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11 de junho de 2008
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Brasil
De caso com a máfia

Quadrilha ligada ao "Comendador Arcanjo"
desviou meio bilhão de reais em Brasília


Diego Escosteguy

Joabe Barbalho/A Gazeta/AE
Preso, Arcanjo é acusado de pagar propina a políticos do Distrito Federal

O mafioso João Arcanjo Ribeiro, conhecido como Comendador Arcanjo, está preso há cinco anos, acusado de crimes que vão de corrupção a assassinato. Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelam que, mesmo atrás das grades, ele continua no comando de ações criminosas em Mato Grosso e no Distrito Federal. Documentos apreendidos mostram que o Comendador Arcanjo ajudou a financiar a campanha do ex-governador e ex-senador Joaquim Roriz. Em contrapartida, foi agraciado com contratos milionários na área de prestação de serviços de informática – superfaturados. Os desvios podem chegar a meio bilhão de reais. As ações de Arcanjo não respeitam fronteiras, nem a alternância de poder conseguiu detê-las. As apurações mostram que a quadrilha começou agindo no governo Roriz e, espantosamente, permanece ativa na atual administração, a do democrata José Roberto Arruda, que sucedeu a Roriz com um discurso de moralidade e eficiência administrativa.

O epicentro das investigações localiza-se na empresa Sapiens Tecnologia, cujo dono, Messias Ribeiro, é um ex-bicheiro amigo de Arcanjo. A PF apreendeu na casa dele, em 2004, documentos que comprovam sua ligação com o chefe de quadrilha preso. Apreendeu também recibos e anotações que indicariam o oferecimento de propinas dadas a políticos locais em troca de negócios com o governo. Uma das anotações faz referência a um pagamento de 500.000 dólares ao ex-governador Joaquim Roriz. Em outro documento, há uma anotação que a polícia entendeu ser a explicação para o pagamento: "O governador me disse que vai atender tudo", escreveu a mão Messias, em fax enviado a um assessor de Arcanjo. O operador avançado da quadrilha na administração do Distrito Federal, segundo as investigações, era Durval Barbosa, um delegado de polícia aposentado, responsável pela maioria dos contratos superfaturados assinados com a Sapiens.

Fotos Orlando Brito/ Obritonews e Ed Ferreira/AE
A máfia se infiltrou no governo do DF na gestão de Roriz, a quem teria pago 500 000 dólares, e continuaria agindo na administração do democrata José Roberto Arruda

Durval Barbosa é o elo entre a administração Roriz e a atual, de José Roberto Arruda. Barbosa é secretário de Relações Institucionais de Arruda, e a Sapiens, como se nada houvesse contra ela, continua se candidatando a novos negócios no governo local. Os promotores apuraram que a empresa poderia até ganhar um milionário contrato para instalar um sistema de monitoramento nas ruas da capital. Por meio de sua assessoria, o governador Arruda disse que seria "injusto" demitir seu secretário até que o processo seja julgado.



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