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Profissão:
peão
Astros
dos rodeios agora têm
direito a seguro-saúde e
registro em carteira

Nahara Bauchwitz

O artista
em ação: alguns segundos de sacolejo e alto risco de
acidentes |
O expediente
dura no máximo oito segundos, mas não é moleza. Esse
é o tempo que o atleta precisa agüentar em cima de um touro
bravo, agarrado por uma só mão a uma corda que circunda
o tronco do bicho. O serviço invariavelmente termina num tombo
espetacular, com o peão rolando na poeira e, de vez em quando,
quebrando alguns ossos. Pois essa atividade, agora, é coisa de
profissional, com registro na carteira de trabalho, seguro de vida e saúde
e limite de jornada diária de oito horas. A lei, sancionada pelo
presidente Fernando Henrique Cardoso, contempla, além da peãozada,
também juízes, vaqueiros, porteiros e toda a turma que ganha
a vida na arena, entre touros e cavalos chucros. A novidade beneficia
no mínimo 80.000 pessoas cujos empregos
dependem desses enormes e populares circos que a cada fim de semana animam
a noite em algumas cidades do interior do Brasil. Há pelo menos
1.200 rodeios por ano no país
um total 120% maior do que havia dez anos atrás. O ingresso, que
custa apenas 5 reais em média, é uma das razões de
tanta popularidade.
Claudio Rossi

Adriano:
25 carros no Brasil e 1 milhão de dólares em prêmios
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"É
uma das diversões mais baratas do país", calcula o presidente
da Federação Nacional de Rodeio Completo, Hussein Gemha
Júnior. Juntos, os rodeios brasileiros atraem um público
de 24 milhões de pessoas. Isso dá a medida da montanha de
dinheiro arrecadada no negócio. Só na cidade paulista de
Barretos, onde no próximo mês se espera um número
de pessoas superior a 1 milhão, a mais festejada festa nacional
da peãozada vai movimentar pelo menos 60 milhões de reais.
Lá acontecem a grande final do campeonato de rodeios da federação
nacional e também uma etapa do circuito internacional. O lucro
dos restaurantes triplica na semana da festa e, num raio de 150 quilômetros,
é virtualmente impossível alojar-se em hotel, pousada ou
pensão sem reserva e pagamento antecipados.
Os peões,
estrelas do espetáculo, concorrem a prêmios que vão
de 4.000 a 200.000
reais. Só 25% deles conseguem ir adiante em cada etapa, sustentando-se
pelo tempo mínimo sobre o lombo do touro ou na sela de um cavalo
bravo. Mais de 1.000 vão participar
das provas em Barretos. Jovens, eles têm uma carreira parecida com
a de jogador de futebol. Depois dos 30 anos, a maior parte deles já
abandonou a arena. Até que a lei da profissionalização
fosse sancionada, a maioria só recebia o cachê pela participação.
Tradicionalmente, a faixa de campeão dá direito a um carro.
Adriano Moraes, hoje com 31 anos e participando de provas nos Estados
Unidos, chegou a ganhar 25 carros nos rodeios nacionais. Acumulou 1 milhão
de dólares na carreira e neste ano tem chance de chegar ao bicampeonato
mundial. "A profissionalização era muito necessária",
diz Adriano. "Tem muito peão que fica inválido ou morre
deixando a família sem nenhuma assistência."
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