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Edição 2103

11 de março de 2009
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O mulá dá um alô

Telefone da maçã à mão, o ex-embaixador
talibã confessa: também é viciado naquilo


Vilma Gryzinski

Rafiq Maqbool/AP


É a imagem que vale por um milhão de palavras. Ou, resumindo: a foto do mulá Abdul Salam Zaeef com o aparelhinho que todo mundo quer ter é uma das poucas coisas boas que se viram em muito tempo no Afeganistão. O mulá é, à sua maneira, uma espécie de celebridade. Quando aconteceu o 11 de Setembro e os Estados Unidos atacaram o Afeganistão por esconder Osama bin Laden, ele virou a única face entrevistável do regime fundamentalista dos talibãs. Conhecida e falante. Como embaixador no Paquistão, o que quer que isso significasse na época, aparecia dando declarações teimosas e copiosas. Os talibãs caíram e Zaeef foi preso por agentes paquistaneses com uma frase de cinema: "Vossa excelência não é mais excelência". Até em Guantánamo, onde cumpriu estada forçada de quatro anos, Zaeef mostrou que é bom de lábia: conseguiu abrandar alguns regulamentos e, ao mesmo tempo, parece ter negociado uma posição de relativa continência. Foi solto, voltou às duas mulheres e oito filhos no Afeganistão, manteve o turbante negro e a barbona e fez um acordo com o governo para funcionar como uma espécie de ponte para eventuais contatos com os talibãs, que continuam vivos e cada vez mais ativos. Já tem dois livros, em coautoria com jornalistas franceses, e agora foi fotografado com o iPhone. "É fácil e moderno. A internet é ótima, muito rápida. Sou viciado", confessou. Aderir a novidades tecnológicas não é atestado de moderação ideológica – celulares modernos e aparelhos de GPS têm sido usados para destruir e matar em atentados terroristas recentes. Mas, se o mulá Zaeef continuar usando os dedinhos só no vício nada secreto dos iPhonemaníacos, merece que a Apple lhe mande um modelo mais recente.

 



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