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Beleza
Para além do silicone
Aumentar os seios sem necessidade de
cirurgia: esse é o sonho de muitas mulheres

Anna Paula Buchalla
É uma promessa tentadora para muitas
mulheres um sutiã capaz de aumentar os seios em apenas
dez semanas. Batizado de Brava, o sistema, apregoam seus fabricantes,
garante às suas usuárias uma numeração
a mais no manequim. O sutiã é feito com dois bojos
de poliuretano que, encaixados nas mamas, exercem uma pressão
a vácuo. Submeter os seios a uma tensão prolongada
estimula as células a se multiplicar e a produzir novo tecido
mamário e gorduroso. Acoplado ao equipamento, fica um dispositivo
que monitora o uso. É o primeiro sistema não cirúrgico
clinicamente aprovado para aumentar os seios.
Você deve estar imaginando que, assim
como a máquina de causar orgasmos em mulheres, se trata de
mais um produto das Organizações Tabajara, a empresa
de televendas fictícia dos humoristas do Casseta &
Planeta. Mas a engenhoca tem o aval da Food and Drug Administration
(FDA), a agência de controle de venda de alimentos e remédios
nos Estados Unidos. No Brasil, ela já foi aprovada pela Anvisa,
a Agência de Vigilância Sanitária, do Ministério
da Saúde. Até o fim do mês, o Brava deve estar
disponível para as brasileiras. Será vendido por telefone.
Uma equipe de especialistas, dizem os fabricantes, foi treinada
e estará à disposição das usuárias
também por telefone.
O Brava foi inventado por um cirurgião
plástico americano, Roger Khoury, que já trabalhava
com técnicas de expansão de tecidos em mulheres que
tiveram as mamas extirpadas ou lesionadas. Há cerca de dez
anos, no auge da polêmica sobre a segurança do uso
do silicone nos implantes de mama, ele resolveu investir num método
que aumentasse os seios sem necessidade do bisturi. Sua invenção,
contudo, apresenta desvantagens e elas são evidentes.
Ao contrário dos implantes de silicone, o sutiã a
vácuo não leva a resultados rápidos em todas
as mulheres. Obtêm respostas mais imediatas as que variaram
drasticamente de peso ou deixaram de amamentar há pouco tempo.
Em geral, essas mulheres estão com as mamas mais flácidas,
o que facilita e muito o trabalho do Brava. Uma das
maiores queixas é quanto ao desconforto. Os fabricantes recomendam
usar o dispositivo durante a noite, mas, como dá para imaginar
pela foto abaixo, dormir com ele não é exatamente
uma experiência relaxante. No caso das brasileiras, o aumento
prometido pode ser outro obstáculo para o sucesso das vendas.
O Brava promove um ganho médio de 100 centímetros
cúbicos de tecido, o equivalente a um número a mais
no sutiã. Pouco, muito pouco para os anseios nacionais. As
brasileiras que se submetem ao bisturi colocam, em média,
300 centímetros cúbicos de silicone.
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