Edição 1866 . 11 de agosto de 2004

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Medicina
Cobaias humanas

Estudos rápidos e com poucos voluntários
reduzem o custo do desenvolvimento
de novos medicamentos

A indústria farmacêutica avançou muito nos últimos anos. Mas ainda restam – ou pelo menos restavam – duas arestas a ser aparadas no processo que leva à produção de um novo remédio: o alto custo dos estudos em humanos e a demora até que uma droga chegue à farmácia. Um medicamento leva cerca de doze anos para alcançar as prateleiras, a um custo de quase 1 bilhão de dólares. Muitas vezes, na última etapa dos estudos clínicos, o remédio revela-se inseguro ou com uma eficácia aquém das expectativas. O prejuízo é fenomenal. Para evitar a perda de tempo – e de dinheiro –, a nova estratégia da indústria farmacêutica é conduzir testes rápidos, com poucas pessoas, antes de submeter o medicamento a estudos com grandes populações. A idéia é descartar logo as substâncias com maior potencial de fracasso. Antes, esses testes de pré-seleção eram feitos exclusivamente em animais. Agora, a cobaia também é humana.

Nada disso seria possível, não fosse a tecnologia dos exames atuais, que permite "enxergar" o que acontece dentro do corpo humano. Com o auxílio da ressonância magnética funcional dá para saber, entre outras coisas, se o remédio está fazendo mesmo efeito. E por meio da tomografia por emissão de pósitrons, o PET scan, é possível verificar se a substância alcançou precisamente o seu alvo. O laboratório americano Pfizer passou a utilizar esse equipamento em seus experimentos e, como muitas drogas em teste não atingiram o alvo previsto, elas foram abandonadas no meio do processo.

No ano passado, o laboratório suíço Novartis valeu-se de uma estratégia diferente antes de conduzir testes clínicos com um remédio contra a ansiedade. Com a injeção de uma substância química, um grupo de voluntários foi induzido artificialmente a ter um ataque de pânico. Na sessão seguinte, antes da indução ao pânico, os pacientes receberam o medicamento. A substância teve uma ação suficientemente boa para justificar o prosseguimento dos estudos. Os executivos da indústria afirmam que nenhum participante tem a saúde colocada em risco e que utilizar seres humanos, além de baratear o processo, é mais confiável, uma vez que os testes em animais, na maioria das vezes, não prevêem com segurança se determinada substância funcionará.

 
 
 
 
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