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Edição 2064

11 de junho de 2008
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Guia
Acertos e erros da meteorologia

A previsão do tempo influencia decisões tomadas por pessoas
e também por grandes empresas – da indústria de alimentos
à Fórmula 1, na qual a escolha de um pneu tem relação direta
com o que diz a meteorologia.


Monica Weinberg

Embora tenha evoluído muito nos últimos anos, essa é uma ciência que ainda não é tão exata – e o que se passou no último Grande Prêmio de Mônaco ilustra bem isso. Enquanto os meteorologistas anunciavam com muita propriedade a chegada de mais chuva, o tempo melhorava. Esse e outros erros ocorrem com alguma freqüência. É preciso ressaltar, no entanto, que a chance de acerto para alguns cenários já beira os 97%. Ela não passava de 60% há quatro décadas. O evidente avanço se deve, basicamente, ao surgimento de satélites meteorológicos e ao aprimoramento dos aparelhos de medição dos 59 fatores que influenciam a previsão do tempo. Também melhoraram os modelos matemáticos usados para combinar todas essas variáveis. A pedido de VEJA, um grupo de especialistas se debruçou sobre algumas das previsões mais comuns nos jornais. Eles próprios admitem: dependendo do cenário, o risco de erro aumenta. A seguir, eles explicam por quê.

 

Pancadas de chuva no fim da tarde

Antonio Gaudério/Folha Imagem


Grau de confiabilidade:
baixo

Comentário: a probabilidade de chuva é alta – o que costuma não se confirmar é a intensidade e o horário. Há cerca de 20% de possibilidade de um chuvisco vir no lugar de uma "pancada" ou de o deságüe das nuvens ocorrer de manhã e não à tarde, como previsto. Isso acontece, basicamente, porque os modelos matemáticos aplicados na previsão não são capazes de rastrear fenômenos climáticos com menos de 10 quilômetros de extensão – caso das nuvens. Outro problema diz respeito à atualização das informações pelos satélites. Elas chegam com atraso de pelo menos meia hora, tempo suficiente para um conjunto de nuvens se formar ou sumir do mapa

 

A temperatura mínima será de 17 graus e a máxima, 22

Marcio Fernandes/Folha Imagem


Grau de confiabilidade:
mediano

Comentário: quem vive nas regiões Sul, Sudeste ou Centro-Oeste tem mais razões para desconfiar da previsão: a média de erro lá é de até 2 graus, maior do que no Norte ou no Nordeste, onde não passa de 1 grau. Isso se explica pelo tipo de clima das regiões. Naquelas mais ao sul, predominam climas nos quais os termômetros variam muito, em razão do aparecimento freqüente de massas de ar – frias e quentes. Já ao norte, onde prevalecem os climas tropical e equatorial, o vento e a pressão atmosférica são mais estáveis. Como esses fatores têm grande influência na temperatura, fica mais fácil prevê-la

 

O próximo fim de semana será de sol e calor

Domingos Peixoto/Ag. O Globo


Grau de confiabilidade:
baixo

Comentário: é esperado que a previsão do tempo para cenários mais longínquos seja menos confiável. Os especialistas já calcularam em que medida isso acontece. Eles informam que, a cada 24 horas, a probabilidade de erro sobe 3%. Em cinco dias, ela chega a 30%. O que costuma atrapalhar são erros pequenos em cálculos como o da velocidade do vento. Isso em geral não afeta a previsão para o dia seguinte, mas o acúmulo de tal erro ao longo dos dias pode significar a chegada de uma chuva inesperada no fim de semana – e nada de sol e calor

 

Uma frente fria provocará queda na temperatura

Digital Vision/Royalty-free


Grau de confiabilidade:
alto

Comentário: poucos fenômenos meteorológicos são tão fáceis de prever quanto uma frente fria. A primeira razão é que ela ocorre em grande escala, portanto é fácil de visualizar nas imagens dos satélites. Também se desloca lentamente, o que facilita o monitoramento.
Por fim, as frentes frias têm características bem mapeadas pelos meteorologistas. Eles sabem dizer em que medida afetarão a temperatura apenas com as informações sobre sua origem e a alteração na pressão atmosférica causada por elas

 

Glossário


Bóia oceânica

Fica em alto-mar e reúne aparelhos
para medir temperatura, umidade do
ar e volume de chuva, incluindo
detalhes sobre as correntes marítimas.
O objetivo é retratar o tempo – e fornecer novos dados a cada hora para as projeções

Fotos National Oceanic and Atmospheric Administration e Divulgação

Estação automática

Faz medições semelhantes às das bóias oceânicas – só que em terra firme

 

Satélite meteorológico

Do espaço, tira aquelas fotos da Terra que aparecem na previsão do tempo. Por meio dele, é possível acompanhar a movimentação das massas de ar a cada quinze minutos

Supercomputador

Combina as 59 variáveis que influenciam a previsão do tempo para fazer projeções com base em modelos matemáticos de alta complexidade

 

 
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Nós erramos mais

É consenso no cenário internacional que o Brasil tem gente bem treinada na área e bons aparelhos
de previsão do tempo – mas ainda está atrás de países europeus e dos Estados Unidos por critérios
objetivos. Eis a comparação entre os centros meteorológicos brasileiros e o European Centre for
Weather Forecasts – considerado o melhor do mundo – naqueles itens que mais conferem precisão
às projeções:



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