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Ambiente
A ameaça dos
ecoterroristas
Defensores dos animais
trocam protestos
pacíficos por táticas violentas

Gustavo Poloni
Fotos AP
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| Ativismo sem rosto: protesto em
Portland e restaurante incendiado por ecologistas em Vail, nos
Estados Unidos |
As polícias dos
países europeus e dos Estados Unidos estão enfrentando
uma nova ameaça terrorista. Os grupos investigados não
levam nomes árabes como Al Qaeda ou Ansar al-Islam. Eles
se identificam, em inglês, com alcunhas como Frente de Libertação
Animal ou Pare o Laboratório de Primatas. Seus militantes
aterrorizam funcionários de laboratórios científicos
ou de redes de restaurantes para defender o fim dos experimentos
com animais ou impedir as pesquisas e a venda de alimentos transgênicos.
Invadir as empresas para destruir suas instalações
ou libertar os animais também são táticas dos
terroristas ecológicos. As autoridades não sabem como
lidar com eles. É difícil enquadrar no Código
Penal atos como o envio de embrulhos cheios de estrume para escritórios
ou o hábito de entrar no quintal das casas para assustar
os filhos dos gerentes dos laboratórios. Na Inglaterra, onde
os grupos de defesa dos animais têm sido mais ativos, o governo
estuda maneiras de coibir a ação dos ecoterroristas.
Os mais radicais e violentos reúnem-se anonimamente em sociedades
secretas. Ninguém sabe ao certo quem são seus membros.
Empresários ingleses estão oferecendo quase 50 milhões
de dólares a quem fornecer pistas que levem à prisão
desses militantes. É o dobro do que o governo americano prometeu
pela cabeça do ditador iraquiano Saddam Hussein.
O ecoterrorista típico
é vegetariano, jovem, não usa nenhum tipo de produto
de origem animal, incluindo couro e seda. Principalmente, considera
perda de tempo participar de manifestações pacíficas.
Sua indumentária inseparável é o capuz, para
proteger a identidade. O alvo mais recente foi a Universidade de
Oxford, na Inglaterra, que começou a construir no início
do ano um laboratório de pesquisas sobre as causas de doenças
imunológicas e do metabolismo, como leucemia, artrite, câncer
e diabetes. Orçado em mais de 30 milhões de dólares,
será um dos mais modernos do país quando a obra for
finalizada, em dezembro de 2005. O laboratório de Oxford
tornou-se alvo dos ecoterroristas porque seus cientistas utilizam
cobaias animais. O grupo de defesa dos animais Pare o Laboratório
de Primatas da Universidade de Oxford (Speak) não vê
os avanços científicos como boa notícia. Os
ativistas da organização passaram a ameaçar
os executivos e os acionistas das empresas contratadas para a construção
do laboratório. "Eu sei onde você mora" e "Vou tornar
sua vida um inferno" foram algumas das ameaças enviadas por
carta, fax e e-mail. Em seguida, os ecoterroristas incendiaram a
fábrica e destruíram os caminhões de uma das
fornecedoras de cimento da obra. Desde que os ataques começaram,
em março, pelo menos quatro empresas já abandonaram
o projeto e a construção do laboratório foi
interrompida.
Os grupos ecoterroristas
diferem em suas táticas. A Frente de Libertação
Animal (ALF) invade laboratórios, circos e zoológicos
para libertar os animais dos cativeiros. "Nossos ativistas abrem
as gaiolas e levam o maior número possível de bichos
para um lugar seguro", disse a VEJA Robin Webb, um dos 2.000 militantes
da ALF. Ataques com bombas incendiárias às empresas
que fazem pesquisas com animais também são comuns.
O grupo Pare a Crueldade contra Animais em Huntingdon (Shac) costuma
atear fogo nos carros estacionados em frente à casa de cientistas
que trabalham em laboratórios que utilizam animais. Outra
estratégia consiste em mandar cartas para os vizinhos acusando
os pesquisadores de pedofilia. "Queremos que nossos ativistas se
profissionalizem", declarou a VEJA Natasha Avery, porta-voz do grupo.
Com esse objetivo, em setembro o Shac vai realizar na Inglaterra
um seminário de quatro dias para 300 ativistas de todo o
mundo. Na pauta, aulas de alpinismo para escalar paredes de fábricas,
navegação, defesa pessoal e noções de
direito penal. É de fazer inveja à Al Qaeda.
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