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Edição 2099

11 de fevereiro de 2009
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Cinema
Nada de fofura

Coraline e o Mundo Secreto não é para os miudinhos


Jacqueline Manfrin

Divulgação

TRAMA SINISTRA
Coraline e sua mãe: botões no lugar dos olhos

Os heróis das animações de maior sucesso nos últimos anos podem até fazer pose de monstro (como Shrek), mas nunca deixam de ser, em alguma medida, fofinhos. Coraline e o Mundo Secreto (Coraline, Estados Unidos, 2009), que estreia no país nesta sexta-feira, é uma exceção radical: tem a ousadia de conquistar as crianças com criaturas que nem sempre pedem para ser abraçadas. Mesmo a ameaça que pesa sobre a garotinha de cabelos azuis que dá nome ao desenho parece invenção de mestres da literatura gótica, como Edgar Allan Poe: os vilões planejam trocar seus olhos por botões costurados ao rosto. Baseado em um livro de Neil Gaiman, criador da série de quadrinhos The Sandman, Coraline é dirigido por Henry Selick, que já mostrara a mesma disposição no lúgubre conto de natal O Estranho Mundo de Jack. Neste seu novo trabalho, a história se passa numa mansão centenária, comprada pelos pais de Coraline, que, típicos workaholics, negligenciam a filha. A menina descobre a passagem secreta para um universo paralelo, onde todos os elementos da vida real estão duplicados, com a diferença de que lá os pais lhe dão total atenção. Trata-se, porém, de uma armadilha para arrancar os olhos de Coraline e prendê-la para sempre em outra dimensão. Vale advertir: embora a classificação seja livre e o talento de Selick, inegável, é quase certo que o desenho assuste espectadores mais novinhos.



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