto de 2004

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Moda
Nem sexy nem patricinha

Ao misturar grifes de luxo com
peças de brechó, a personagem
Duda moderniza o figurino global


Roberta Salomone

 
Fotos Oscar Cabral
Nas combinações, o segredo: bata sobre camiseta, casaco esporte e pregas, saia bordada, calça de grife com bolsa de brechó e barra de tule

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Entre a gravação de uma cena e outra de Senhora do Destino, Débora Falabella lê um livro, fala ao telefone e conversa com os colegas de elenco – tudo equilibrada sobre escarpins e sandálias bem altos, aos quais teve de se acostumar para incorporar a personagem Maria Eduarda, a Duda. Saltos do ofício: Débora tem 1,60 metro; sua mãe na novela, Ângela Vieira, tem 1,70 metro; seu par romântico, Marcello Antony, 1,87 metro. "Não estava acostumada. Tem dia em que os pés doem muito", conta Débora, na única queixa sobre o figurino que, no ar há pouco mais de um mês, já entrou para a categoria das coisas que todas as mulheres querem usar. Até aí, normal: praticamente cada novela da Globo inventa uma moda nova. A diferença é que, em Dancin'Days, o grande sucesso eram as meias de lurex de Júlia; em O Clone, as jóias de Jade; em Celebridade, a microssaia de Darlene. Já em Senhora do Destino, o que faz sucesso são a flor no cabelo, a saia rodada, o casaco branco de pompons, a blusinha verde-limão, os tais escarpins, enfim, tudo o que Duda usa.

É a primeira vez que o guarda-roupa inteiro de uma personagem provoca congestionamento nos telefones e e-mails da central de atendimento da TV Globo – mérito da figurinista Beth Filipeck, que vestiu a designer Duda com peças que fogem à mesmice do padrão global para personagens jovens e chiques. Seu segredo é uma criativa mistura de peças antigas, garimpadas em brechós, e outras novíssimas, de grifes famosas ou nem tanto. "Todas as combinações revelam um ar doce e romântico que é característico da Duda", explica Beth, que diz ter buscado inspiração em Sininho, a fada amiga de Peter Pan. O resultado não é sexy nem roqueiro, muito menos patricinha. É simplesmente moderno, com o tipo de mistura que poucas mulheres fazem e, quando fazem, poucas vezes acertam.

Divulgação/TV Globo
Duda com Raul Cortez e Glória Menezes, seus avós na novela: a blusa transparente sobre regata verde-limão virou marca

Na arara em que ficam as roupas de Duda, no Projac, imperam as saias, sempre na altura do joelho ou abaixo. Algumas pregueadas, totalmente clássicas, são usadas com casaquinho de inspiração esportiva. Outras, exclusivérrimas, são bordadas a mão ou ganham barra de tule. Trench coats, os casacos tipo capa de chuva, aparecem sobre vestido de festa. A elegante calça de risca de giz é combinada com uma despretensiosa bolsa de crochê bege e camisetinhas sobrepostas, quase tudo de brechó. De sensual, a batinha cor-de-rosa vira fashion sobre uma regata azul-clarinho básica. A roupa que Débora usa na abertura da novela é a marca registrada: à calça comprida preta com camiseta verde-limão que muitas usariam foi acrescentada uma blusinha transparente com desenhos pintados de flores, descoberta em um dos garimpos de Beth. Nos acessórios, destacam-se os relógios antigos usados com pulseira de lenço ou fita de cetim e os prendedores de cabelo em forma de borboletas, flores, folhas e pássaros. Com 27 anos de carreira e cerca de trinta novelas e minisséries no currículo, a carioca Beth Filipeck, 51, comemora o sucesso de Duda e trata de administrar o assédio das grifes, que querem porque querem vestir Débora da cabeça aos pés. Beth até aceita algumas, mas prefere continuar enfurnada em brechós ou mandar fazer na costureira. "Cada peça tem uma história. Quem assiste à novela pode até tentar copiá-la, mas nunca vai conseguir ficar igual", desafia.

 
 
 
 
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