Edição 1866 . 11 de agosto de 2004

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Lya Luft
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Tales Alvarenga
André Petry
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Auto-retrato
Contexto
Veja essa
Gente
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
 

Beleza
Para além do silicone

Aumentar os seios sem necessidade de
cirurgia: esse é o sonho de muitas mulheres


Anna Paula Buchalla

É uma promessa tentadora para muitas mulheres – um sutiã capaz de aumentar os seios em apenas dez semanas. Batizado de Brava, o sistema, apregoam seus fabricantes, garante às suas usuárias uma numeração a mais no manequim. O sutiã é feito com dois bojos de poliuretano que, encaixados nas mamas, exercem uma pressão a vácuo. Submeter os seios a uma tensão prolongada estimula as células a se multiplicar e a produzir novo tecido mamário e gorduroso. Acoplado ao equipamento, fica um dispositivo que monitora o uso. É o primeiro sistema não cirúrgico clinicamente aprovado para aumentar os seios.

Você deve estar imaginando que, assim como a máquina de causar orgasmos em mulheres, se trata de mais um produto das Organizações Tabajara, a empresa de televendas fictícia dos humoristas do Casseta & Planeta. Mas a engenhoca tem o aval da Food and Drug Administration (FDA), a agência de controle de venda de alimentos e remédios nos Estados Unidos. No Brasil, ela já foi aprovada pela Anvisa, a Agência de Vigilância Sanitária, do Ministério da Saúde. Até o fim do mês, o Brava deve estar disponível para as brasileiras. Será vendido por telefone. Uma equipe de especialistas, dizem os fabricantes, foi treinada e estará à disposição das usuárias – também por telefone.

O Brava foi inventado por um cirurgião plástico americano, Roger Khoury, que já trabalhava com técnicas de expansão de tecidos em mulheres que tiveram as mamas extirpadas ou lesionadas. Há cerca de dez anos, no auge da polêmica sobre a segurança do uso do silicone nos implantes de mama, ele resolveu investir num método que aumentasse os seios sem necessidade do bisturi. Sua invenção, contudo, apresenta desvantagens – e elas são evidentes. Ao contrário dos implantes de silicone, o sutiã a vácuo não leva a resultados rápidos em todas as mulheres. Obtêm respostas mais imediatas as que variaram drasticamente de peso ou deixaram de amamentar há pouco tempo. Em geral, essas mulheres estão com as mamas mais flácidas, o que facilita – e muito – o trabalho do Brava. Uma das maiores queixas é quanto ao desconforto. Os fabricantes recomendam usar o dispositivo durante a noite, mas, como dá para imaginar pela foto abaixo, dormir com ele não é exatamente uma experiência relaxante. No caso das brasileiras, o aumento prometido pode ser outro obstáculo para o sucesso das vendas. O Brava promove um ganho médio de 100 centímetros cúbicos de tecido, o equivalente a um número a mais no sutiã. Pouco, muito pouco para os anseios nacionais. As brasileiras que se submetem ao bisturi colocam, em média, 300 centímetros cúbicos de silicone.

 

Foto divulgação
 
 
 
topovoltar