Imagem da Semana
O
mulá dá um alô
Telefone
da maçã à mão, o ex-embaixador
talibã confessa:
também é viciado naquilo

Vilma
Gryzinski
Rafiq
Maqbool/AP
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É
a imagem que vale por um milhão de palavras. Ou, resumindo: a foto do mulá
Abdul Salam Zaeef com o aparelhinho que todo mundo quer ter é uma das poucas
coisas boas que se viram em muito tempo no Afeganistão. O mulá é,
à sua maneira, uma espécie de celebridade. Quando aconteceu o 11
de Setembro e os Estados Unidos atacaram o Afeganistão por esconder Osama
bin Laden, ele virou a única face entrevistável do regime fundamentalista
dos talibãs. Conhecida e falante. Como embaixador no Paquistão,
o que quer que isso significasse na época, aparecia dando declarações
teimosas e copiosas. Os talibãs caíram e Zaeef foi preso por agentes
paquistaneses com uma frase de cinema: "Vossa excelência não
é mais excelência". Até em Guantánamo, onde cumpriu
estada forçada de quatro anos, Zaeef mostrou que é bom de lábia:
conseguiu abrandar alguns regulamentos e, ao mesmo tempo, parece ter negociado
uma posição de relativa continência. Foi solto, voltou às
duas mulheres e oito filhos no Afeganistão, manteve o turbante negro e
a barbona e fez um acordo com o governo para funcionar como uma espécie
de ponte para eventuais contatos com os talibãs, que continuam vivos e
cada vez mais ativos. Já tem dois livros, em coautoria com jornalistas
franceses, e agora foi fotografado com o iPhone. "É fácil e
moderno. A internet é ótima, muito rápida. Sou viciado",
confessou. Aderir a novidades tecnológicas não é atestado
de moderação ideológica celulares modernos e aparelhos
de GPS têm sido usados para destruir e matar em atentados terroristas recentes.
Mas, se o mulá Zaeef continuar usando os dedinhos só no vício
nada secreto dos iPhonemaníacos, merece que a Apple lhe mande um modelo
mais recente.