Edição 1806 . 11 de junho de 2003

Índice
Brasil
Internacional
Geral
Economia e negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
Contexto
Veja essa
Arc
Gente
VEJA on-line
Datas
VEJA Recomenda
Os livros mais vendidos
 
VEJA Recomenda


EXPOSIÇÃO



Divulgação
No Vento e na Terra: exemplo da pintura sombria de Iberê Camargo


Iberê Camargo
(a partir de domingo, dia 15, em São Paulo) – Morto em 1994, aos 79 anos, o artista gaúcho Iberê Camargo é considerado um dos mais importantes pintores brasileiros. A mostra que abre nesta semana na Pinacoteca do Estado – e que deve chegar ao Rio de Janeiro em agosto – é a maior retrospectiva da obra de Iberê. Reúne 120 telas, desenhos e gravuras que cobrem suas diversas fases. Estarão expostos alguns dos famosos carretéis, série de quadros que marcam seu período expressionista abstrato, tendência da qual foi o maior representante na arte brasileira. Também se poderão ver obras da série dos ciclistas, que nos anos 80 marcou sua volta radical ao figurativismo de início de carreira. No fim da vida, a pintura de Iberê foi se tornando cada vez mais sombria – como se verifica na dramática tela No Vento e na Terra (1991).

 

LIVRO

A Selva do Amor (tradução de Roberto Muggiati e outros; Record; 376 páginas; 45 reais) – "Já fazia uma hora que ele esperava. Seu coração saltava no peito e às vezes era como se tivesse esquecido de respirar". As 22 histórias reunidas nessa antologia estão cheias de passagens como essa – do conto Uma Despedida, do austríaco Arthur Schnitzler. O tema do livro é o amor, mas não há uma gota de pieguice. De um episódio extraído do Decamerão, obra escrita no século XIV pelo italiano Boccaccio, a um conto da inglesa Virginia Woolf datado dos anos 40, só se encontram pérolas literárias. O anglo-polonês Joseph Conrad comparece com A Laguna, texto que tem um certo acento sinistro. E o americano Edgar Allan Poe, um mestre do terror, se arrisca numa área que não era bem a sua no surpreendente Os Óculos. Leia trechos do livro.

 

DISCOS

Bare, Annie Lennox (BMG Brasil) – Em seu primeiro trabalho de músicas inéditas em onze anos, a cantora escocesa fez praticamente tudo sozinha. Ela é a autora de todas as melodias e letras do disco, em que fala de suas relações amorosas. Annie também tocou teclados e cuidou da concepção da capa. O disco prova que a cantora, que despontou na década de 80 à frente do duo Eurythmics, possui outros talentos além da voz calorosa. Bare é recheado de baladas lindíssimas, ainda que a maioria delas não tenha um desfecho feliz – como Hurting Time e Wonderful. Alguns discos vêm acompanhados de um DVD com clipes e uma entrevista de Lennox.

Hail to the Thief, Radiohead (EMI) – Kid A e Amnesiac, os dois últimos discos de estúdio do Radiohead, não são o que se pode chamar de trabalhos de fácil audição. Por isso o quinteto inglês resolveu sair de sua cidade natal, a cinzenta Oxford, e rumar para Los Angeles: sua crença era que o sol da Califórnia ajudaria a alegrá-los e a tornar Hail to the Thief uma obra deglutível para o grande público. Mas não dá para cancelar a alma. Thom Yorke, guitarrista, vocalista e principal compositor da banda, inspirou-se nos escritos do japonês Haruki Murakami e nas obras do músico contemporâneo Krzysztof Penderecki para compor outro punhado de canções impenetráveis – ainda que criativas e repletas de climas de guitarras, como em 2 + 2 = 5 e Go to Sleep, que não fariam feio diante da produção da melhor fase do Pink Floyd.

 

DVDs

Terra do Sol (Sunshine State, Estados Unidos, 2002. Columbia) – Abismos insuperáveis – entre classes sociais, ou gerações, ou etnias – são o grande tema do americano John Sayles. O singular para um cineasta com esse perfil é que Sayles detesta a grandiloqüência. Ao contrário, ele transforma esses conflitos em problemas que afetam seus personagens no que eles têm de mais íntimo. Aqui, duas comunidades vizinhas no litoral da Flórida, uma de brancos aposentados, a outra de negros prósperos, enfrentam à sua moda a especulação imobiliária. É um filme sobre uma América desfigurada pelas corporações e, ao mesmo tempo, sobre pequenos dramas – como o da dona de um motel (Edie Falco, a senhora Soprano, excelente) que detesta o que faz e não sabe onde foram parar os seus sonhos e prazeres da juventude.


Animatrix: animações brilhantes

Animatrix (Estados Unidos, 2003. Warner) – As novas historietas contidas nesse disco exploram não só idéias e enredos relacionados ao universo da série Matrix, mas também os estilos diversos de algumas feras do anime – os desenhos animados adultos japoneses. Alguns dos roteiros batem fácil, em qualidade e imaginação, o de Matrix Reloaded. É o caso de Além, sobre uma casa assombrada que é na verdade um erro de programação no mundo virtual da Matrix, e de O Segundo Renascer, em que o diretor Mahiro Maeda ilustra o início do conflito entre homens e máquinas com cenas nitidamente inspiradas em alguns dos pontos baixos do século XX, como a II Guerra Mundial. Além disso, todos os curtas-metragens são de um brilhantismo técnico de tirar o fôlego. Acesse o especial Matrix Reloaded.

 

CINEMA

Uma Receita para a Máfia (Dinner Rush, Estados Unidos, 2001. Estréia nesta sexta-feira no país) – Filmes que tratam do ato de cozinhar formam um subgênero normalmente dedicado a exaltar o poder conciliador da comida. Não é o caso dessa comédia dramática de Bob Giraldi, mais conhecido por ter assinado o clipe de Beat It, de Michael Jackson. O que está em questão aqui é a combinação de vaidade, testosterona e competitividade que move os restaurantes da moda em Manhattan. Giraldi filma seus personagens – o dono do restaurante, o chef que é uma estrela em ascensão, os críticos de gastronomia, os freqüentadores que querem ver e ser vistos – com tanto dinamismo e vigor que, no fim, é quase impossível lembrar que toda a ação se passou apenas numa cozinha e um salão.

Roma (Itália, 1972. Desde sexta-feira em cartaz em São Paulo) – Federico Fellini às voltas com suas reminiscências sobre a capital italiana: assim pode ser definido esse filme, que, mais do que contar uma história, evoca impressões. Da visita do jovem Fellini (Peter Gonzales) a um bordel ao hilariante desfile de moda para eclesiásticos, algumas das passagens do filme são inesquecíveis. Outras ainda são exemplos magníficos de um dos grandes talentos de Fellini, o de despertar no espectador a sensação de que o tempo escoa por entre os dedos dos homens. É o caso da seqüência sublime em que uma escavação do metrô revela uma câmara repleta de afrescos que, ao entrar em contato com a luz e o ar fresco pela primeira vez em séculos, começam a se apagar naquele mesmo momento, diante das lentes.

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento, Travessa; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel.
 
 
 
topo voltar