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Edição 1 708 - 11 de julho de 2001
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Profissão: peão

Astros dos rodeios agora têm
direito a seguro-saúde e
registro em carteira

Nahara Bauchwitz

 


O artista em ação: alguns segundos de sacolejo e alto risco de acidentes

O expediente dura no máximo oito segundos, mas não é moleza. Esse é o tempo que o atleta precisa agüentar em cima de um touro bravo, agarrado por uma só mão a uma corda que circunda o tronco do bicho. O serviço invariavelmente termina num tombo espetacular, com o peão rolando na poeira e, de vez em quando, quebrando alguns ossos. Pois essa atividade, agora, é coisa de profissional, com registro na carteira de trabalho, seguro de vida e saúde e limite de jornada diária de oito horas. A lei, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, contempla, além da peãozada, também juízes, vaqueiros, porteiros e toda a turma que ganha a vida na arena, entre touros e cavalos chucros. A novidade beneficia no mínimo 80.000 pessoas cujos empregos dependem desses enormes e populares circos que a cada fim de semana animam a noite em algumas cidades do interior do Brasil. Há pelo menos 1.200 rodeios por ano no país – um total 120% maior do que havia dez anos atrás. O ingresso, que custa apenas 5 reais em média, é uma das razões de tanta popularidade.

 
Claudio Rossi

Adriano: 25 carros no Brasil e 1 milhão de dólares em prêmios

"É uma das diversões mais baratas do país", calcula o presidente da Federação Nacional de Rodeio Completo, Hussein Gemha Júnior. Juntos, os rodeios brasileiros atraem um público de 24 milhões de pessoas. Isso dá a medida da montanha de dinheiro arrecadada no negócio. Só na cidade paulista de Barretos, onde no próximo mês se espera um número de pessoas superior a 1 milhão, a mais festejada festa nacional da peãozada vai movimentar pelo menos 60 milhões de reais. Lá acontecem a grande final do campeonato de rodeios da federação nacional e também uma etapa do circuito internacional. O lucro dos restaurantes triplica na semana da festa e, num raio de 150 quilômetros, é virtualmente impossível alojar-se em hotel, pousada ou pensão sem reserva e pagamento antecipados.

Os peões, estrelas do espetáculo, concorrem a prêmios que vão de 4.000 a 200.000 reais. Só 25% deles conseguem ir adiante em cada etapa, sustentando-se pelo tempo mínimo sobre o lombo do touro ou na sela de um cavalo bravo. Mais de 1.000 vão participar das provas em Barretos. Jovens, eles têm uma carreira parecida com a de jogador de futebol. Depois dos 30 anos, a maior parte deles já abandonou a arena. Até que a lei da profissionalização fosse sancionada, a maioria só recebia o cachê pela participação. Tradicionalmente, a faixa de campeão dá direito a um carro. Adriano Moraes, hoje com 31 anos e participando de provas nos Estados Unidos, chegou a ganhar 25 carros nos rodeios nacionais. Acumulou 1 milhão de dólares na carreira e neste ano tem chance de chegar ao bicampeonato mundial. "A profissionalização era muito necessária", diz Adriano. "Tem muito peão que fica inválido ou morre deixando a família sem nenhuma assistência."

   
 
   
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