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Medicina
Feito sob
medida
Laboratório americano testa um
remédio para tratar especialmente
o coração de negros
Um dos grandes desafios da ciência farmacêutica
é a criação de medicamentos sob medida para
cada pessoa. O sinal de que esse futuro pode estar mais próximo
do que se imagina foi disparado recentemente pelo laboratório
americano NitroMed. Seus executivos anunciaram que está em
teste o primeiro remédio fabricado especificamente para uma
etnia. Trata-se do BiDil, indicado para o tratamento de negros vítimas
de insuficiência cardíaca. O medicamento começou
a ser analisado em maio de 2001 em cerca de 1 000 pacientes. A expectativa
é que ele chegue ao mercado em 2005. O BiDil combina duas
substâncias o denitrato de isosorbida e a hidralazina.
Juntas, elas aumentam a produção de óxido nítrico,
um potente vasodilatador. Ao relaxar a parede das artérias
coronárias, o remédio facilita o aporte de sangue
para o coração. A insuficiência cardíaca
é mais comum entre negros do que entre brancos, na proporção
de dois para um. Uma das hipóteses mais aceitas é
a de que, entre os negros, a produção de óxido
nítrico é bem mais baixa o que explica por
que, em estudos clínicos, eles sempre responderam melhor
aos remédios que de alguma forma incrementam a produção
dessa substância pelo organismo.
Há muito tempo os médicos sabem
que a etnia é um fator importante para a maior ou menor suscetibilidade
a determinadas doenças e também a certos medicamentos.
Essa constatação foi feita com base em observações
no dia-a-dia do tratamento dos doentes. Nos últimos anos,
com a criação de máquinas capazes de flagrar
o organismo em pleno funcionamento e com os avanços nos conhecimentos
da biologia molecular e da genética, tornou-se possível
encontrar explicações para o fato. Trata-se de um
passo importante rumo ao desenvolvimento de remédios mais
precisos e de terapias mais eficazes. Um dos temas do Congresso
Brasileiro de Infectologia, a ser realizado na próxima semana,
é a diferença na incidência e no tratamento
da hepatite C entre negros e brancos, em especial a terapia à
base de interferon e ribavirina. A combinação de remédios
estimula o sistema imunológico a combater a infecção
pelo vírus da hepatite C. Um estudo da Universidade de Miami
mostrou que, entre os brancos, a redução na carga
viral promovida por esse tipo de medicamento foi de 50%. Já
entre os negros, essa baixa foi de apenas 30%.
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