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Medicina
Cobaias humanas
Estudos rápidos e com poucos voluntários
reduzem o custo do desenvolvimento
de novos medicamentos
A indústria farmacêutica avançou
muito nos últimos anos. Mas ainda restam ou pelo menos
restavam duas arestas a ser aparadas no processo que leva
à produção de um novo remédio: o alto
custo dos estudos em humanos e a demora até que uma droga
chegue à farmácia. Um medicamento leva cerca de doze
anos para alcançar as prateleiras, a um custo de quase 1
bilhão de dólares. Muitas vezes, na última
etapa dos estudos clínicos, o remédio revela-se inseguro
ou com uma eficácia aquém das expectativas. O prejuízo
é fenomenal. Para evitar a perda de tempo e de dinheiro
, a nova estratégia da indústria farmacêutica
é conduzir testes rápidos, com poucas pessoas, antes
de submeter o medicamento a estudos com grandes populações.
A idéia é descartar logo as substâncias com
maior potencial de fracasso. Antes, esses testes de pré-seleção
eram feitos exclusivamente em animais. Agora, a cobaia também
é humana.
Nada disso seria possível, não
fosse a tecnologia dos exames atuais, que permite "enxergar" o que
acontece dentro do corpo humano. Com o auxílio da ressonância
magnética funcional dá para saber, entre outras coisas,
se o remédio está fazendo mesmo efeito. E por meio
da tomografia por emissão de pósitrons, o PET scan,
é possível verificar se a substância alcançou
precisamente o seu alvo. O laboratório americano Pfizer passou
a utilizar esse equipamento em seus experimentos e, como muitas
drogas em teste não atingiram o alvo previsto, elas foram
abandonadas no meio do processo.
No
ano passado, o laboratório suíço Novartis valeu-se
de uma estratégia diferente antes de conduzir testes clínicos
com um remédio contra a ansiedade. Com a injeção
de uma substância química, um grupo de voluntários
foi induzido artificialmente a ter um ataque de pânico. Na
sessão seguinte, antes da indução ao pânico,
os pacientes receberam o medicamento. A substância teve uma
ação suficientemente boa para justificar o prosseguimento
dos estudos. Os executivos da indústria afirmam que nenhum
participante tem a saúde colocada em risco e que utilizar
seres humanos, além de baratear o processo, é mais
confiável, uma vez que os testes em animais, na maioria das
vezes, não prevêem com segurança se determinada
substância funcionará.
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