BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
REVISTAS
VEJA
Edição 2103

11 de março de 2009
ver capa
NESTA EDIÇÃO
Índice
SEÇÕES
Carta ao Leitor
Entrevista
Lya Luft
Leitor
Millôr
Blogosfera
PANORAMA
Imagem da Semana
Holofote
SobeDesce
Conversa
Números
Datas
Radar
Veja Essa
 

Brasil
"Um carimbo e já era"

Um vídeo reforça a denúncia de que um advogado negociava cargos na polícia de São Paulo em nome de seu primo,
o ex-secretário adjunto de Segurança Malheiros Neto


Kalleo Coura

FLAGRANTE
Valente e seu interlocutor combinam dividir os lucros que conseguirem com novos clientes

Para ganhar o benefício da delação premiada, o investigador Augusto Pena, preso no ano passado, fez uma série de denúncias acusando colegas e superiores de "vender" cargos de direção na Polícia Civil de São Paulo. Pena está detido desde abril, acusado de sequestro e tentativa de extorsão. Entre as acusações que fez, estava a de que o ex-secretário adjunto de Segurança Pública Lauro Malheiros Neto havia negociado cargos com três delegados e "vendido" a reintegração de outros três policiais demitidos por tentativa de extorsão. Por caso, Malheiros Neto teria recebido entre 100 000 e 250 000 reais. O intermediador seria o advogado Celso Augusto Valente, primo e ex-sócio de Malheiros. Na semana passada, as denúncias de Pena ganharam áudio e vídeo. Numa gravação recebida pelo Ministério Público, o advogado Valente surge, de terno e óculos escuros, negociando com um investigador sua absolvição num processo administrativo. Em um trecho, ele diz ao seu interlocutor, identificado apenas como José Luiz: "Esse negócio de PA, parecer administrativo, é tudo baboseira. É um carimbo, um risco e já era". Noutro, procura vender seu peixe dizendo que as pessoas não têm "ideia do conceito que o Laurinho tem com o governador do estado". Lauro Malheiros Neto diz que foi "tudo armação" – inclusive o vídeo.

Chamou particularmente atenção o pedaço da conversa em que, indagado sobre como um delegado poderia se transferir do Departamento de Polícia Judiciária da capital para o Departamento Estadual de Trânsito (Detran), o advogado Valente sugere que seria preciso ter em mãos entre 200 000 e 300 000 reais. O dado curioso é que o salário líquido médio de um delegado, no estado de São Paulo, gira em torno de 6 500 reais. Sendo assim, por que razão alguém se comprometeria em pagar, na melhor das hipóteses, quase dois anos e meio de salário adiantado para assumir um cargo que lhe renderia praticamente o mesmo salário que o anterior?

Nilton Fukuda/AE

"LAURINHO"
Lauro Malheiros Neto: para ele, é "armação". Mas com vídeo e tudo?

Uma das pistas para chegar a essa resposta está, por exemplo, num endereço da Rua Santa Ifigênia, no centro de São Paulo. Lá, bem debaixo do nariz dos policiais, mais precisamente a 100 metros do 3º Distrito Policial, funciona um dos maiores polos de distribuição de produtos pirateados no Brasil. "Nas divisões de narcóticos, antipirataria e nos Detrans, há um contexto de oportunidades propícias à corrupção", explica Claudio Beato, coordenador do Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Uma série de pesquisas mostra que cerca de 1,5% da população de regiões metropolitanas já foi extorquida por policiais civis. "Ninguém tem interesse em comprar um cargo para a Divisão de Homicídios, onde a possibilidade de vender facilidades é praticamente inexistente", diz Beato. Para resumir, policiais corruptos querem determinados cargos – e pagam por isso – pelo mesmo motivo que políticos do PMDB: para fazer "negócios" muito, muito lucrativos.



Publicidade
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |