Cinema
Nada
de fofura
Coraline e o Mundo Secreto
não é para os miudinhos

Jacqueline
Manfrin
Divulgação
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TRAMA
SINISTRA Coraline e sua mãe: botões
no lugar dos olhos |
Os
heróis das animações de maior sucesso nos últimos
anos podem até fazer pose de monstro (como Shrek), mas nunca deixam de
ser, em alguma medida, fofinhos. Coraline e o Mundo Secreto (Coraline,
Estados Unidos, 2009), que estreia no país nesta sexta-feira, é
uma exceção radical: tem a ousadia de conquistar as crianças
com criaturas que nem sempre pedem para ser abraçadas. Mesmo a ameaça
que pesa sobre a garotinha de cabelos azuis que dá nome ao desenho parece
invenção de mestres da literatura gótica, como Edgar Allan
Poe: os vilões planejam trocar seus olhos por botões costurados
ao rosto. Baseado em um livro de Neil Gaiman, criador da série de quadrinhos
The Sandman, Coraline é dirigido por Henry Selick,
que já mostrara a mesma disposição no lúgubre conto
de natal O Estranho Mundo de Jack. Neste seu novo trabalho, a história
se passa numa mansão centenária, comprada pelos pais de Coraline,
que, típicos workaholics, negligenciam a filha. A menina descobre a passagem
secreta para um universo paralelo, onde todos os elementos da vida real estão
duplicados, com a diferença de que lá os pais lhe dão total
atenção. Trata-se, porém, de uma armadilha para arrancar
os olhos de Coraline e prendê-la para sempre em outra dimensão. Vale
advertir: embora a classificação seja livre e o talento de Selick,
inegável, é quase certo que o desenho assuste espectadores mais
novinhos.