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Edição 2064

11 de junho de 2008
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O homem que virou sigla

AP
Safári da moda: Saint Laurent mostra que estilo é para quem sabe, em foto de 1969
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O que diferencia um estilista de sucesso de um gênio da costura é uma substância intangível com nome de perfume: o espírito do tempo. Foi por captar exatamente o momento em que as filhas deixaram de querer se vestir como as mães e as mães passaram a querer se vestir como as filhas que Yves Saint Laurent se tornou o maior nome da moda depois da era dos grandes (Chanel, Dior, Balenciaga). Os tempos começaram a mudar nos anos 60, e durante praticamente duas décadas Saint Laurent se tornou seu grande intérprete nas passarelas. Por causa dessa sintonia, o que ele fez em matéria de moda retrata não apenas como as roupas, mas como as pessoas, mudaram. Um rápido resumo: jaqueta de couro usada com suéter preto de gola rulê (o existencialismo); túnicas de inspiração indiana, colares africanos, casacos afegãos e saias de camponesa russa (o flower power); o estilo safári (uma loucura explicada pela nova era); o smoking feminino (o movimento de libertação das mulheres).

Saint Laurent virou sigla, YSL, e correspondeu em todos os angustiados detalhes ao protótipo do costureiro brilhante e temperamental. Enamorado de uma imagem ideal do eterno feminino, doente, deprimido e muitas vezes drogado, o jovem nascido na Argélia colonial deveu muito de sua sobrevivência à parceria, na vida e nos negócios, com Pierre Bergé, a quem conheceu aos 20 anos. Mesmo quando o relacionamento terminou, continuaram a trabalhar e – por muitos anos – a morar juntos. Ganharam e torraram rios de dinheiro. Desgastada pelo excesso de produtos licenciados e pelo ímpeto criativo havia muito exaurido, a marca foi mudando de mãos. Em 2000, quando o grupo Gucci de grifes de luxo assumiu a divisão de prêt-à-porter, entregando-a ao americano Tom Ford, Saint Laurent destilou: "Coitadinho, ele faz o que pode". Em 2002, fechou a casa de alta-costura. No ano passado, foi detectado o tumor cerebral que o matou no domingo, 1º, aos 71 anos. "Uma boa roupa é um passaporte para a felicidade", dizia.



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